Remuneração de longo prazo nos Conselhos de Administração dobrou desde 2014

A remuneração dos Conselhos de Administração vem passando por diversas evoluções ao longo dos anos. Uma grande tendência no mercado é a remuneração de longo prazo, que vem ganhando espaço segundo dados do Estudo de Conselhos de Administração 2021, feito pela Korn Ferry, empresa global de consultoria organizacional. A concessão deste tipo de benefício dobrou desde que o estudo começou a ser feito, passando de 10% em 2014 para 20% em 2021. Enquanto isso, a remuneração de curto prazo, prática pouco utilizada no mercado, passou de 7% em 2014 para 5% no ano passado.
Dentre as empresas que oferecem remuneração de longo prazo, 71% pagam concedendo ações, destas 93% são ações restritas. Este tipo de remuneração tem um grande potencial e é uma aposta para muitas empresas, como explica o sócio sênior e líder de remuneração e benefícios na América do Sul da Korn Ferry, Marco Santana.
“Hoje tem um grupo muito importante de empresas, principalmente de capital aberto, olhando para este tema e considerando adotar este programa. Podemos notar que isso já vem ganhando força, já que o percentual de companhias que oferecem este benefício subiu. Se observamos o cenário fora do Brasil, no mercado americano praticamente todas as empresas praticam a remuneração de longo prazo, já na Europa pouquíssimas ou quase nenhuma empresa adota essa prática”, ressaltou.
A pesquisa também avaliou as características das empresas que possuem remuneração de longo prazo. Se consideramos por listagem, 57% das listadas apenas no Brasil concedem esta remuneração, já as listadas no país e também fora são 33%, enquanto nas empresas listadas como Fechada 10% oferecem o benefício. Em relação ao setor, 24% das companhias de bens de consumo oferecem o benefício, enquanto no varejo são 19%, em tecnologia/comunicação e indústria o total é de 14%, no setor financeiro e de serviços a porcentagem é de 10%. Por nível de governança, as empresas do Novo Mercado são as que mais oferecem remuneração de longo prazo (67%).
No gráfico abaixo é possível visualizar como são os planos de remuneração de longo prazo das empresas para os conselhos.
Além disso, o Estudo de Conselhos de Administração aponta ainda que a remuneração de longo prazo é paga apenas para o presidente do conselho em 33%, outros 33% pagam apenas para alguns membros específicos e outros 33% para o conselho como um todo. Apenas 10% das empresas que concedem o benefício atrelam o pagamento a performance.
Os dados da Korn Ferry também mostram que a remuneração de longo prazo representa 50% da remuneração do presidente do conselho, 44% do que é pago ao vice-presidente e 43% do pagamento dos conselheiros.
“O mercado tem uma preocupação de que o conselheiro mantenha a sua independência e o foco no médio e longo prazo. O acionista quer o alinhamento do conselheiro, a estratégia da empresa e do que os executivos estão executando. Já os conselheiros tenho visto como muito abertos e propensos a ter parte de suas remunerações em ações, mas muitos conselhos ainda estão receosos e não evoluíram nos debates sobre o tema por algum tipo de constrangimento de propor uma remuneração diferenciada para si. A grande chave para o funcionamento desse tipo de programa é a modelagem, que deve ser muito bem estruturada”, finalizou Santana.








