Falta de produtos importados afeta a logística no Brasil

Falta de produtos importados afeta a logística no Brasil

Com o fechamento dos portos mais importantes do mundo e a guerra que acontece na Ucrânia, o Brasil é afetado com a falta de insumos

O mundo tem passado por várias crises e se engana quem pensa que elas não afetam o Brasil. A cadeia logística, que já vinha sofrendo com os constantes aumentos no valor de fretes, também corre o risco de enfrentar a falta de produtos.

O fechamento dos portos chineses em função do lockdown é um dos fatores mais preocupantes para o setor. A situação é mais grave para os exportadores, por conta do congestionamento que se forma em volta dos maiores portos do mundo, causando grande impacto nos gargalos logísticos.

Para Rafael Dantas, diretor comercial da Asia Shipping, a crise atual envolve a falta de importados como fator principal. “Não acredito que voltaremos ao patamar de fretes de 2021. Hoje o cenário é outro, o consumo caiu e o Brasil não está mais em lockdown. A demanda voltou a uma normalidade, mas certamente teremos escassez de produtos”, afirma.

Embora nos últimos meses o valor dos fretes tenha se estagnado e, em alguns casos diminuído, o setor espera por um aumento nos próximos meses com a chegada

da alta temporada. Isso evidenciará os gargalos logísticos e a demanda reprimida a ser escoada após o encerramento do lockdown chinês.

“Neste momento, ainda é difícil prever uma normalização na situação da China, já que envolve decisões a serem tomadas pelo governo sobre o surto de Covid no país. A política de tolerância zero na China pode gerar grandes problemas para o Brasil, especialmente com o congestionamento nos portos, falta de vazão de mercadorias e investimentos extras dos armadores, uma vez que carga parada significa altos prejuízos”, ressalta Dantas.

Nearshoring

Comparativo portos na China, costa brasileira e Los Angeles em 22/04/22 Pontos vermelhos: navios tanques Pontos verdes: navios cargueiros

Embora o País tenha registrado em 2021 um superávit de US$ 61 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, com recorde nas exportações, que checaram a US$ 280 bilhões, a participação no comércio global está aquém do potencial do Comex brasileiro, mas com grandes chances de superar as dificuldades.

Segundo Larry Fink, CEO da BlackRock, fundo que administra mais US$ 10 trilhões globalmente, o Brasil e a América Latina podem se beneficiar do que chama de “nova ordem mundial”. Se Brasil, México e Colômbia se concentrarem e se abrirem para novos negócios, haverá mais empresas próximas ao nearshoring ou onshoring, modelo bastante utilizado na terceirização de serviços de tecnologia. A principal vantagem seria contar com fábricas regionalizadas para atender uma demanda local, evitando rupturas na cadeia logística, como ocorreu com a China durante a pandemia e, mais recentemente, com a política de tolerância zero em relação aos casos de Covid, que levou ao fechamento de alguns portos e cidades.

Outro ponto positivo do nearshoring é descentralizar a dependência de um único país, especialmente em cenários de incerteza. “Porém é um processo que deve ocorrer gradualmente, pois os ‘desbravadores’ terão que solucionar problemas políticos e de infraestrutura regionais, além de promover investimentos consideráveis em tecnologia e formação de mão de obra especializada para desenvolver uma nova cultura de comércio exterior. Os desafios são grandes, mas as oportunidades de figurar entre os protagonistas da nova ordem mundial são maiores e plausíveis na visão de entidades internacionais, pelo menos no médio e longo prazo”, complementa Rafael Dantas.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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