Com a pressão da colheita, sojicultor precisa de gestão financeira para garantir bons preços em 2023

Com a pressão da colheita, sojicultor precisa de gestão financeira para garantir bons preços em 2023

Com apenas 25% da safra comercializada até o momento, valor da saca tende a recuar

O ano de 2023 se inicia com certa pressão aos sojicultores brasileiros. Até o momento, apenas 25% da safra foi comercializada, enquanto o normal, pela média dos últimos anos, seria cerca de 40%. Com a proximidade da colheita, o preço da soja, que fechou 2022 em torno de R$ 180 a saca de 60 quilos no Sul e Sudeste do País, começa a oscilar para baixo, registrando variação entre R$ 170 e R$ 178/sc nos últimos dias. Apesar dessa curva descendente momentânea, os produtores que tiverem uma gestão financeira eficiente podem ter nos próximos meses um cenário bem favorável, com boa rentabilidade.

Essa projeção positiva é embasada no mercado internacional, que vive a falta de oferta da oleaginosa e problemas sequenciais de clima em importantes regiões produtoras da América do Sul, como Argentina e Paraguai, além dos Estados Unidos. Essa sequência de fatores acontece justamente em um momento em que a demanda segue positiva. Com isso, há um aperto nos estoques dos norte-americanos não somente para a soja, mas para todo o complexo de grãos.

Para o consultor Flávio Roberto de França Júnior, líder de pesquisa e head da Datagro Grãos, além do mercado internacional, outros dois componentes podem influenciar no mercado interno da soja. Um deles é o prêmio de exportação e o outro é a taxa de câmbio. “São essas três variáveis que podem impactar positivamente no preço da soja no Brasil”, diz.

Ainda segundo o especialista, é importante lembrar que 2022 foi um ano marcado por preços históricos da soja no mercado nacional. “Não dá para saber ainda se os preços baterão os patamares de 2022, pois as variáveis são muitas, mas dá para dizer que a paridade de exportação indica boas possibilidades de termos preços parecidos com o segundo semestre do ano passado, algo em torno de R$ 180/60 kg”, completa o head da Datagro.

Mesmo com o mercado externo favorecendo os sojicultores aqui, para o consultor é preciso ter atenção com a economia brasileira. Nessas primeiras semanas do ano, há uma certa preocupação quanto ao aumento de gastos públicos, anulação de reformas e privatizações, fatores políticos que podem impactar a economia interna, isolando o câmbio em alta. “Pelo o que o Brasil fechou o ano de 2022, o cenário de câmbio para 2023 é de tendência de baixa, o dólar está enfraquecendo e, de modo geral, todo o mundo está na defensiva”, reforçou França Júnior.

Um ponto que merece atenção é que, na atual safra, o agricultor brasileiro plantou com o custo de produção muito mais alto em decorrência da escassez e valorização dos principais insumos. Assim, o produtor que não colher bem ou não tiver um bom planejamento pode ficar no vermelho.

Diante de todo esse cenário, é necessária uma boa estratégia para ter eficiência da porteira para dentro. “Daqui para frente, o ideal é o produtor monitorar o mercado bem de perto, aproveitando os picos que tendem a aparecer”, diz o especialista. “Também é importante ter atenção com a colheita entre fevereiro e março. Por ter poucos grãos vendidos, pode ser que haja, até lá, essa pressão para baixo de preço por necessidade de venda”, completa.

Eficiência e estratégia

Mesmo com o valor da soja em patamar elevado, o lucro da safra depende muito do controle que o produtor consegue ter ao longo do ciclo produtivo, principalmente em tempos de insumos caros. Saber exatamente quanto custou cada talhão é fundamental para tomar a decisão certa quanto a vender ou armazenar a soja – e por quanto tempo.

Um software de gestão agrícola como o Aegro permite que o produtor visualize claramente todos os seus custos de produção da cultura, garantindo uma visão clara do dinheiro investido ao longo da safra. Em poucos passos, é possível verificar dados como o custo real de cada saca de soja ou o custo por hectare. Assim, o produtor sabe até qual preço vale travar a venda e gerar uma margem de lucro satisfatória.

“Neste momento em que temos preços de insumos elevados e um cenário de incertezas no mercado, os dados permitem ao produtor tomar uma decisão embasada, sem achismos, sendo a diferença entre obter lucro ou não na comercialização da safra”, cita o gerente de produtos e co-fundador da Aegro, Paulo Silvestrin.

Além do controle dos custos financeiros da produção, o aplicativo permite controlar também a parte operacional da fazenda, mesmo à distância, no campo, e sem acesso à internet. Com o Aegro, o produtor consegue planejar uma atividade como a aplicação de insumo, consultar a quantidade de produto guardada e já dar baixa no estoque durante a operação, além de lançá-lo automaticamente como custo realizado na finalização da atividade.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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