Empresas usam People Analytics para prever demissões e evitar burnout antes da crise

Empresas usam People Analytics para prever demissões e evitar burnout antes da crise

Com apoio de inteligência artificial e análise de comportamento, empresas começam a usar ferramenta para identificar sinais de desgaste emocional

Por muito tempo, o RH atuou de forma reativa: o pedido de demissão chegava, a produtividade caía ou um afastamento por saúde mental acontecia e, só então, começava a investigação sobre o que havia dado errado. Agora, com o avanço de ferramentas de People Analytics e inteligência artificial, grandes empresas estão mudando essa lógica e tentando prever comportamentos antes que eles se transformem em problema.

A tendência ganhou força nos últimos dois anos impulsionada pelo aumento dos casos de burnout, pela pressão por produtividade e pelo crescimento do turnover em setores estratégicos. Segundo dados recentes da Gallup, funcionários desengajados têm maior probabilidade de procurar novas oportunidades, enquanto equipes com baixo bem-estar apresentam impacto direto em produtividade, inovação e retenção. Já levantamentos da Deloitte mostram que saúde mental e retenção seguem entre as maiores preocupações dos líderes de RH em 2026.

Assim, as empresas passaram a investir em modelos preditivos capazes de cruzar indicadores como absenteísmo, excesso de horas extras, queda de performance, tempo sem promoção, baixa participação em reuniões, feedbacks negativos e até mudanças bruscas de comportamento digital dentro das plataformas corporativas. A proposta não é vigiar colaboradores, mas identificar padrões que indiquem risco de desligamento ou esgotamento emocional.

Para Tiago Santos, VP da Sesame, o movimento representa uma transformação profunda no papel estratégico do RH.

“As empresas perceberam que esperar o pedido de demissão chegar é caro demais. Hoje, People Analytics deixou de ser apenas uma ferramenta de acompanhamento de indicadores e passou a funcionar como um radar de risco organizacional”, afirma Santos.

Segundo o executivo da Sesame, a maturidade das plataformas de gestão também elevou o nível das análises. “O RH moderno já consegue identificar sinais silenciosos que antecedem crises. Muitas vezes, o burnout não começa com um afastamento, mas com pequenas mudanças de comportamento, perda de engajamento, excesso de jornada ou sensação de estagnação profissional”, diz.

O avanço desse tipo de monitoramento acompanha uma mudança global no mercado de trabalho. Após anos em que benefícios tradicionais eram suficientes para retenção, empresas passaram a perceber que flexibilidade, saúde emocional, liderança e qualidade da experiência do colaborador têm peso crescente nas decisões de permanência. O próprio conceito de produtividade também começou a ser revisado diante do aumento dos afastamentos relacionados à saúde mental.

Atualização da NR-1

No Brasil, a discussão ganhou ainda mais força após a atualização da NR-1, que ampliou a atenção das empresas para riscos psicossociais dentro do ambiente corporativo. A tendência é que indicadores ligados à saúde mental, clima organizacional e bem-estar passem a fazer parte das análises estratégicas de gestão de pessoas de maneira permanente.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o uso de People Analytics exige cuidado ético. Existe uma linha sensível entre inteligência organizacional e sensação de vigilância excessiva. Para Tiago Santos, a transparência será determinante para o sucesso dessas iniciativas. “O colaborador precisa entender que a tecnologia deve servir para melhorar a experiência de trabalho, e não para criar um ambiente de controle permanente. Quando existe clareza e confiança, os dados ajudam a construir ambientes mais saudáveis”, afirma.

Outro ponto que impulsiona esse movimento é a pressão financeira. Estudos globais indicam que substituir um profissional pode custar múltiplas vezes o salário anual daquela posição, especialmente em áreas de alta especialização. Em setores como tecnologia, mercado financeiro e saúde, antecipar pedidos de desligamento virou vantagem competitiva.

A tendência para os próximos anos é que o RH preditivo deixe de ser diferencial e passe a operar como requisito básico de competitividade. Em um mercado cada vez mais pressionado por produtividade, retenção e saúde mental, empresas começam a entender que prever comportamentos talvez seja mais importante do que simplesmente reagir a eles.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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