Indicadores Industriais mostram desaceleração

Indicadores Industriais mostram desaceleração

A indústria brasileira registrou crescimento nos índices de emprego, faturamento e utilização da capacidade instalada em 2021. A Confederação Nacional da Indústria, no entanto, destaca que o bom resultado tem, como base de comparação 2020, ano atípico e com “desempenho excessivamente fraco” em decorrência da pandemia.

“Apesar do avanço verificado na comparação anual, há desaceleração no ritmo de crescimento do emprego, tendência de queda do faturamento e da utilização da capacidade instalada no segundo semestre de 2021”, detalha a CNI por meio do levantamento Indicadores Industriais, divulgado hoje (4).

Os indicadores registram alta de 3,7% no faturamento da indústria de 2021, na comparação com 2020. Em dezembro, no entanto, esse indicador apresentou uma queda de 0,3% na série livre de efeitos sazonais. “Esse aumento se deve ao patamar elevado em que o faturamento começou o ano, uma vez que o indicador registrou quedas sucessivas ao longo dos meses”, explica a CNI.

De acordo com o levantamento, em dezembro de 2021, o faturamento estava 7,5% abaixo do registrado no mesmo mês de 2020. No acumulado de 2021, o faturamento foi 5% menor do que o de fevereiro de 2020, antes da chegada da pandemia de covid-19 ao país, detalha o estudo.

Ainda segundo os Indicadores Industriais, a massa salarial real e sobretudo o rendimento médio real, pressionados pela inflação, seguiram em queda na maior parte de 2021.

Os indicadores divulgados hoje fecham os dados obtidos ao longo de 2021. O levantamento revela que os pontos que contribuíram para o recuo no segundo semestre vão além dos efeitos da persistência da pandemia de covid-19, abrangendo também “o desarranjo das cadeias de suprimentos, que contribuem para que a recuperação não se complete e para que se mantenha o contexto de incerteza e altos custos na indústria de transformação”.

“O resultado faz o enceramento do ano de 2021. Na comparação, temos resultados positivos na comparação com 2020. Mas é preciso lembrar que 2020 foi um ano muito difícil para a indústria, que praticamente parou por dois meses durante aquele ano, por conta da pandemia. Então essa comparação é feita com uma base muito baixa”, resume o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Capacidade instalada

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 0,6 ponto percentual de novembro para dezembro de 2021. Tendo por base de comparação dezembro de 2020, o recuo registrado é de 0,7 ponto percentual.

A CNI lembra que, em junho de 2021, esse indicador chegou a atingir o patamar de 82,3%, “ponto mais alto desde 2014”. No entanto, acabou entrando em uma “tendência de queda no segundo semestre, encerrando o ano em 79,6% em dezembro”.

Massa salarial e rendimento médio

A massa salarial paga pelo setor industrial caiu 1,2% em dezembro, na comparação com novembro, na série dessazonalizada. No acumulado do ano, tendo por base a média registrada em 2020, o item registrou aumento de 0,7%.

“Esse aumento, no entanto, se deve à forte queda observada em 2020 e à alta que se concentrou na primeira metade de 2021. Em dezembro de 2021, a massa salarial se encontra 1,2% abaixo do índice de dezembro de 2020 e 4,8% abaixo do registrado em fevereiro de 2020”, explica a CNI.

O rendimento médio real do trabalhador manteve a “tendência de queda”, diz o levantamento, ao registrar diminuição de 1,4% de novembro para dezembro de 2021, na série livre de efeitos sazonais. Na comparação com a média registrada em 2020, a queda registrada é de 3,2%

“A queda no rendimento médio provocada pela pandemia de covid-19 em 2020 foi seguida de uma recuperação, verificada até setembro, mas que posteriormente foi corroída ao longo dos meses”, diz o levantamento ao observar que o nível observado em dezembro “é próximo – apenas 1,4% acima – do ponto mais crítico da pandemia, de maio de 2020”.

Na comparação de dezembro de 2021 com o mesmo mês de 2020, o recuo observado é de -4,7%.

Horas trabalhadas e emprego

Já o indicador referente a “horas trabalhadas na produção” apresentou alta de 3,3% em dezembro, acumulando avanço de 9,4% em relação a 2020.

O volume de horas trabalhadas caiu ao longo do primeiro semestre, mas voltou a registrar altas consistentes nos últimos três meses do ano. Dessa forma, a comparação entre dezembro de 2021 e o mesmo mês de 2020 indica alta de 1,4%.

“Vale notar que o patamar de dezembro é superior ao registrado antes da pandemia: na comparação com fevereiro de 2020, as horas trabalhadas na produção aumentam 4,3%”, acrescenta.

O emprego na indústria ficou estável no mês de dezembro, mas encerrou 2021 com avanço de 4,1% na comparação com o ano anterior. De acordo com a CNI, o crescimento ocorreu “essencialmente no primeiro semestre”.

O segundo semestre foi marcado pela estabilidade. Entre janeiro e junho, o índice relativo a emprego subiu 3,2%. Entre julho e dezembro, o avanço ficou em 0,5%. Tendo por base de comparação dezembro de 2020, o último mês de 2021apresentou crescimento de 3,6%.

Dezembro

“O resultado de dezembro foi negativo para muitas variáveis. Ele consolida o que a gente vinha percebendo nos últimos indicadores, de uma desaceleração da atividade industrial no segundo semestre. O ano tinha começado bem para a indústria, mas foi perdendo força. Isso se intensificou no segundo semestre, consolidando agora com esse resultado de dezembro, com aceleração da tendência de queda do faturamento e de utilização da capacidade instalada. O emprego que vinha crescendo na primeira metade do ano parou de crescer, consolidando então esse cenário”, conclui o gerente da CNI.

Agência Brasil

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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