Greve de auditores fiscais e conflitos internacionais podem prejudicar a Balança Comercial brasileira

Greve de auditores fiscais e conflitos internacionais podem prejudicar a Balança Comercial brasileira

Um dos principais impactados será o setor do agronegócio, que também enfrenta temporais nas últimas semanas

Com o ano se encerrando, novos desafios surgem para os empresários que investem no mercado exterior. Em um cenário de incertezas, segmentos que fortalecem a balança comercial brasileira, como o agronegócio, precisam estar atentos aos novos desafios. Dentre os pontos principais de observação estão a greve dos auditores fiscais da Receita, o conflito militar na Ucrânia e o processo eleitoral brasileiro.

Os dados mais recentes da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia apontam que, até a terceira semana do mês de setembro, o país alcançou a marca de US$ 13,33 bilhões em importações esse ano, um crescimento de 27,4% em comparação ao ano de 2021. A balança comercial cresceu 59,4% no ano.

Porém, ainda é necessário cautela com o mercado internacional. Os dados da Efficienza, empresa especializada na assessoria para o comércio exterior, apontam que o tempo de desembaraço no aeroporto de Guarulhos, teve um aumento de 853% no comparativo entre 2022 e 2021. Esse cenário segue em outros locais, em Santos o acréscimo foi de 150%, no porto de Paranaguá o aumento chegou a 300%. Esses números têm um motivo: a greve dos auditores fiscais da Receita Federal. O diretor da empresa, Fábio Pizzamiglio, aponta que essa é uma questão que precisa ser observada com muita atenção.

“Além da greve, vivemos, neste segundo semestre, um cenário de incertezas. Esse momento surge com alguns fatores, como o processo eleitoral brasileiro, que ainda não tem uma definição de políticas para o comércio exterior no próximo ano, e também com fatores externos, como é a questão da Guerra da Ucrânia, que permanece delicada”, afirma o diretor.

Além disso, o setor do agronegócio precisa estar atento a outros aspectos, como é o caso das chuvas. “Tivemos registros de chuvas fortes que impactaram a região do Sul de Minas Gerais. Outras regiões permanecem com alerta laranja para temporais, como no interior do Estado de São Paulo. Estes temporais podem ocasionar perdas na produção agrícola que afetam todo o país”, afirma Pizzamiglio.

Além de São Paulo e Minas Gerais, outros estados produtores também apresentam possibilidade de temporais, como é o caso do Mato Grosso do Sul. “Todo o impacto da produção nacional também deve ser observado, pois isso poderá contribuir de forma negativa para a nossa balança comercial. Principalmente porque além da produção perdida em várias regiões, também temos problemas internacionais, como o valor de contêineres, atrasos e demora do setor fiscal”, explica o executivo.

Outro aspecto importante para a produção brasileira continuar tendo um retrospecto positivo na balança comercial está nos fertilizantes e defensivos agrícolas, que dependem da importação. Fábio explica que o Brasil conseguiu contornar a situação em vários aspectos, mas ainda é preciso estar atento ao cenário internacional.

A empresa responsável pela administração do Terminal de Contêineres de Paranaguá divulgou um aumento significativo da importação dos defensivos agrícolas em 2022, quando comparamos com o ano anterior, no total, houve um aumento de 95%. Para Pizzamiglio, esse aumento está atrelado a ações do Governo Federal.

“Esse movimento pode ser explicado com a liberação de novos defensivos para o setor no Brasil. O aumento poderia ser ainda maior, se não tivéssemos alguns entraves internacionais, que aumentam, até mesmo, no valor dos insumos”, declara.

Além disso, Pizzamiglio ainda reafirma a necessidade de normalização nos processos fiscais do país. “É um desafio para a próxima gestão, independentemente dos resultados das urnas. Temos assuntos que precisam ser resolvidos de forma imediata, para que a importação e a exportação do Brasil não seja prejudicada, principalmente para o agronegócio”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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