Proteste analisa 53 ofertas de empréstimos

Proteste analisa 53 ofertas de empréstimos

Crédito pessoal pode até resolver os problemas financeiros, mas consumidor precisa ficar atento

Fique atento na hora que optar pelo crédito pessoal e fuja de armadilhas. Use apenas em último caso, e apenas para sair do aperto financeiro, de fato. Mas o brasileiro está enfrentando uma crise econômica, e as ofertas podem se tornar cada vez mais tentadoras diante dos orçamentos familiares apertados. Como mostra a pesquisa realizada pela PROTESTE sobre endividamento — entre os 500 respondentes, 23% acreditaram estar muito endividados e 5% afirmaram estar devendo mais atualmente do que em 2021. Já os que se consideraram pouco endividados representaram 47%. A pesquisa aconteceu em março de 2022, pelo segundo ano consecutivo, entre os moradores das capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Enfim, a Proteste sempre fala sobre a importância da organização financeira. O tema, inclusive, é conteúdo de um dos cursos gratuitos da Escola do Consumo. Mas se, realmente, analisar e concluir que vai precisar recorrer ao crédito pessoal, como escolher a melhor proposta?

“É preciso entender que, ao contratá-lo, o consumidor adquire uma dívida. Além disso, o limite de crédito alto pode até ser tentador, mas é preciso pensar bastante e tomar alguns cuidados para não ser fisgado e cair em armadilhas”, é o que orienta Rodrigo Alexandre, especialista PROTESTE.

Teste de crédito pessoal

A Proteste analisou 53 ofertas de empréstimos, de 14 instituições financeiras, entre bancos e fintechs, e o resultado mostrou que os juros podem ser bem altos. Para a avaliação, foram criados quatro cenários: de R$ 3 mil e R$ 6 mil, com o pagamento sendo efetuado entre 12 e 18 meses. Em todos, foi constatado uma grande variação do Custo Efetivo Total (CET), ultrapassando até 460% ao ano. O CET refere-se às informações de despesas, taxas e custos dos serviços bancários de empréstimos e financiamentos contratados. As conclusões gerais do teste estão na edição de julho (225), na Revista PROTESTE.

Entre os vilões apontados na pesquisa de endividamento estão os cartões de créditos (72%), o desemprego (42%) e o próprio crédito pessoal (36%). “Infelizmente, algumas ofertas, aparentemente irrecusáveis de ‘tão boas’, podem levar os desatentos a se endividar” explica Rodrigo. Por isso, abaixo, listamos algumas ciladas que você pode encontrar no mercado — esteja preparado.

Fique atento às armadilhas do crédito pessoal

Limites elevados

As instituições financeiras costumam procuram seduzir o consumidor com ofertas de crédito com limites elevados, que podem levar o consumidor a contratar um valor maior do que realmente precisa. Por isso, antes de formalizar qualquer solicitação de empréstimo, é preciso fazer as contas e saber qual a exata quantia para sair do aperto financeiro. Feito isso, deve-se solicitar somente o necessário.

Ofertas relâmpagos

Não se pode acreditar precipitadamente em condições de empréstimo que servem somente para aquele momento específico, sendo necessário contratar na hora. Lembre-se: quanto menores as exigências, maiores são as taxas de juros.

Empréstimos nos caixas eletrônicos

A prática serve para seduzir o consumidor ao crédito fácil “com apenas dois cliques”, sem burocracia e filas. Mas essa modalidade pode esconder juros altos. Além disso, não há os esclarecimentos necessários sobre o CET, pois exibem somente o valor das parcelas e o tempo do contrato. E mais: a contratação é fácil, no entanto, se quiser cancelar o empréstimo, o consumidor terá que falar com o gerente do banco, onde será feito de tudo para o convencer a não desistir.

Depósito antecipado ou taxa de liberação de crédito

É golpe! A exigência de um depósito para quem está precisando de um empréstimo não faz sentido. Ainda assim, golpistas se aproveitam do momento de fragilidade do consumidor que se encontra em uma emergência financeira. Nenhuma instituição financeira certificada pelo Banco Central do Brasil (Bacen) cobra taxa ou depósito antecipado para liberar o empréstimo, independentemente se o nome está ou não negativado.

Pesquise o CET

É fundamental fazer uma pesquisa em diversas instituições financeiras, comparar o Custo Efetivo Total (CET) de cada uma e, claro, escolher o menor. O CET informa qual é o valor total do empréstimo, pois ele contém todos os encargos, tributos, taxas e despesas de um crédito pessoal ou financiamento, e é apresentado com um percentual (%) anual.

Leia o contrato

Antes de finalizar a contratação do crédito, é fundamental a leitura cuidadosa do contrato que será assinado e ter conhecimento de todas as condições da operação. No documento, estão todos os dados importantes do empréstimo, como o valor contratado, o número de parcelas, tarifas e o CET. Assim, caso haja cláusulas que o consumidor não concorde ou tenha dúvidas, há a possibilidade de negociar ou pedir esclarecimentos, ou ainda procurar outra instituição que atenda às suas expectativas.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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