Mulheres ainda são minoria em áreas que envolvem tecnologia

Mulheres ainda são minoria em áreas que envolvem tecnologia

As mulheres ainda são minoria em cargos que envolvem tecnologia. É o que mostra um recente estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). Do total de graduados em engenharia no mundo, apenas 28% são mulheres. Quando o tema são as áreas de ciência da computação e informática, o número também é pequeno, mas já representa 40% da mão de obra qualificada no setor.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, é imprescindível melhorar esses números. Ele é enfático e sugere políticas públicas que preencham as salas de aula com meninas focadas em tecnologia, uma vez que “homens e mulheres jovens são igualmente capazes e igualmente fascinados pela ciência, cheios de ideias e prontos para fazer o mundo avançar”.

Segundo Guterres, é necessário “mais determinação pelo fim da discriminação e dos estereótipos sobre as mulheres na ciência e mais rigor nos esforços para expandir as oportunidades”.

Cultura organizacional

Em Santa Catarina, a FiberX Distribuidora já compreendeu a importância das mulheres em sua caminhada.

Com 14 anos de existência e considerada uma das principais empresas do segmento de telecomunicação do Brasil, a companhia – que nasceu no Oeste Catarinense e atualmente possui o centro administrativo em Itapema – tem realizado uma “reengenharia” em seus quadros profissionais para valorizar e reforçar a presença feminina em seus diversos setores.

O processo que busca reconhecer o protagonismo da mulher na área tecnológica começou há pouco tempo, mas traz mudanças importantes no organograma funcional. Atualmente, cinco colaboradoras já ocupam cargos de liderança nos 13 existentes na companhia.

“Em termos quantitativos pode parecer algo pequeno, mas quando se trabalha cultura organizacional é uma conquista muito grande”, explica a analista de Recursos Humanos, Caroline Sebage Pereira, que responde por um grupo de colaboradores onde apenas 33% são mulheres.

A CFO, Francieli Dela Giustina, concorda com as observações do representante da ONU e destaca a importância de se dar o primeiro passo no sentido da mudança. Segundo ela, dentro do universo da tecnologia “o maior desafio é quebrar o tabu de que mulher não entende do assunto e mostrar que consegue ter a mesma qualidade de trabalho que um homem”.

Francieli se orgulha da trajetória de criar umas das empresas mais bem-sucedidas do setor e garante que, com a chegada do 5G, novas carreiras femininas devem ser alavancadas positivamente.

Maternidade e vida profissional

Há mais de 15 anos atuando em diversos segmentos da área da tecnologia, a coordenadora de marketing da FiberX, Gizele Estácio, observa que a área é estimulante por permitir o contato direto com a inovação.

“O segmento de modo geral é muito masculino, mas aqui percebemos espaço e confiança no trabalho das mulheres que, assim como os demais profissionais da organização, precisam estar atualizados”, relata. Mãe de duas crianças em idade escolar, Gizele sente na pele o que é conciliar maternidade e vida profissional, mas enfatiza que é possível seguir confiante nos dois papéis: “os desafios são grandes e organização é fundamental”.

E Gizele não é a única neste desafio. Estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre Estatísticas de Gênero, em 2021, mostrou que apenas 54,6% das mães de 25 a 49 anos com crianças de até três estavam empregadas. E quando o assunto é maternidade negra, apenas 49,7% das mulheres estavam no mercado de trabalho.

Equidade de gêneros

A CFO da FiberX Distribuidora, Francieli Dela Giustina (ao centro) afirma que equidade de gênero passa por cultura organizacional.

A busca pela equidade de gêneros passa pela cultura organizacional e uma pesquisa realizada pela consultoria Deloitte denota isso. O estudo abordou 8 mil empresas de 66 países e demonstrou que apenas 16,9% dos cargos de liderança no mundo são ocupados por mulheres. Neste ranking, apresentado no segundo semestre de 2020, o Brasil ocupava o 38º lugar com apenas 8,6% de postos executivos exercidos por mulheres.

Coordenadora administrativa na FiberX Distribuidora, Sidiani Vieira de Andrade entende que o setor de tecnologia no Brasil tem muito a crescer e precisa superar a desigualdade de gênero e o descrédito de potencial. Já a Head de Vendas, Tatiana Canevese, reconhecida por criar e gerenciar equipes com altas performances de vendas, valoriza esse período de mudança que a companhia apresenta. Em seu ponto de vista, fazer parte de uma empresa livre de preconceitos também permite focar mais no negócio e acompanhar melhor a constante evolução que o segmento traz.

Para Letícia Miranda, Head of Legal da empresa, existem conquistas a cada dia, o que permite a criação de novas políticas e procedimentos de segurança que impactam positivamente toda a companhia.

Diversidade e inclusão

Analista de suporte numa área dominada por homens, Daniela Desteffani trabalha na FiberX Distribuidora e também se dedica aos estudos na área de segurança cibernética. Ela considera que o papel das mulheres é trazer diversidade, equilíbrio e mostrar que todos – independentes de gênero – são capazes de atuar onde quiserem.

“O gênero biológico/identidade de gênero não é algo que deve servir de parâmetro para definir a capacidade intelectual de uma mulher. A tecnologia veio com intuito de inclusão e acessibilidade, então devemos seguir o conceito e aplicar isso em nosso dia a dia”, conclui.

Crédito das imagens: FiberX Distribuidora/Divulgação

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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