Profissionais migram para o mercado de tecnologia em busca de oportunidades, maiores salários e estabilidade

Profissionais migram para o mercado de tecnologia em busca de oportunidades, maiores salários e estabilidade

É cada vez mais comum ver profissionais que estão em transição de carreira. Os motivos vão desde a insatisfação com a área de formação, à escassez de vagas e até mesmo pela vontade de garantir um lugar no mercado das profissões do futuro. A tendência é evidenciada pelo relatório do World Economic Forum, que estima que, em 2022, 54% de todos os funcionários vão precisar de uma requalificação significativa. Junto a ele, a pesquisa Digital Skills, realizada pela edtech Tera, em parceria com a Mindminers, mostra que, no Brasil, seis a cada 10 profissionais digitais não começaram a carreira atuando na função que ocupam hoje.

“Na maioria das vezes, a primeira escolha profissional acontece quando ainda se é muito jovem, e é comum amadurecer, conhecer outras possibilidades e querer mudar. Isso pode acontecer no meio do primeiro curso de graduação ou até mesmo após anos ou décadas atuando na área”, diz Tomás Ferrari, CEO e fundador da GeekHunter, startup de recrutamento especializada na contratação de profissionais de tecnologia. Segundo ele, há dois formatos para passar por uma transição de carreira: o upskilling e o reskilling. “O primeiro visa ensinar a um trabalhador novas competências para otimizar seu desempenho, adicionando mais profundidade e proficiência em competências que a pessoa já possui. O último, também conhecido como reciclagem profissional, é quando a pessoa aprende novas competências para mudar de carreira, seja dentro ou fora da sua empresa atual”, explica.

Isabela Maltez.

Foi o que aconteceu com Isabela Maltez, jornalista que atuou mais de sete anos na produção de conteúdo digital e hoje ocupa o cargo de Product Manager no Itaú. “Apesar de eu adorar o que eu fazia, o desemprego que me atingiu junto à pandemia me fez enxergar que um novo desafio profissional era uma urgência”, conta Maltez. Depois de cinco meses desempregada, ainda em 2020, se inscreveu no curso Digital Product Leadership da Tera, startup de educação para economia digital. Ao todo, foram 12 meses estudando até ser realocada, entre aprendizados independentes e o bootcamp de três meses da edtech. Em abril de 2021, conseguiu sua primeira oportunidade na área, como Associate Product Manager. Depois de 10 meses no cargo, assumiu a atual cadeira de Product Manager no maior banco brasileiro.

Agora, Isabela compartilha algumas certezas sobre transição de carreira, como nunca ser tarde para recomeçar e não existir momento certo para fazê-la. “Nunca achamos que estamos suficientemente prontos e se apoiar na falsa ideia do ‘momento ideal’ é um tiro dolorido no pé”, afirma. Ela aconselha àquelas que querem seguir esse caminho a ouvir pessoas que tiveram experiências parecidas e a saberem não só o que querem, mas também o que não desejam. “Isso encurta muito o caminho. Foi entre leituras e conversas que entendi que existiam diferentes papéis dentro da área de produto e que muito do que vivi no passado também viveria nessa nova área”, diz.

Já a Beatriz Moraes, formada em Gastronomia desde 2014, trabalhou na área de alimentação como confeiteira, auxiliar administrativa e consultora gastronômica. Depois de seis anos no setor, a falta de uma maior estabilidade na carreira a fez olhar para o mercado de tecnologia. “Recebi a oportunidade de trabalhar como terceirizada em uma multinacional e lá compreendi como as empresas estavam lidando com tecnologia. Entrei em contato com diferentes conceitos digitais e senti que aquele era o caminho que deveria tomar. Até então, minha noção de trabalhar com tecnologia era limitada a escrever código de programação o dia todo, e não era o que eu queria”, conta.

Beatriz fez parte da primeira turma do curso de Data Analytics da Tera em 2021 após conversar com pessoas que fizeram transições tão drásticas quanto a que faria e que tiveram recolocação no mercado em poucos meses. “Apesar de ter visto o dia a dia do trabalho em primeira mão, relutei em trocar de área. Sentia que se eu decidisse pela transição de carreira estaria jogando fora todo o tempo e dinheiro investido na minha primeira escolha”, conta.

Segundo Leandro Herrera, CEO e fundador da Tera, a transição de carreira apresenta desafios reais, mas também é envolta de pré-conceitos. “A área de tecnologia não é uma coisa só, ela se ramifica em diversas atuações, e estamos caminhando para um mercado de profissões híbridas, em que a maioria das posições tem uma camada de conhecimento em tecnologia”, explica. “Identificar quais dos ramos você tem mais afinidade, seja porque você já desenvolveu uma base ou não, é o primeiro passo. Se você já conta com um background, a realocação se torna mais simples. Por exemplo, no caso de um Designer Gráfico que procura se realocar para Product Design ou UX Design, já há uma base de conhecimento relevante para acessar de forma mais rápida o ramo de escolha”, detalha.

Depois de cinco anos trabalhando como bibliotecária, Jessyka Nicodemos, de 26 anos, começou a perceber as similaridades  que sua formação compartilhava com UX Design. Conta, inclusive, que os primeiros UX Designers eram bibliotecários e da área de Ciência da Informação. “Fui trabalhar na biblioteca de uma escola e não me adaptei, então pensei em migrar de carreira e fui atrás de pesquisar sobre novas profissões”, conta. Depois de um hackathon e alguns meses de cursos especializantes conciliados com sua atuação como bibliotecária, Jessyka foi contratada como UX Designer Júnior na Taric, startup da healthtech Zitrus, empresa de tecnologia que desenvolve softwares de gestão para operadoras de planos de saúde. “Para aqueles que querem trocar de área, meu conselho é ter coragem. Sei que é muito difícil dar esse primeiro passo, mas é muito libertador. Hoje, percebo que não perdi meus conhecimentos, eles só estão sendo renovados ou aprimorados”, reforça Jessyka.

Em alguns casos, a transição de carreira pode ser ainda mais brusca, em razão da insatisfação com a valorização na antiga profissão. É o caso de Ana Laura Schaefer Fachini (foto acima),de 24 anos, que também integra a startup Taric. Depois de trabalhar sete anos como professora de educação infantil, resolveu trocar a sala de aula pelos códigos de programação. A motivação para a mudança veio com a frustração com a área na qual atuava, além de muito apoio de diversas pessoas próximas. Então, começou com cursos gratuitos e, em agosto de 2021, iniciou a graduação de Engenharia de Software. Cerca de um mês depois, foi contratada como estagiária na área de desenvolvimento de Front-end, em que atua hoje. “Eu venho de uma carreira na qual eu cheguei a tomar antidepressivos. A área de tecnologia é muito mais valorizada, sem falar no mercado de trabalho, que é cada vez mais amplo e permite o home office“, conta. Com o trabalho remoto, Ana conseguiu mudar-se para uma cidade do interior com pouco mais de 11 mil habitantes.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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