Exportações de calçados desaceleram em outubro

Exportações de calçados desaceleram em outubro

Depois de oito meses consecutivos de altas em relação a 2021, as exportações de calçados caíram, em pares, pelo segundo mês consecutivo. Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, em outubro, foram embarcados ao exterior 11,23 milhões de pares, que geraram US$ 114 milhões, queda de 12,7% em volume e incremento de 21,4% em receita em relação ao mesmo mês do ano passado. Em setembro, as exportações, em pares, já haviam caído 6%, o que aponta para uma desaceleração no mercado internacional. No acumulado dos dez meses o saldo ainda é positivo.

Entre janeiro e outubro, os calçadistas somam o embarque de 119 milhões de pares por US$ 1,1 bilhão, incrementos tanto em volume (+20,2%) quanto em receita (+55%) em relação ao mesmo período do ano passado. Em relação ao nível pré-pandemia, o setor acumula crescimentos de 35% e 24%, respectivamente, em valor e volume.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que o revés em volume nos dois últimos meses é reflexo do desaquecimento da economia mundial. “Conforme o FMI, mais de um terço da economia global vai se contrair este ano ou no próximo, enquanto as três maiores economias – Estados Unidos, a União Europeia e a China – continuarão a desacelerar. Certamente teremos impacto no setor de calçados”, comenta.

Segundo o dirigente, no mês de outubro os Estados Unidos importaram 44% menos calçados brasileiros no comparativo com o mesmo mês de 2021. Outro fator que explica a queda dos embarques é a Argentina, segundo principal destino do calçado brasileiro no exterior. Em crise e com inflação elevada, o país vizinho importou 36% menos calçados brasileiros no mês de outubro, em relação ao mesmo mês do ano passado.

Destinos

Entre janeiro e outubro, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foi os Estados Unidos, para onde foram embarcados 16,24 milhões de pares que geraram US$ 296 milhões, incrementos tanto em volume (+38,2%) quanto em receita (+66,6%) em relação ao mesmo período do ano passado.

O segundo principal destino do calçado verde-amarelo no exterior foi a Argentina. Entre janeiro e outubro, foram exportados para lá 14,34 milhões de pares, que geraram US$ 157,64 milhões, altas tanto em volume (+33,2%) quanto em receita (+70,6%) em relação ao mesmo ínterim de 2021.

A França aparece como o terceiro destino do calçado brasileiro no mercado internacional. Nos dez meses do ano, os franceses importaram 5,54 milhões de pares verde-amarelos por US$ 54 milhões, queda de 10,2% em volume e alta de 7,3% em receita no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Estados

O principal exportador de calçados do Brasil é o Rio Grande do Sul. Entre janeiro e outubro, partiram das fábricas gaúchas rumo ao exterior 36,57 milhões de pares, que geraram US$ 520,6 milhões, aumentos de 42% e de 64,3%, respectivamente, ante o mesmo período do ano passado.

O segundo exportador do País no período foi o Ceará, que registrou o embarque de 34,78 milhões de pares que geraram US$ 227,8 milhões, incrementos de 16% em volume e de 36,6% em receita no comparativo com o mesmo período de 2021.

Na terceira posição entre os exportadores de calçados aparece São Paulo. Entre janeiro e outubro, partiram das fábricas paulistas 9 milhões de pares por US$ 117,8 milhões, incrementos tanto em volume (+32%) quanto em receita (+57%) ante o mesmo intervalo do ano passado.

Minas Gerais apareceu na quarta posição entre os exportadores de calçados, com incrementos tanto em volume (+28,2%) quanto em receita (+77%) em relação ao mesmo período do ano passado. Nos dez meses, as fábricas mineiras embarcaram 10,9 milhões de pares, que geraram US$ 70,5 milhões.

Importações em elevação puxadas pelos asiáticos

Ao mesmo tempo em que as exportações de calçados apontam para uma desaceleração, as importações do setor estão em elevação. Puxadas pelos países asiáticos – Vietnã, Indonésia e China -, que respondem por quase 85% do total importado em calçados pelo Brasil, no mês de outubro as importações somaram 1,63 milhão de pares por US$ 33 milhões, elevação de 54% em volume e de 95,3% em receita na relação com outubro de 2021. Principal origem do calçado importado, o Vietnã exportou 80% mais calçados para o Brasil no comparativo com outubro passado, enquanto a Indonésia exportou 83% mais e a China 34%.

No acumulado dos dez meses do ano, as importações de calçados somaram 22 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 304,4 milhões, altas tanto em volume (+25%) quanto em receita (+21%) em relação ao mesmo intervalo do ano passado. No período, a principal origem do calçado importado foi o Vietnã (6,7 milhões de pares e US$ 141,84 milhões, queda de 5,3% em volume e alta de 3% em receita na relação com o mesmo intervalo de 2021). Na sequência, aparecem como principais origens do calçado importado pelo Brasil a Indonésia (2,57 milhões de pares e US$ 52 milhões, altas de 17% e 25,3%, respectivamente) e China (9,2 milhões de pares e US$ 43,4 milhões, incrementos de 52,2% e 48,4%, respectivamente).

Em partes para calçados – cabedais, saltos, solados, palmilhas etc -, as importações dos dez meses do ano somaram US$ 24 milhões, 13% mais do que no mesmo intervalo do ano passado. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *