Retorno das audiências presenciais do TRT traz riscos de retrocessos na visão de especialistas

Retorno das audiências presenciais do TRT traz riscos de retrocessos na visão de especialistas

Advogado defende adoção de modelo que privilegie o sistema telepresencial

Depois de dois anos de pandemia, com audiências realizadas de forma telepresencial, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9a Região determinou a volta das sessões presenciais para audiências e sessões de julgamento.
A resolução para volta das audiências presenciais baseia-se em dados do governo do Paraná, que dão conta que 93,8% da população já recebeu a primeira dose da vacina, 83,73% já recebeu a segunda dose e 40,57% já recebeu a dose de reforço.

Pela determinação, desde o último dia 25 de abril retornaram ao Tribunal magistrados, servidores, estagiários e trabalhadores terceirizados, com exceção de gestantes.

A definição levou em consideração, ainda, que houve abrandamento das condições epidemiológicas relacionadas à transmissão da Covid-19 no Estado do Paraná e a redução da gravidade dos efeitos da doença.

Defende também que “o atendimento presencial nas unidades judiciárias, de apoio judiciário e administrativas do TRT 9ª Região corresponde aos anseios da sociedade, do jurisdicionado, dos sindicatos e das entidades de classe dos advogados”.

Retrocesso

Especialistas jurídicos apontam que, embora tenha havido muitos percalços durante a pandemia, notaram-se nesse período algumas evoluções adotadas imediatamente pelo judiciário e que teriam levado cerca de 5 a 10 anos para ocorrer. “Foi o caso da realização exclusiva de sessões e julgamentos telepresenciais. Em um primeiro momento, este modelo trouxe algumas dificuldades e questionamentos, como, por exemplo, de que maneira as pessoas teriam acesso às audiências, se deviam estar no escritório do advogado, entre outros.Estas questões foram se acomodando com a prática e o modelo telepresencial funcionou muito bem”, informa o advogado Antonio Munhoz da Rocha Netto, do escritório Filla e Munhoz da Rocha Advogados Associados.

Agora, com o retorno ao modelo presencial, o que se nota é um retrocesso. “A volta majoritária das audiências, e mesmo de sessões de julgamento do Tribunal, que não precisam sequer da presença de partes ou testemunhas, causa preocupação porque o modelo telepresencial funcionou bem e deveria ser usado de forma mais ampla do que vem sendo ocorrendo na prática”, observa ele.

Rocha Netto aponta que no escritório são realizadas centenas de audiências na Justiça do Trabalho e já notou as mudanças. “Constatamos que, após o dia 25 de abril, houve um aumento exponencial das audiências presenciais, que no mês de maio passaram de 18% para 50% do total, o que indica uma curva de alta muito preocupante”.

Modelo telepresencial trouxe mais velocidade aos processos

O especialista também aponta ganhos evidentes com o uso do modelo telepresencial durante a pandemia e que deveriam ser considerados pelo judiciário. “Os processos trabalhistas no formato telepresencial ganharam uma velocidade muito maior, tanto nas sessões de julgamento quanto nas sustentações orais, com mais objetividade e sem perda de tempo com deslocamentos”, afirma.

Para o advogado, o modelo telepresencial evita deslocamento de todos, tanto de testemunhas quanto de advogados, que precisam cumprir pauta muitas vezes no Brasil inteiro, cuja realização de forma telepresencial não perde em qualidade na comparação com a presença física.

“Este é um ponto de atenção e reflexão para todos nós, do meio jurídico, para que não percamos os ganhos obtidos durante o período de pandemia e possamos adotar o meio híbrido que privilegie o telepresencial e não o físico”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *