Agronegócio brasileiro pode ter maiores impactos em 2022

Agronegócio brasileiro pode ter maiores impactos em 2022

O Brasil teve um ano de destaque no Direito Ambiental e terá que desenvolver suas análises de dados para combater os problemas ambientais mais graves em 2022. “Até a COP-27, temos uma lição de casa e teremos um ano de muito crescimento do ponto de vista de conhecimento do impacto real, do que a gente gera no Meio Ambiente. Isso vai nos fazer perceber que nossas cidades e a destinação inadequada de resíduos impactam muito mais que nosso Agro”, afirma Samanta Pineda, advogada especializada e professora de Direito Ambiental.

Palestrante de eventos das Nações Unidas como a COP-26, realizada este ano em novembro, em Glasgow Reino Unido, e Circuitos Urbanos, promovido no mês de outubro em âmbito internacional, Samanta diz que desafio do Brasil agora é melhorar a imagem internacional com dados e ações efetivos.

“Este ano teve regulamentação do mercado de carbono mundial com a discussão do artigo 6 do Acordo de Paris na COP; houve uma virada no Direito Ambiental brasileiro com a Lei de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), mas nós não temos ainda uma comunicação e uma avaliação que consigam considerar separadamente desmatamento legal do desmatamento ilegal”, aponta.

Desmatar é tirar floresta e não colocar nada no lugar

Para Samanta Pineda, o Brasil teve um ano difícil com relação ao número de desmatamentos, que teve uma grande alta em 2021 em relação ao ano anterior. “No número de queimadas, foi melhor que no ano passado, mas frente aos dados dos desmatamentos, a imagem brasileira no mercado internacional ficou ruim”, relata a advogada.

Para reverter esse quadro, na opinião da especialista, o Brasil precisa combater os crimes ambientais como de tráfico de madeira, tráfico de animais, de garimpo ilegal e grilagem. “Isso só vai ser dado através da regularização fundiária. Mas isso não quer dizer que a gente tenha desmatado além da conta. Desmatar é tirar uma floresta e não colocar nada no seu lugar, é provocar degradação. E no Brasil, isso não acontece”, o que fazemos é conversão de vegetação nativa em lavouras e pastagens e muitas vezes esta conversão é legal” afirma.

A professora explica que no Brasil muitos dos espaços convertidos em áreas produtivas sustentáveis são ainda consideradas como desmatamento, mesmo atuando como sequestradores de carbono.

Premiar boas práticas em vez de repreender

Em contrapartida às queimadas, o Brasil destacou-se positivamente quanto à legislação. “Foi o ano da virada no Direito Ambiental brasileiro na minha opinião. Porque passamos de um Direito repressivo, de comando e controle, como sempre foi, para um Direito retributivo, que induz aos bons comportamentos ambientais”, lembrou Samanta.

O país promulgou em janeiro a Lei 14119, conhecida como Lei dos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), que prevê remuneração das boas práticas ambientais por agricultores. A advogada explica que, na tutela do Meio Ambiente, a prevenção vale mais do que a repreensão.

“É a tutela de um bem no qual reparar um dano é muito mais difícil. Uma árvore centenária, uma espécie que se extingue um solo que degrada, são reparos que levam muitos anos. Então, é muito melhor ter um Direito inteligente, que contribua, que premie, que pague pelas boas práticas, que o direito que pune”, reforça.

Para ela, com a nova Lei, sai ganhando a preservação e o produtor rural, que trabalha com a saúde do Meio Ambiente para sustentar seu próprio negócio. “Isso vai mudar a mentalidade, a educação do brasileiro”, afirma.

Agro positivo e Mercado de Carbono

A advogada Samanta Pineda destaca também 2021 como o ano da regularização do mercado internacional de carbono, que teve o artigo 6º do Acordo de Paris regulamentado na COP-26. “O Brasil teve uma participação muito significativa nestas decisões mundiais. Nossa diplomacia parece que entendeu de fato qual é o papel do país nas questões climáticas e tivemos a correção do nosso inventário de emissões, que ainda precisa ser aprimorado”, aponta ela.

O inventário é a conta do quanto carbono um território emite menos a quantidade sequestrada. “Fazemos esse levantamento para ver se o Brasil está no saldo positivo ou negativo, mas ainda não colocamos no papel os números do agro. E nosso agro é positivo do ponto de vista ambiental, porque a gente capta muito mais do que a gente emite na maioria das culturas”, afirma Samanta. Em 2021, o país reforçou o plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e estabeleceu a meta de chegar a 72 milhões de hectares praticando a técnica com baixas emissões de poluentes até 2030.

Para o ano que se aproxima, a especialista está otimista. “Começamos com a Lei de Pagamentos por Serviços Ambientais e finalizamos com a participação do Brasil na COP. Foi uma grande abertura e um grande fechamento de ano, que mostram que no país a coisa realmente vai mudar com relação aos cuidados ambientais”, destaca.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *