Bolsa acumula queda de 10% em abril

Dólar valoriza 3,81% e tem a maior alta em sete meses
O Ibovespa fechou em queda de 1,86% nesta sexta-feira (29), aos 107.876 pontos. Com isso, o índice acumulou queda de 10,10% em abril, a maior desde março de 2020, e se distanciou da sua máxima no ano, que foi de cerca de 121 mil pontos, e interrompeu uma sequência de três meses de altas.
Na avaliação dos operadores, o fator que levou à forte queda da Bolsa brasileira e também das americanas foi o mercado ter se conscientizado de que o Federal Reserve (Fed), que é o banco central americano, terá de subir o juros mais do que o que se esperava. .
Outro fator que também está influenciando na queda das bolsas é a guerra na Ucrânia, que continua pressionando o preço das commodities. Nesta sexta-feira o barril Brent voltou ao patamar de US$ 110 após o discurso de que países europeus embargarão o petróleo e o gás da Rússia ganhar força. Do outro lado, os lockdowns na China, com a política de Covid zero, geram novos impactos na cadeia global de suprimentos, que também devem resultar em alta dos preços. A combinação desses fatores se traduz em mais inflação, preocupando os mercados.
Dados ruins da gigante do varejo Amazon, que lucrou menos que o esperado por causa da inflação nos Estados Unidos, fizeram as bolsas norte-americanas ter as maiores perdas diárias desde 2020. O índice S&P 500, das 500 maiores empresas, caiu 3,63%. O Dow Jones, das empresas industriais, perdeu 2,77%. O Nasdaq, das empresas de tecnologia, recuou 4,17%.
Dólar
Após o dólar chegar a valer R$ 5,65 no começo do mês, a moeda americana fechou o último pregão do mês de abril cotada a R$ 4,942. O dólar começou o dia em forte baixa, mas a deterioração do mercado internacional fez a moeda inverter o movimento e encerrar o dia com leve alta.

Durante a manhã, a moeda operou em forte baixa, chegando a cair para R$ 4,86 pouco antes das 10 horas, mas passou a subir influenciada pelo mercado externo.
A moeda norte-americana fechou abril com alta de 3,81%, a maior alta em sete meses. Em 2022, a divisa acumula queda de 11,36%. O mês de abril tinha começado de forma otimista para o câmbio. Em 4 de abril, a cotação do dólar chegou a R$ 4,608, no menor nível desde 4 de março de 2020, uma semana antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar a pandemia de covid-19.
Desde o dia 22, vários fatores têm empurrado o dólar para cima. A alta da inflação nos Estados Unidos, que está no maior nível em 40 anos, reforçou as expectativas de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano) aumente os juros mais que o previsto. Taxas altas em economias avançadas estimulam a fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil.
Em segundo lugar, o agravamento das medidas de lockdown na China provocou a desaceleração da segunda maior economia do planeta. A expectativa de que o país asiático compre menos commodities (bens primários com cotação internacional) pressionou para baixo os preços de produtos agrícolas e minerais, mas esses itens voltaram a se valorizar nos últimos dias após a China amenizar as medidas de restrição social na principal região produtora de aço do país.








