Para brasileiros, trabalhar no formato híbrido é tão importante quanto salário

Para brasileiros, trabalhar no formato híbrido é tão importante quanto salário

A modalidade de trabalho híbrido tem se mostrado a grande aposta do mercado de trabalho. Isso é comprovado por diversas pesquisas realizadas em 2022. Uma delas do Google Workspace em parceria com a consultoria IDC Brasil, mostrou que 56% das organizações atuam com o formato híbrido atualmente. Nesse estudo, 58% das pessoas disseram se sentir muito produtiva no híbrido. Outra pesquisa, da WeWork (rede global de coworkings) em parceria com a Page Outsourcing – com foco em modelos de trabalho na América Latina – contemplando Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e México, revelou que 82% dos profissionais se dizem mais felizes e saudáveis com o trabalho híbrido.

Além disso, para 73% dos brasileiros, o modelo de trabalho é o segundo ponto com maior relevância, atrás apenas do salário. A especialista em produtividade, Tathiane Deândhela explica que a adoção da modalidade híbrida pode impactar fatores como lucratividade, produtividade e rotatividade nas empresas. Já Rafael Pereira, sócio fundador, de uma empresa que presta consultoria em programação low-code, relata como tem sido os 7 anos de experiência no modelo híbrido.

“Uma pesquisa da Gallup, que é uma empresa de pesquisas de opinião dos Estados Unidos, mostrou que empresas que migraram para o formato híbrido melhoraram os principais resultados de negócios. Houve um aumento de 22% na lucratividade, por exemplo. Foi observado também que a rotatividade é 65% menor em empresas que adotam o modelo híbrido. E tudo isso também gera impacto direto na produtividade, que nessa pesquisa foi revelado que este modelo de trabalho é cerca de 21% maior. Tudo isso em comparação a empresas que não adotam o modelo. Isso reforça que os trabalhadores estão cada vez mais focados em ter mais equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Isso é tão significativo, que a pesquisa da WeWork mostrou que 75% dos funcionários abririam mão de pelo menos um benefício ou vantagem, no local de trabalho, pela liberdade de escolher seu ambiente de trabalho”, conta Tathiane Deândhela.

Segundo a especialista em produtividade, quando a pesquisa leva em conta a opinião de líderes e colaboradores, sobre os benefícios do trabalho híbrido, os aspectos também são interessantes. “A grande maioria dos funcionários e dos executivos concordam que há pelo menos um benefício o trabalho híbrido. Para 49% dos líderes o formato híbrido melhora a produtividade. Para 48% dos funcionários esse modelo é menos estressante.

De maneira geral entre os líderes, as vantagens do híbrido também incluem flexibilidade e maior envolvimento dos funcionários. Entre os funcionários, o melhor equilíbrio entre vida pessoal e pro­fissional é o benefício que está em primeiro lugar. Um ponto de atenção sobre o híbrido é que colaboradores relataram sobre a falta de supervisão como uma desvantagem. Já os executivos apontam sobre o gerenciamento dos funcionários e diminuição da produtividade devido às distrações que podem ocorrer fora do ambiente da empresa. Para gerenciar isso é preciso perguntar aos membros de sua equipe o que está funcionando, o que não está. Ou seja, diálogo é a chave”, pondera Tathiane.

Na Digital Alchimia, empresa que presta consultoria em programação low-code, o diálogo com os colaboradores sempre foi uma ferramenta para adequar o formato de trabalho. Rafael Pereira, sócio fundador da empresa, explica que são 20 colaboradores que trabalham no formato híbrido há 7 anos. De maneira geral eles utilizam espaços fixos de coworking para os encontros presenciais, que tem como objetivo ser um momento de interação e de identificar em conversas “olho no olho” o que pode estar acontecendo para que os funcionários estejam insatisfeitos ou não sendo produtivos.

“No quesito produtividade, como sempre atuamos no formato híbrido, um momento que mais tivemos receio foi na pandemia, por que era um cenário de incertezas, que deixou todo mundo de forma geral abalado. Nesse momento ficamos home office, mas acompanhando nossos colaboradores nessas incertezas. Depois voltamos ao formato híbrido, com cerca de 10% dos funcionários nesse modelo, sempre tentando achar um equilíbrio para promover satisfação dos colaboradores e consequentemente gerar produtividade. Nesses formatos de trabalho, híbrido e remoto, acredito que o grande desafio para os gestores seja o monitoramento da rotina de trabalho das pessoas. Mas, é uma relação de confiança no seu time, e de ver que os colaboradores estão performando positivamente. O benefício do formato híbrido é que você consegue aqueles momentos de encontro presencial onde você pode conversar com os colaboradores, identificar insatisfações, mas também conversar com a pessoa, entender o que pode estar afetando a performance dela. Antes, minha visão como empresário é que seria um desafio grande gerir uma empresa em formato híbrido ou remoto. Achava que precisaria de um espaço físico 100% do tempo. De modo geral, com o tempo o mercado corporativo foi aprendendo como o híbrido ia funcionar. Acredito que ainda há vários pontos a serem ajustados, mas esse é um formato promissor”, finaliza Rafael.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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