Varejo se transformando em fintechs, antecipação de recebíveis e alongamento de prazos são as maiores tendências em 2022

Varejo se transformando em fintechs, antecipação de recebíveis e alongamento de prazos são as maiores tendências em 2022

Juros altos, inflação, economia em crise, pandemia sem previsão de final e um ano de eleição presidencial são alguns dos eventos que devem marcar o Brasil em 2022. O cenário que em um primeiro momento pode parecer caótico, pode ser visto também como uma oportunidade para se fazer bons negócios e expandir se fizermos a leitura correta do cenário.

Para Celso Sato (foto), CEO da Accesstage, “quando penso na diferença entre o ano passado e esse não tenho como não elencar a alta na taxa de juros como a principal diferença. O dinheiro está, definitivamente, mais caro e muito mais caro. Começamos janeiro de 2021 com 2% de taxa de juros e já neste ano, estamos falando em 10,75% com um indicativo de que devemos fechar o ano na casa dos 12%. O custo do capital está seis vezes mais caro em 2022! Esse custo mais alto impacta diretamente no planejamento das empresas. Se antes, para colocarmos um projeto em prática, tomando dinheiro no mercado para o investimento, teríamos que ele retornasse 10% a 15% para bancar o custo do capital, agora esse retorno precisa ser de 25% pelo menos”.

Nesse cenário, quais são as tendências e como aproveitá-las? Segundo Sato, uUma tendência de 5 anos atrás e que se tornou fato e hoje é uma realidade em expansão é o que podemos chamar de “fintechzação” ou bancarização dos grandes varejos que passaram a oferecer alguns serviços financeiros com o intuito de fidelizar e monetizar seus clientes.

“A novidade para 2022 é que esta fintechzação está chegando na indústria, no B2B. A tecnologia torna isso possível e acessível com facilitadores como Open Bank e o Pix que possibilitam chegar a cadeia todos os serviços como a conciliação, antecipação de recebíveis com garantia que possibilita o alongamento de prazo para pagamento e o crédito à juros mais baixos devido à redução de riscos. Aliás, essa é a grande necessidade do mercado: prazo. Com o dinheiro “mais caro”, todo mundo precisará de mais prazo e a antecipação de recebíveis se faz muito necessária e com isso uma oportunidade imensa para empresas que oferecem soluções neste sentido”, explica o CEO da Accesstage.

De acordo com Sato, uma grande indústria de tabaco consegue e tem caixa para apoiar seus pequenos clientes que são, por exemplo, as bancas de jornal e pequenos comércios. A indústria sabe que eles não têm capital, mas sabe que eles têm recebíveis e a tecnologia está ali para apoiar e dar soluções inteligentes de gestão financeira para toda a cadeia de supply chain finance.

O ecossistema inteiro tem que ser levado em consideração e ser bem cuidado para que funcione para todos. É preciso ter isso em mente para crescer, para desenvolver projetos que façam, claro, a minha empresa crescer, mas não só ela. Eu, como empresário, preciso pensar em todos os agentes do sistema.  Aqui, vale também lembrar que o ESG, também uma tendência em alta, vai além da questão ambiental. Também é cuidar da saúde financeira da cadeia como um todo. A saúde financeira das empresas gerida de maneira sustentável impacta diretamente no trato social e ambiental.

Outra tendência forte, aponta Sato, é o omnichannel, porém, neste ano, acredito que as empresas devam se voltar para as experiências físicas, o varejo físico deve voltar com força na medida em que a convivência social também volte. Empresas digitais devem vir para o físico também. Porém, o controle do omnichannel não pode não contar com a tecnologia, pois se for analógico vai se perder dinheiro. O checkout é sempre da plataforma.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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