Balanço de riscos faz BC manter juros em 13,75% ao ano

Balanço de riscos faz BC manter juros em 13,75% ao ano
Gustavo Bertotti.

Inflação segue pressionada e indefinição do governo sobre o arcabouço fiscal afeta as expectativas

A manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, decidida na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) finalizada nesta quarta-feira, é uma sinalização de que o Banco Central (BC) levou em consideração o balanço de riscos e optou pela cautela, apesar das pressões do governo federal pela queda dos juros. “O cenário macroeconômico vem se deteriorando, as questões fiscais e políticas, somado ao cenário externo, pesaram na decisão do BC”, afirmou o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti. “O risco político vem aumentando e afetando as expectativas econômicas para os próximos anos. Trabalhamos com um cenário em que juros continuarão altos por mais tempo, talvez com queda apenas no segundo semestre e em menor magnitude”, complementou.

Ele lembrou que a inflação segue pressionada. “Observamos uma evolução da difusão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,84% em fevereiro. No mês anterior, o avanço foi de 0,53%. Para este ano, a estimativa é de que a inflação feche em 5,95% segundo o Boletim Focus”, destacou.

O Boletim Focus mostrou também que a previsão da Selic foi mantida em 12,75% para 2023, enquanto a de 2024 continuou em 10%. As duas permaneceram estáveis há cinco semanas seguidas. A de 2025 permanece há seis semanas em 9%. Já a de 2026 subiu de 8,75% para 9%.

Bertotti lembra que o comunicado da última reunião do Copom, em fevereiro adotou um tom mais duro e contracionista ( mas, depois disso, ocorreram fatores que causaram uma deterioração maior das expectativas, tanto no cenário externo quanto interno, com a indefinição sobre o arcabouço fiscal.

No front externo, Bertotti cita, além da continuidade da guerra Rússia/Ucrânia, o aumento da política contracionista (hawkish) nos EUA (o Fed aumentou os juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira) e Europa, além da instabilidade do sistema financeiro global. Houve a quebra de três bancos nos Estados e um na Europa. “Isso traz muita incerteza não só para Europa e EUA, mas para todo o mundo. Há um temor de uma desaceleração da economia global”, destacou.

“A decisão do Fed foi correta, reiterando que o sistema financeiro dos EUA é solido e resiliente. O que ocorreu com os bancos não vai impedir a política monetária de combate a inflação, embora tenha sido retirado do texto a necessidade de aumentos contínuos nas taxas de juros. E ainda reforça que a inflação é persistente e o mercado de trabalho continua muito forte nos Estados Unidos”, disse Bertotti. De acordo com ele, a projeção do mercado é de um novo aumento de juros de 0,25 p.p. na próxima reunião do Fed. “Foi um comunicado mais dovish (suave) que o da reunião anterior, mas deixou claro um novo aumento de juros, mas que o ciclo está próximo do final” finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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