Brincadeira de Criança pesa no bolso dos pais e consumidor pode pagar mais de 70% de tributos

Brincadeira de Criança pesa no bolso dos pais e consumidor pode pagar mais de 70% de tributos

Não tem como falar do Dia das Crianças sem mencionar brinquedos e outros presentes. Mas a brincadeira vai deixar os pais de cabelo em pé, isso porque a carga tributária incidente sobre os produtos continua muito alta, principalmente os aparelhos eletrônicos e artigos importados, que são itens muito procurados nesta época do ano, como é o caso videogame, que é o campeão dos impostos. Se este for o presente escolhido para o seu filho, saiba que os tributos representam 72,18% do preço vão para os cofres dos governos federal, estadual e municipal.

Mesmo a lista dos presentes mais comuns para o Dia das Crianças incluiu uma alta tributação, como: smartphone importado, 68,76%; tênis importado, 58,59%; patins com 52,78%; bola de futebol, 46,49% e brinquedos em geral, 39,70%, que pesam no bolso do consumidor na hora de escolher o presente, é o que mostram os dados na tabela de tributos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Não é novidade que a carga tributária brasileira é elevada e que o sistema de tributação é complexo. De acordo com o advogado, Pedro Henrique Chrismann, sócio do Vergueiro Advogados Associados, a taxa de encargos se agrava por causa da tributação indireta, ou seja, da incidência de tributos em efeito cascata que acaba onerando a cadeia produtiva desses equipamentos.

“Todo esse custo acaba sendo repassado no preço ao consumidor final – é o que se chama repercussão tributária. Para entender esse efeito dominó, basta ter em conta a incidência do imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços, PIS/COFINS, entre outros”.

Recentemente o Governo reduziu o imposto de importação para celulares, computadores e videogames, em alguns casos, foi possível ver uma redução real no preço, mas em sua maior parte, dado o cenário econômico desfavorável, o contribuinte não pôde sentir efetivamente o impacto das medidas no bolso.

Chrismann fala que é importante registrar que, embora o Governo venha reduzindo as alíquotas do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, nos eletrônicos incidem ainda outros tributos que não sofreram redução, como o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, de competência dos Estados.

“A Reforma Tributária é urgente principalmente para simplificar, trazer transparência às relações e custos tributários, trazer mais justiça e atacar o problema das desigualdades sociais, mas a maioria dos projetos não visam diretamente a redução dos valores cobrados à título de tributos, mesmo porque isso significaria uma redução na arrecadação dos entes federativos sem uma igual redução nos custos públicos”, afirma.
No segundo semestre, temos uma concentração de datas importantes para o varejo, além das vendas, existe uma preocupação dos varejistas em relação as demandas fiscais e a operacionalização dos processos devido a esse aumento de vendas. Yvon Gaillard, economista e sócio fundador da Dootax, startup pioneira na otimização das rotinas fiscais, diz que esse é um período de alerta, principalmente para aquelas empresas que ainda tem processos manuais de faturamento de pagamento, impostos, e controle de entrada e saída de mercadorias.

“Tendo em vista o momento econômico delicado, a alta da inflação que impacta diretamente no varejo e nos presentes que serão escolhidos nessas datas, descuidar das rotinas fiscais, atrapalha uma melhor performance dos lojistas, já que qualquer falha acaba resultando em multas e juros, podendo até eventualmente ocorrer algum bloqueio judicial, que impacta diretamente no caixa e no resultado da empresa”, assegura Yvon.
Por fim, Pedro comenta que quando estamos falando de tributação que repercute na cadeia de consumo de bens e serviços, o contribuinte, ou seja, o consumidor final não tem muito o que fazer. “Talvez buscar um produto importado similar ou, simplesmente, não comprar, pois com a alta do dólar a opção de compras no exterior deixou de ser atrativa”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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