Setor de carros elétricos no Brasil cresce, mas especialistas apontam falta de projetos concretos

Setor de carros elétricos no Brasil cresce, mas especialistas apontam falta de projetos concretos

Emplacamentos de eletrificados aumentaram 41% em 2022

O setor dos carros elétricos começou o ano de 2023 com notícias positivas. De um lado houve um significativo crescimento no emplacamento de eletrificados no país e, ao mesmo tempo, recentes declarações do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), mostram interesse do novo governo no investimento do setor. Porém, especialistas ainda apontam a falta de projetos reais para o segmento.

Para Ricardo David, diretor da Elev, empresa especializada em soluções para todo o ecossistema dos carros elétricos, o Brasil precisa de estruturação e incentivo. “O investimento na infraestrutura de recarga e os incentivos fiscais são fundamentais para o crescimento do mercado de eletrificados no Brasil. Sem uma estrutura de recarga sólida, fica difícil para os motoristas optarem pelos veículos elétricos, pois eles precisam se preocupar em encontrar pontos de recarga durante suas viagens. Além disso, os incentivos fiscais são importantes para atrair as montadoras para produzirem veículos elétricos no país, o que pode gerar empregos e impulsionar a economia”, afirma.

O novo governo anunciou planos de investimento no setor de eletromobilidade, o que foi visto como uma surpresa para a indústria, principalmente pela ausência de iniciativas similares durante o governo anterior. Embora o tema não tenha sido incluído no plano de governo do presidente Lula, nas últimas eleições, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que pretende incentivar a tecnologia e a indústria de veículos elétricos no país.

“Estamos apenas no início do governo e ainda há muito o que esperar. Porém, tenho a convicção que o reconhecimento da necessidade de um plano nacional é de grande importância para o setor. Mas ainda aguardo propostas concretas, principalmente conversando com os empresários que estão investindo no setor”, declarou Ricardo David.

Em 2022, o mercado de veículos leves eletrificados no Brasil registrou um total de 49.245 unidades comercializadas, 41% a mais do que em 2021. Entre os destaques do ano estão os meses de dezembro e setembro, que foram os dois melhores da série histórica da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), com 5.587 e 6.391 emplacamentos, respectivamente. Além disso, houve uma venda recorde de veículos totalmente elétricos a bateria, com 8.460 unidades vendidas, o que representa 17% do total de eletrificados do ano. O total inclui automóveis e comerciais leves híbridos, híbridos plug-in e totalmente elétricos. “O número de veículos elétricos ainda é pequeno quando comparamos com outros países, como a China e a Noruega. Estamos muito atrás na corrida pela eletrificação”, afirma Ricardo David.

Os elevados impostos nos preços de carros elétricos e a ausência de incentivos fiscais para a produção local de veículos elétricos são obstáculos para o crescimento do mercado de eletrificados no Brasil. Além disso, a infraestrutura de recarga é insuficiente, com cerca de 2,8 mil carregadores públicos e semipúblicos disponíveis no país, segundo os dados da ABVE.

Além disso, os híbridos leves continuam sendo os mais vendidos, com 30.439 emplacamentos em 2022, o que representa 63% do total de eletrificados comercializados no período. “Essa é uma exemplificação de como a população ainda aguarda por uma maior estruturação, principalmente quando falamos de eletropostos. Investimentos nessa área e incentivos fiscais são medidas fundamentais para desenvolver esse setor. A população aguarda por uma estrutura mais robusta, especialmente no que diz respeito ao número de eletropostos disponíveis”, declarou o especialista.

A indústria de veículos elétricos no Brasil ainda está em fase inicial, mas tem grande potencial de crescimento. O governo e empresas privadas precisam trabalhar juntos para desenvolver uma infraestrutura de recarga e criar incentivos fiscais para a produção de veículos elétricos no país. Além disso, é importante promover a conscientização dos consumidores sobre os benefícios ambientais e econômicos de optar por veículos elétricos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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