Falta de visibilidade dos aspectos da agenda ESG e ameaças cibernéticas podem afetar mercado de telecom

Falta de visibilidade dos aspectos da agenda ESG e ameaças cibernéticas podem afetar mercado de telecom

Depois de um período marcado por aumento de preços, elevação do custo de vida, fusões e aquisições, o setor de telecomunicações precisa definir novas prioridades e atuar de forma mais estratégica e atualizada às novas demandas de mercado, principalmente no que se refere à transformação digital, sustentabilidade e diversidade e inclusão da força de trabalho, além de atração e retenção de novos talentos.

Os consumidores estão mais exigentes: com o serviço e com o bolso. Das famílias entrevistadas, 45% acreditam que estão pagando além do que deveriam por conteúdos que, na realidade, não assistem e 44% não consideram que as operadoras oferecem a melhor opção de pacote em custo-benefício. Além disso, 33% planejam reduzir os gastos com esses serviços e direcionar esse investimento para experiências fora de casa. É a pandemia ressignificando prioridades. Do lado das empresas, surgem oportunidades e pontos de atenção, como indica levantamento feito pela EY, uma das maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo, que identificou os principais riscos para o setor de telecomunicações em 2023 e como as empresas podem mitigá-los. São eles:

1. Resposta das telcos ao custo de vida elevado

Estudo global da EY, Global Decoding the Digital Home, aponta, além dos dados citados, que 60% das famílias estão preocupadas com possível reajuste da mensalidade da banda larga.

2. Cibersegurança

As ameaças cibernéticas estão entre os riscos identificados, considerando o contexto de ataques mais frequentes às organizações. O Global Decoding the Digital Home revela que 46% dos consumidores acreditam que é impossível manter seus dados completamente seguros ao usar a internet. Enquanto isso, a EY Global Information Security Survey 2021 indica que 39% dos diretores de segurança da informação (CISOs) de telecomunicações acreditam que os aspectos de segurança não são adequadamente considerados nos investimentos estratégicos.

“Um ponto importante de cibersegurança é como proteger as informações dos clientes em conformidade com as melhores práticas mencionadas na legislação vigente, especialmente na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Além disso, em um cenário onde existirá um aumento exponencial dos dados, as empresas de telecom estão buscando caminhos para utiliza-los, respeitando os direitos dos titulares”, afirma José Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações (TMT) da EY para América Latina.

3. Cultura e formas de trabalho

Há um descompasso entre patrões e empregados. Enquanto 91% dos funcionários de Tecnologia, Mídia e Entretenimento e Telecomunicações (TMT) desejam trabalhar remotamente por dois ou mais dias por semana, 25% dos empregadores de TMT acreditam que o trabalho deve ser integralmente presencial, segundo a EY 2022 Work Reimagined Survey. As empresas do setor precisam realmente ouvir esse desejo e se adaptar à nova realidade ou correm o risco de perder talentos.

4. Má gestão de agenda ESG

O estudo mostra que é necessário prestar atenção à agenda ESG com urgência. Quase quatro em cada dez consumidores dizem que as operadoras precisam fazer mais para endereçar questões de sustentabilidade. Segundo o Barômetro Global de Divulgação de Riscos Climáticos da EY, a qualidade das divulgações de mudanças climáticas das empresas de telecomunicações piorou nos últimos anos. Além disso, segundo o EY Reimagining Industry Futures Study 2022, 39% das empresas de telecomunicações não divulgam estratégia específica sobre plano de transição ou caminho de descarbonização e 47% das grandes empresas não acham que as ofertas de 5G e IoT do fornecedor atendam adequadamente às suas necessidades de sustentabilidade. Segundo o executivo da EY, “falta ao mercado de telecom explorar mais as iniciativas ESG, como o avanço socioeconômico proporcionado pela pela introdução de novas tecnologias (chegada do 5G) e amplianção da infraestrutura de em locais fora dos grandes centros. Há toda uma agenda positiva para a sociedade trazida pelo setor por meio desses investimentos e contrapartidas”.

5. Falta de eficiência e agilidade no uso da tecnologia

EY Tech Horizon Study elencou as cinco principais barreiras de dados e tecnologia para a transformação das empresas de telecomunicações. São elas: alto custo de infraestrutura de tecnologia (39%), requisitos complexos de segurança e privacidade (34%), complexidade na integração de vários sistemas (22%), dados complexos (20%) e complexidade em gerenciar parcerias corporativas (20%).

6. Falta de confiabilidade na rede e infraestrutura

A confiabilidade da rede continua sendo um ponto problemático para os clientes, como mostra o EY Global Decoding the Digital Home Study, que revela que 28% das residências frequentemente experimentam uma conexão de banda larga não confiável. O desafio para as operadoras é agravado pelo aumento do uso de dados.

7. Incapacidade de aproveitar novos modelos de negócios

Há um desalinhamento entre as novas ofertas das empresas de telecomunicações e aquilo que os clientes corporativos estão procurando, principalmente em domínios de serviços emergentes, a exemplo de rede como serviço. Além disso, a proporção de receitas provenientes de ofertas de maior crescimento, como IoT e nuvem, permanece pequena.

8. Falha em maximizar o valor dos ativos de infraestrutura

O esforço das empresas de telecomunicações para desvendar o valor da infraestrutura está ganhando ritmo. Elas estão usando desinvestimentos, divisões e joint ventures para reconfigurar os modelos de propriedade de vários tipos de infraestrutura.

9. Envolvimento ineficaz com ecossistemas externos

O cenário da infraestrutura de rede está cada vez mais fluido. Vários países impuseram restrições a fornecedores de alto risco, e os avanços tecnológicos estimularam a entrada de fornecedores de rede centrados em software. Há também uma demanda crescente por redes 5G privadas, com empresas buscando ativamente fornecedores com relações relevantes com o ecossistema. Todos esses desenvolvimentos exigem que as empresas de telecomunicações aumentem a colaboração externa. No entanto, o envolvimento do ecossistema ainda não é fundamental para suas estratégias, com apenas 11% acreditando nas múltiplas parcerias como essenciais para novos modelos de negócios.

10. Incapacidade de se adaptarem ao cenário regulatório em mudança

As empresas precisam de mais estratégia e velocidade para acompanhar as prioridades regulatórias que mudam conforme a pandemia, a crise do custo de vida, os fatores geopolíticos, as considerações de sustentabilidade e as preocupações com a segurança online se combinam. O foco deve estar na reformulação inteligente das cadeias de suprimentos, no combate à exclusão digital e no suporte a clientes vulneráveis.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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