Desafios do segundo semestre pedem nova estratégia no varejo

Desafios do segundo semestre pedem nova estratégia no varejo

É preciso começar a investir já em planejamento e organização ao invés de esperar chegar o Natal

O segundo semestre do ano é tradicionalmente conhecido como um período de boas colheitas para o varejo. Após as vendas principalmente durante datas sazonais fortes como Dia das Mães e Dia dos Namorados nos primeiros seis meses do ano, na outra metade do ano o foco maior é direcionado para a reta final, abrangendo Best Friday e Natal.

Até lá, o setor vive períodos mais desafiadores para a alavancagem de vendas e, por ter a característica de evoluir organicamente e “acontecer” quando há movimento nas lojas, muitas vezes o planejamento fica para a última hora, o que acaba prejudicando o desenvolvimento de projetos mais interessantes.

Segundo Camila Salek, especialista em varejo e fundadora da Vimer Retail Merchandising, ao invés de esperar chegar o último trimestre para colocar em prática ideias e ações para turbinar as vendas no fim do ano, o esforço deve começar agora. “O setor precisa atuar de forma mais inteligente e estratégica. Investir em planejamento, de forma antecipada, é fundamental para dar força a essa dinâmica”, aponta.

Para a especialista, a digitalização provoca o varejo a repensar sua forma de atuação. “Quando começamos a trazer mais a inteligência de dados para o varejo, considerando também as lojas físicas como fonte de pesquisa, o setor começa a abandonar a visão unicamente intuitiva, para operar através de uma lógica mais estratégica”, ressalta.

Organização e reflexão

Operar através dessa lógica depende do ponto de vista não somente do calendário de datas, mas também da organização. “Estamos imersos na crescente da aceleração digital. Não podemos dormir no fim do primeiro semestre e acordar na véspera de Natal, organizar um excelente calendário comercial e antecipar ativações como o Natal são fatores determinantes para marcas varejistas”, afirma Camila.

O momento, de acordo com a fundadora da Vimer, é de fazer reflexões importantes para ajudar no planejamento das próximas ações. “´É importante fazer perguntas como onde estamos, onde queremos chegar até o fim do ano e o que precisamos fazer para bater metas, de forma mais equilibrada, para ter melhores resultados sem precisar de alguns poucos dias para responder praticamente pelo semestre inteiro. Este modelo se torna cada vez mais insustentável”, aconselha.

O mais do mesmo está longe de dar bons resultados. “O varejo precisa se antecipar para ter ações mais relevantes e inovadoras para o consumidor, o que exige investimento não somente financeiro, mas de tempo também. Sem isso, muitas vezes a saída é operar o piloto automático e fazer mais do mesmo, não vai trazer os novos resultados esperados”, enfatiza.

Relacionamento é tudo

Um dos pontos altos que a digitalização trouxe para o varejo é a construção do relacionamento com o consumidor. Mas o que isso tem a ver com o planejamento? Segundo Camila, isso não acontece somente em uma data sazonal, como o Natal. “A gente precisa entender a construção do relacionamento com o consumidor como uma constante, que pode ganhar novos passos justamente em momentos que chamo de ‘vales’, quando não estamos em meio a grandes sazonalidades. Se o varejo quer vender melhor nos ‘picos’, como nas datas comemorativas do fim do ano, precisa manter o diálogo com os seus clientes, explorando essa ligação além das datas sazonais”, analisa.

Ao trabalhar esse contato constante com o consumidor é possível ter acesso a uma quantidade cada vez maior de dados que permitem desenvolver ofertas cada vez mais assertivas. “Quando essas datas de pico acontecem temos um potencial de venda grande, porém é um período em que o consumidor está sendo bombardeado por comunicações em cima da mesma temática, sem um relacionamento é preciso maiores investimentos para competir “, destaca a especialista.

Um final de ano cheio de desafios

Particularmente em 2022, o setor varejista vai viver um período desafiador. Além do tempo acelerado, vão ocorrer eventos que podem impactar o fluxo de vendas para alguns segmentos: a Copa do Mundo e as eleições. Fora isso, existem ainda condições macroeconômicas de fundo que podem desacelerar ainda mais a atividade, como inflação e taxa de juros nas alturas — que deve subir mais nos próximos meses.

Com esse cenário, Salek reforça a importância do planejamento e do relacionamento. “Não dá realmente para esperar a maré subir para tomar decisões. É preciso começar agora a criar ações e movimentar estratégias de impacto. O melhor dia para começar é hoje”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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