Internet desbanca tevê e já é líder no investimento em marketing de empresas de bens não duráveis

Internet desbanca tevê e já é líder no investimento em marketing de empresas de bens não duráveis

A consultoria e agência Zmes acaba de lançar um amplo estudo sobre as mudanças de comportamento digital das marcas de produtos de bens não duráveis, como alimentos, bebidas, snacks e produtos de higiene pessoal e limpeza. Foram consultados 22 executivos de marketing de companhias como Ambev, Diageo, Nestlé e L’Oreal. O estudo também ouviu mais 1 752 pessoas, de todas as regiões metropolitanas do país, para avaliar as transformações nos hábitos de consumo durante e após o período mais crítico da pandemia de Covid-19.

Uma das principais conclusões da pesquisa, feita em com o instituto Qualibest:  55% do investimento em marketing das grandes marcas de alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza já são destinados à internet e às plataformas digitais. As mídias digitais, portanto, superaram aquele que, até então, era o principal meio de promoção para esse tipo de produto — a TV aberta.

“Até há pouco tempo, era inimaginável que as redes sociais superariam a TV aberta como principal canal de publicidade para produtos como bebidas, alimentos e itens para higiene pessoal”, diz Marcelo Tripoli, fundador e CEO da Zmes. “As plataformas digitais também estão se transformando num canal de venda muito importante para esse tipo de produto. O brasileiro já não compra digitalmente apenas TVs e celulares e isso é uma informação determinante para as empresas de bens de consumo de massa.”

Vantagem da internet

Além de liderar os investimentos das grandes marcas de bens não duráveis, a internet leva ligeira vantagem no recall do consumidor entre meios. Entre os consumidores pesquisados,  78% dizem lembrar de ter visto propagandas e conteúdos das categorias de produtos citados na internet, contra 75% que se recordam de terem visto anúncios  e comerciais na televisão. YouTube, Instagram e Facebook são as redes sociais mais consolidadas na percepção do consumidor. Influenciadores digitais e o TikTok, que são usados, respectivamente, por 95% e 64% das marcas, possuem um recall no patamar de  30%. Segundo Tripoli, esses são canais que podem e devem ser melhor explorados pelas marcas e empresas.

Os entrevistados também apontaram que em cinco das seis categorias de avaliadas – alimentos, snacks, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, cuidados pessoais e da casa -, as redes sociais já são a principal forma de conhecer um novo produto. Snacks, uma categoria muito ligada ao público jovem, lidera esse tópico — 24% dos consumidores dizem tomar conhecimento dos lançamentos pelas redes. A prevalência das redes na apresentação de novos produtos ao mercado, por sua vez, vem sendo impulsionada pelos tutoriais e pelo crescimento das chamadas instabrands, marcas que apoiam suas vendas no Instagram. A exceção é a categoria de alimentos, para a qual a TV aberta ainda é apresenta o maior recall para lançamentos: 22% contra 20% das redes sociais.

Com índices que variam entre 58% e 66% de acordo com a categoria de produto, os consumidores afirmaram ainda terem potencial de mudar de hábito de compra (marcas e ou produtos), por influência da comunicação digital. A maior parte deles diz preferir campanhas com foco nos produtos e não nos atributos de marcas e empresas, como sustentabilidade, responsabilidade social e credibilidade. “Aqui há uma evidente dissonância”, diz Tripoli. “Enquanto os consumidores querem mais informação sobre o que está sendo oferecido, as marcas ainda preferem falar mais sobre elas próprias nas plataformas digitais.”

Oportunidades

Em um mundo em que o consumidor, mais do que nunca, quer ser entretido e não interrompido, e no qual posts de 15 segundos do Tik Tok são tão ou mais vistos que anúncios na TV aberta, o estudo da Zmes dá uma pista às marcas de bens de alto consumo: as redes sociais podem ir além da promoção e das vendas dos produtos. Celebridades do mundo todo estão usando essas plataformas para criar marcas.

O que isso ensina às empresas? O primeiro ponto é que as pessoas querem, quase sempre, se relacionar com pessoas. E só dão atenção para conteúdos e temas de seu interesse. O segundo ponto a se observar são os custos de mídia crescentes e as plataformas sociais que “penalizam” o alcance orgânico das contas corporativas ou de baixo engajamento. Por fim, as marcas que migram do modelo de post patrocinado para modelos de parceria e/ou sociedade com artistas, esportistas ou celebridades, não raro, ganham rápida visibilidade e engajamento, além de reduzirem seu custo por venda.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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