Industriais do Paraná estão menos otimistas para 2023

Industriais do Paraná estão menos otimistas para 2023

Cenário nacional e internacional preocupa setor da indústria

Os industriais paranaenses estão menos otimistas para 2023 em relação a anos anteriores, sendo que 58% acreditam na retração da economia. A constatação é da 27ª edição da Sondagem Industrial, realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), divulgada nesta quarta-feira (21).

A política nacional foi apontada como o principal fator para essa percepção. Além disso, o cenário econômico nacional e internacional também foi citado como responsável por esse resultado. Para 15% dos empresários pesquisados pela Fiep, a economia do país apresentará crescimento ou forte crescimento. E outros 27% acreditam que a economia do país permanecerá estável.

O resultado dos industriais otimistas ou muito otimistas está ancorado principalmente na perspectiva de crescimento das vendas (87%), na possibilidade de entrada em novos mercados (69%) e no aumento da produtividade e competitividade (64%). Por outro lado, fatores como custos de produção (35%), infraestrutura logística (32%) e energia (30%) se apresentam como os principais entraves que podem interferir diretamente no desempenho dos negócios.

No mesmo quesito, os respondentes que se mostram pessimistas e muito pessimistas para 2023 representam 14%. Eles sinalizaram que os fatores que justificam esse posicionamento são os custos totais de produção (88%), a dificuldade de explorar novos mercados (69%), as dificuldades com vendas (69%) e os investimentos (68%). Além disso, o alto custo de insumos e matérias-primas, a infraestrutura e energia também figuram como grandes preocupações que podem interferir na performance de suas empresas no próximo ano. Embora exista uma cautela, os empresários demonstram otimismo com a produtividade e a competitividade (10%), crédito (10%) , energia (10%), PD&I (10%), e concorrência (10%).

Rumos da economia

Para o presidente da Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, os resultados se explicam principalmente pelo momento de definições nos rumos da política econômica do país. “As políticas que serão adotadas (pelo novo governo) estão sendo explicitadas agora, então isso abala uma questão básica da indústria que é a necessidade de planejamento, de segurança mínima do que vai se fazer”, afirma. “A expectativa agora é de que se defina logo qual é o rumo da economia, que caminhos vamos tomar para que a gente recupere um mínimo de confiança no planejamento para a indústria, que é vital. O investimento no setor sempre é de longo prazo e precisamos ter um mínimo de segurança”, completa.

O economista da Fiep, Marcelo Alves, coordenador da pesquisa, acrescenta que o cenário internacional também é um fator de preocupação. “O resultado era esperado por conta das muitas mudanças no cenário geopolítico mundial, que aliadas às dificuldades da economia nacional e à instabilidade política do país, acabam influenciando a percepção do industrial paranaense sobre a economia e os negócios nos próximos meses”, avalia.

A boa notícia é que mesmo com intenções mais cautelosas para o ano que vem, 80% dos empresários que responderam à pesquisa confirmaram disposição em fazer novos investimentos em 2023. Em torno de 20% pretendem fazer mais ou muito mais do que foi realizado em 2022. Outros 29% devem manter o nível feito em 2022. Só 31% devem reduzir os valores.

Investimentos

As prioridades de investimento são em melhoria de processos, produtos ou serviços (58%), redução de custos de produção (49%) e prospecção de novos mercados (44%). Além destas prioridades, modelos de negócio e comercialização, ampliação da capacidade produtiva e melhoria da qualidade também aparecem como principais intenções de investimento.

O presidente da Fiep afirma que os investimentos são fundamentais para o setor, especialmente neste momento.  “O investimento da indústria precisa ser constante na busca de maior competitividade, melhoria de produtividade e aprimoramento de portfólio de produtos, ainda mais numa expectativa não tão boa como nós estamos, pela insegurança do planejamento”, diz.

“A disposição de retomar os investimentos é um bom sinal para o setor e para a economia”, reforça Alves. “Significa que o empresário já está buscando alternativas de superar as dificuldades com um planejamento e metas bem definidas. Este é um indicativo concreto de que vai trabalhar para melhorar a performance de sua empresa, elevando a capacidade produtiva, para ganhar competitividade”, completa o economista.

Quanto à principal fonte de financiamento, 65% afirmaram que utilizarão recursos próprios, 18% pretendem recorrer a bancos de fomento e desenvolvimento e 9% indicaram que utilizarão recursos de bancos tradicionais. “A maior utilização de recursos próprios como principal fonte de financiamento pode estar atrelada à dificuldade de acesso e ao alto custo do crédito no Brasil, além dos riscos de endividamento da empresa”, complementa Alves.

Como foi o ano de 2022

Para 67% dos industriais, as empresas apresentaram um desempenho bom ou muito bom em 2022. O principal fator que influenciou esse resultado foram as vendas, aumento da produtividade e competitividade, investimentos e aposta em novos mercados. Esses empresários também apontaram os custos totais de produção como o principal fator de influência negativa.

“Esse resultado positivo que temos até agora em 2022 mostra a qualidade, a diversidade, a produtividade e a competitividade que a indústria do Paraná tem”, declara Carlos Valter. “E a gente só tem que ressaltar, enquanto Fiep, esse valor do empresário industrial paranaense”, acrescenta.

Apenas 9% das empresas participantes da pesquisa afirmaram ter apresentado um desempenho ruim. Para esses, o que mais impactou no desempenho foram os custos elevados de produção, queda em vendas e insumos e matérias-primas mais caras ou escassas. Quatro temas, segundo eles, tiveram impacto relevante sobre o desempenho dos negócios em 2022. O mais relevante é a carga tributária, seguido pela conjuntura econômica nacional e internacional e corrupção.

Em relação à concorrência, independentemente do mercado de atuação, o industrial avalia que a qualidade, a gestão, a cadeia de fornecedores, o pós-venda e a logística são os principais pontos fortes. Por outro lado, a competição desleal, a alta carga tributária, a burocracia, os custos e a segurança/insegurança jurídica são os principais pontos fracos.

Comércio exterior

Em relação à atividade de comércio exterior, 48% afirmaram ter exportado em 2022. “Vale ressaltar que o comércio internacional pode significar uma ampliação de mercados para as indústrias, principalmente em um período de crise econômica e com câmbio favorável”, reforça Marcelo Alves.

“As atividades de exportação podem e devem ser aproveitadas por empresas de todos os segmentos e portes e mudanças na relação de comércio internacional, observadas recentemente, podem favorecer a relação de proximidade com fornecedores, buscando evitar a interrupção dos fluxos produtivos e a oscilação de custos em momentos de dificuldade, se apresentando como oportunidades a serem exploradas por fornecedores nacionais”, conclui o economista.

Crédito da foto: Gelson Bampi

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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