Consumidor deve estar atento a onda da “reduflação”

Informação sobre a redução no peso ou volume do produto deve ser especificada na embalagem de forma clara

Preços cada vez mais altos e produtos cada vez menores. O consumidor que antes tinha o hábito de realizar compras mensais nos hipermercados, agora se vê diante da pressão inflacionária de ir quase que diariamente, aguardando promoções, dias especiais ou mesmo a moda de “produtos perto do vencimento” que são vendidos com descontos de até 60%.

Mas uma estratégia utilizada pelas indústrias para não ter que repassar diretamente o aumento de custos para o consumidor, tem sido o de reduzir o tamanho ou o volume das embalagens, o que chamamos de “reduflação”. É comum o consumidor na hora da compra ir direto na lista de produtos que ele está acostumado a comprar, mas cuidado, às vezes o produto diminuiu de tamanho ou de volume e a informação da redução está em letras minúsculas no canto da embalagem.

Para Fernando Lamounier, diretor de novos negócios da Multimarcas Consórcios “existe um grande risco das empresas que optam por fazer essa estratégia sem deixar claro que está sendo feito, podendo fazer com que o consumidor se sinta enganado, já que historicamente ele vinha comprando um produto com um determinado preço e de repente, sem nenhum aviso ou informação, esse preço cai. Isso se torna um risco de imagem e reputação que deve ser considerado pelas empresas”, explica.

Itens considerados “supérfluos” são os que mais sofrem impacto da reduflação como: sabonete, caixas de cereal, suco em pó, sabão em pó, sachê de molho de tomate, barras de chocolate, pacotes de balas, entre outros e que muitas vezes passam despercebidos e acabam dentro do carrinho do consumidor.

A inflação traz o menor poder de compra para a população, então as empresas devem considerar se vão posicionar esse produto para um público diferente, de mais alta renda com uma escala menor mas uma margem maior, ou se vai utilizar a estratégia de diminuir o tamanho do produto e manter os preços estáveis, para conseguir uma parcela igual ao que a empresa tinha anteriormente. Assim se mantém o preço, o acesso à população que continua consumindo aquele produto em níveis menores, porque nos casos demonstrados a gramatura foi consideravelmente menor, mas terá acesso ao produto”, explica Lamounier.

O mesmo tem que estar atento ao preço, quantidade e qualidade dos produtos ofertados. Hipermercados e atacadistas que possuem marcas próprias acabam sendo uma ótima opção de compra.

Hoje, chega a ser difícil encontrar um produto que tenha o ingrediente e quantidade que aparenta na figura da embalagem, sendo assim, a empresa não viola a norma, mas acaba confundindo o consumidor e isso é previsto como prática abusiva de mercado, como consta no Código de Defesa do Direito do Consumidor no artigo 31 – “toda informação ou publicidade importante veiculada por qualquer meio de comunicação obriga o fornecedor a mostrar de forma clara as alterações ao público”.

É necessário relembrar que ninguém gostaria de estar vivendo o contexto econômico de hoje, e a saída é reagir e evitar essas armadilhas, sem que seja necessário cortar esses insumos da rotina. ”, finaliza o especialista.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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