Empréstimo pessoal: valor médio solicitado em 2022 é quase o salário mínimo ideal

Empréstimo pessoal: valor médio solicitado em 2022 é quase o salário mínimo ideal

Principal razão para as solicitações de empréstimo é o pagamento de dívidas

Com ou sem aumento real, o salário mínimo brasileiro está longe de suprir o necessário para o sustento de uma família. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo atualmente deveria ser de R$ 6.458,86 para atender despesas como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O valor é 5,2 vezes maior que o piso federal atual, de R$ 1.212.

Mesmo se corrigido acima da inflação seguindo a regra antiga de reajuste, que soma o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) do ano anterior ao Produto Interno Bruto (PIB) do ano retrasado, o valor do salário mínimo não chegaria ao ideal necessário para as famílias brasileiras.

Como o PIB de 2020 foi negativo (-4,1%), digamos que o crescimento deste ano fosse o mesmo registrado em 2010, de 7,5% de avanço (maior PIB da década). Este valor mais o IPCA registrado em 2021 de 10,16%, garantiria um aumento de 17.66% no salário mínimo, que passaria a ser R$ 1.294,26.

A última edição do Índice FinanZero de Empréstimos (IFE) revelou que o salário mínimo ideal não fica tão distante da média do valor dos empréstimos solicitados pelos brasileiros em 2022, de R$ 6,8 mil.

Para quitar este montante, comprometendo 30% da renda, os brasileiros que se sustentam com o salário mínimo atual passam, no mínimo, 18 meses para quitar um empréstimo. Com um salário mínimo ideal, esse tempo seria de 4 meses.

Dívidas constantes

Seja por falta de renda suficiente ou não, a maioria dos solicitantes de empréstimo segue com o objetivo de pagar dívidas. Cerca de 34% das solicitações de outubro, em 25 estados brasileiros foram para este fim, com exceção de Alagoas e do Amapá. Este número ficou de acordo com o crescimento no número de inadimplentes no Brasil, que no décimo mês do ano atingiu um novo ápice.

Quatro em cada dez brasileiros adultos (40,05%) estavam negativados em outubro deste ano, o que equivale a 64,87 milhões de pessoas, um novo recorde para a série histórica iniciada há oito anos. Esses são os números mais recentes divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Diante deste cenário nacional, outros motivos para pedidos de empréstimo se tornaram coadjuvantes. O segundo mais popular, a abertura de um negócio próprio, tem menos da metade dos solicitantes que pretendem pagar dívidas (15,4%) e renovação da casa, representando 14,5% dos pedidos.

Atividades de lazer e cuidado pessoal representam uma parcela menos expressiva dos pedidos. Viagens e festas, por exemplo, foram listados por 1% cada como motivo das solicitações. Estética e saúde, por sua vez, ficaram com 0,4% e 7,2% respectivamente das solicitações.

Pouco mais da metade de todos os pedidos vem de trabalhadores CLT’s. Além disso, a média das solicitações são de pessoas que ganham até 2,9 salários mínimos. E uma parcela ainda maior dos solicitantes (77%), não possuem ensino superior.

Para Rodrigo Cezaretto, diretor operacional da FinanZero o mercado de crédito teve que se reinventar com base na insuficiência da renda, para tornar possível atender quem vive com pouco. “A pessoa que recebe 1 mil por mês teria muita dificuldade de pagar uma dívida em quatro parcelas. As estatísticas de solicitações nos mostram que essa não é uma faixa de renda viável para que os motivos de empréstimos deixem de ser dívidas e abram espaço a outros, como educação ou saúde”, avalia.

Brasil têm o 2ª pior salário mínimo da OCDE

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e World Bank colocam o Brasil como o segundo país com o salário mínimo mais baixo dentre os 31 países membros da organização, pagando US$ 2,2 por hora , atrás apenas do México (US$ 1,6).

O levantamento utiliza o dólar como moeda-base, e os salários foram ajustados pela paridade do poder de compra (PPC).

O país que libera o ranking é europeu: Luxemburgo que possui um salário mínimo médio de US$ 13,4 por hora, seguido pela Austrália, com US$ 12,8 por hora, e França, com US$ 12,2. Na América Latina, o Brasil ficou atrás do Chile e Colômbia, que pagam US$ 3,6/h e US$ 2,8/h respectivamente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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