10 dicas para tornar sua empresa menos abusiva em 2023

10 dicas para tornar sua empresa menos abusiva em 2023

O estresse excessivo no ambiente de trabalho afeta centenas de trabalhadores e merece atenção das empresas. Esses sintomas já são conhecidos pela Organização Mundial da Saúde como Síndrome de Burnout, onde é preciso procurar formas de implementar medidas no ambiente de trabalho tanto para evitá-la quanto para ajudar a tratá-la. Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa realizada pelo Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, os casos de burnout apresentaram um aumento expressivo durante a pandemia.

De acordo com a Mentora de Feminismo e Inclusão Mayra Cardozo, especialista em Direitos Humanos, as empresas estão sendo reconhecidas pelo potencial de não violarem a lei e os direitos humanos. “Mas também é preciso implementar uma política com um impacto transformador na sociedade, mudanças transformadoras. Antes, as empresas tinham um papel mais passivo em somente respeitar leis, e agora elas têm posturas mais ativas de implementar uma missão de proteção de direitos humanos para construir uma sociedade melhor”, explica.

Para a psicóloga Vanessa Gebrim, um ambiente de trabalho humanizado reúne condições dignas, confortáveis e, na medida do possível, divertidas para aliviar o estresse e a pressão por resultados. “A humanização é primordial para ajudar a prevenir o adoecimento devido ao estresse, sobrecarga, assédio moral, metas inatingíveis, cobrança excessiva e clima pesado. Para tanto, colaboradores de todos os setores devem ter espaço para se expressar, sugerir melhorias e dar feedbacks. A humanização melhora o clima organizacional, reduz o “turnover” nas empresas, contribui para a retenção de talentos,  diminui o absenteísmo e presenteísmo (quando o colaborador está na empresa mas é incapaz de desempenhar suas tarefas) e melhora a produtividade e eficiência como um todo”, complementa.

Abaixo, as especialistas listam dicas para tornar a empresa menos abusiva em 2022:

Comunicação inclusiva: “Uma das maneiras das empresas terem essa abordagem menos abusiva é se atentar para a sua comunicação, essa é uma forma que o ser humano tem de expressar os seus sentimentos. Quando essa comunicação é abusiva e ignora certas identidades, ela acaba não reconhecendo que algumas pessoas existem, ou não dando direito dessas pessoas existirem dentro da corporação. Uma empresa pode ter vários danos quando não atua com esse tipo de comunicação, ou quando ela não está atenta a questões de diversidade e inclusão”, comenta Mayra Cardozo.

“Outro sinal é a falta de comunicação, as orientações equivocadas sobre tarefas a serem realizadas e até a falta de feedbacks e a ausência de diálogo na troca de informações”, diz Vanessa.

Treinamento de funcionários: “O colaborador precisa estar alinhado à política da empresa. Podemos citar como exemplo o caso da Zara, que usava código racista como sinal de alerta para impedir a entrada de negros na loja. A empresa precisa ter treinamentos para funcionários e políticas bem claras de que práticas discriminatórias são inaceitáveis. Treinamentos para evitar assédio, programas que incentivem os colaboradores a serem mais diversos, por meio de política de quotas, mas como um ambiente inclusivo, que todos se sintam parte da corporação também são práticas importantes. Precisa alcançar inclusão”, complementa Mayra.

Qualidade de vida aos colaboradores: “É preciso que a empresa ofereça um ambiente adequado, com atividades físicas, horários flexíveis, um bom clima para se trabalhar, uma cultura para celebrar as vitórias, conquistas, datas comemorativas e o investimento em programas de saúde,  incluindo a saúde mental. Quando ela deixa de promover o bem-estar, pode prejudicar a qualidade de vida de um colaborador. Por isso, além de se atentar ao básico, é necessário enxergar as necessidades dos indivíduos. Além disso, um estudo da universidade de Warwick, no Reino Unido, confirma que colaboradores mais felizes e autoconfiantes são 12% mais produtivos. E para ter funcionários satisfeitos é preciso investir em um dia-a-dia que preze pela qualidade de vida e bem estar”, explica Vanessa Gebrim.

Respeitar o horário de descanso: “Outro fator é a falta de descanso, pois alguns líderes acabam não respeitando os horários de descanso e de lazer de seus colaboradores. A ausência de ferramentas adequadas para a execução também é um fator prejudicial, assim como a falta de treinamento adequado e o assédio moral ou sexual”, complementa Vanessa.

Consolidar projetos no intuito de trazer mais diversidade: “O colaborador pode ser mais inclusivo através da comunicação, não deixando as mulheres serem interrompidas durante as reuniões, coisas mais individuais nas posturas. Mas é muito difícil um colaborador que está abaixo da pirâmide, ele transformar toda uma organização. Quando falamos de política, diversidade e inclusão, ela tem que vir de top down, respaldada a nível de CEO para baixo, não de baixo para cima. O colaborador pode implementar posturas inclusivas mas não tem o poder de mudar a organização. Muitas vezes a sinalização dos abusos depende muito do tamanho da empresa. As empresas brasileiras ainda não perceberam o quanto é importante investir em justiça social, porque hoje o consumidor compra a marca”, conclui Mayra Cardozo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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