Com Selic mais alta, é possível economizar no financiamento imobiliário?

Com Selic mais alta, é possível economizar no financiamento imobiliário?

O Comitê de Política Monetária (Copom) subiu mais um ponto da Selic para 11,75% na última reunião. Desde fevereiro a taxa básica de juros voltou a circular na casa dos dois dígitos, pela primeira vez desde 2017. Após dois anos de recordes positivos, o mercado imobiliário deve ser um dos mais impactados por essa alta. Mesmo assim, a previsão é de cenário aquecido.

Para entender os próximos passos deste setor, Bruno Gama, CEO da CrediHome, plataforma de crédito imobiliário, explica quais são as mudanças previstas para os próximos meses e indica caminhos para quem pretende financiar ou renegociar o seu crédito pela casa própria.

É viável entrar em um financiamento neste momento? 

Nos anos de 2020 e 2 021,o mercado imobiliário atingiu marcas expressivas com aumento nas contratações de financiamentos e crescimento nos lançamentos por parte das construtoras. O motivo principal para essa alta havia sido a queda na taxa básica de juros, a Selic, que atingiu sua mínima histórica em 2%, entre os meses de setembro e março desses anos.

Influenciando diretamente nas taxas de contratação de crédito, a Selic dita os rumos de diversos setores econômicos do país. Por conta do seu graduado avanço no começo deste ano como estratégia para conter a inflação, a expectativa é de que o setor imobiliário sofra uma leve desaceleração esperada para o período.

Por outro lado, essa lógica não inviabiliza os planos de quem pretende investir em um imóvel. Aliás, muito pelo contrário. Segundo Bruno Gama, a conjuntura econômica faz com que o momento atual seja o mais propício, pelo menos a curto prazo, para este tipo de investimento. “Mesmo com uma taxa acima dos 10%, essa opção de crédito ainda é a mais barata para o cliente no Brasil. Recomendamos, para quem ainda não comprou, que agilize o processo o quanto antes, já que as taxas ainda podem subir mais. A expectativa é de que a Selic comece a cair apenas no começo de 2023. Os bancos costumam segurar a taxa de juros para quem já entrou no processo de financiamento, portanto quem está à procura precisa ficar atento aos aumentos nos próximos meses”, explica o especialista.

Por outro lado, o CEO da CrediHome ressalta a importância de se analisar e planejar muito bem na hora de buscar a contratação de crédito. “É necessário lembrar que após a compra do imóvel, outras taxas serão adicionadas a essa conta. Tarifas como os seguros obrigatórios inclusos no CET (Custo Efetivo Total), o condomínio, IPTU e outros impostos passam a fazer parte do dia a dia desse proprietário e necessitam ser incluídas no planejamento desde o  início do processo”, destaca.

Como economizar no financiamento?

Se a taxa básica deve trazer aumentos inevitáveis na hora de contratar o financiamento, o comprador se vê na necessidade de buscar outras formas de economizar na hora de comprar o imóvel.

Segundo o CEO da CrediHome, existem diversas variáveis e condições analisadas pelos bancos na hora de oferecer esse serviço. Estar atento para quais são esses fatores de preocupação das instituições financeiras e as melhores condições de oportunidades são aspectos fundamentais na hora de fechar o melhor negócio.”Ter um bom rating de crédito, ou seja, não apresentar nenhuma pendência ou risco identificado pelo banco ajuda a conseguir melhores condições de financiamento. É preciso se preocupar ainda quais serão as condições desse negócio. Atualmente, indicamos sempre buscar financiamento atrelado à poupança, já que essa possui um teto pré-estipulado, o que facilita na hora do planejamento”, indica.

Além disso, Bruno Gama ressalta ainda a importância de se contar com uma boa assessoria no momento de escolher qual a melhor opção de negócio. “O processo de financiamento é muito burocrático e por isso ele precisa de toda ajuda que se possa oferecer. Atualmente se faz necessária a busca por empresas parceiras que disponibilizam a transparência para o cliente, informando todos os custos envolvidos em um financiamento imobiliário e que os disponha das melhores opções do mercado”, salienta.

Para quem já adquiriu o financiamento, o que fazer?

Outro impacto perceptível no mercado imobiliário a partir da alta da taxa Selic será sentido por quem já está financiando a compra de um imóvel. Segundo o especialista, o contexto exige atenção, porém não pode significar o desespero por alternativas que, por muitas vezes, são pouco eficazes.

“Esse é um momento em que muitas pessoas passam a buscar a portabilidade, por exemplo. Porém é importante ressaltar que como o contexto atual mostra taxas de juros subindo cada vez mais, essa estratégia acaba sendo pouco produtiva e bastante desaconselháveis nesse momento”, avalia.

Outra alternativa bastante visada nesse momento pelos consumidores é a de buscar antecipar a quitação de parcelas visando fugir desse crescimento da taxa Selic. Porém, Bruno Gama novamente ressalta que essa é uma prática de pouca eficiência e indica outros caminhos mais produtivos aos compradores.

“A gente não recomenda a amortização do financiamento já que esse acordo, independente da taxa de juros acertada, é o empréstimo mais barato possível para pessoas físicas no Brasil e não há uma opção melhor atualmente. Então, é recomendável utilizar os recursos para quitar outras dívidas antes e deixar a amortização do financiamento imobiliário por último”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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