Shopping ou E-commerce? Dados mostram que a loja física ainda vale a pena

Apesar dos custos que um estabelecimento demanda, ter um e-commerce pode ser ainda mais caro

Não é novidade que o comércio eletrônico teve um grande crescimento nos últimos dois anos. Impulsionados pela pandemia, os e-commerces viram seus números saltarem 68% em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), enquanto a maior parte do comércio offline teve que fechar as portas por um longo período. Alguns conseguiram se adaptar, muitos faliram, mas agora com o afrouxamento das medidas de prevenção e o retorno das pessoas às ruas, o setor começa a recuperar o fôlego com crescimento de 10,1% no primeiro semestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2020, segundo o Indicador de Atividade do Comércio (IAC) do Serasa Experian.

Nosso subconsciente nos diz que é muito mais caro manter um comércio físico, por conta do custo de operação, funcionários e todos os gastos que uma estrutura demanda, mas no e-commerce também há gastos com estrutura, além de exigir mais verba com mídia e logística reversa.

A Spot Metrics, empresa de inteligência de dados e CRM, levantou alguns dados que pudessem esclarecer de vez essa dúvida, ou pelo menos contextualizar os custos efetivos de cada uma das modalidades. Na loja física, como em shoppings, os comerciantes precisam arcar com aluguel, condomínio e um fundo de promoção, que é utilizado para ações de marketing, por exemplo, para atrair mais público. A soma desses valores é chamada de Custo Total de Ocupação (CTO), e gira em média entre 9% e 12,6% do faturamento, de acordo com o site de algumas das maiores administradoras de shoppings do Brasil (brMalls, Aliansce Sonae e Multiplan).

“Quando comparamos o CTO com os marketplaces, muitas vezes os custos de uma loja física acaba sendo menor, porque as plataformas cobram uma porcentagem sobre os valores dos produtos vendidos e em alguns casos também taxas fixas para o empreendedor poder comercializar naquele canal”, explica o especialista em inteligência de dados para o varejo físico, Raphael Carvalho, CEO da Spot Metrics.

No e-commerce, à primeira vista, temos a vantagem de não nos preocuparmos com os mesmos custos de um estabelecimento físico, apesar de invariavelmente precisar armazenar o estoque em algum lugar, mas é necessário investir mais em propagandas online e promoções.
A situação também é diferente para quem ainda não tem uma marca muito reconhecida e com um e-commerce próprio, porque as vendas precisam ser feitas por meio de marketplaces consolidados, como Americanas, Amazon, Mercado Livre e Magalu, que cobram uma taxa de 14% a 20% dos valores dos produtos, superando o CTO do shopping.
De acordo com um levantamento da Simon Properties, uma das maiores administradoras de shoppings do mundo, enquanto as visitas em sites convertem apenas 3% em compras, em um estabelecimento físico, de 20% a 30% dos visitantes compram algum item, sendo que as cestas de produtos da loja física pode ter um ticket médio até 3 vezes maior .

“Nesse sentido, podemos dizer que investir em uma loja física seria mais vantajoso. O vendedor não precisaria se preocupar com verba de marketing online, porque esse custo já está incluído no CTO e apesar das campanhas que o shopping realiza para atrair mais clientes, as pessoas já irão ao shopping. O desejo da experiência física ainda – e sempre – vai continuar existindo”, acrescenta o especialista.

A pesquisa mostrou também que há uma hiper rotatividade entre os e-commerces. Ao mesmo tempo que muitas novas lojas online surgem, muitas outras, em média 65%, falem em 18 meses. Em 5 anos, o percentual chega a 90%.

Outro ponto a se observar é que nos sites, as devoluções podem chegar até 40%, baseadas na Lei do Arrependimento, demandando uma estrutura, e um custo, de logística reversa. Essa demanda já não existe no offline, porque o cliente compra em plenas condições, podendo ver e tocar o produto para ter certeza de sua escolha.

“Acredito que a melhor estratégia seja atender o consumidor no canal que este achar mais conveniente. No fim das contas, uma operação coordenada em várias frentes acaba sendo necessária para conquistar diversos perfis no mercado”, finaliza Carvalho.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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