É preciso planejamento na hora de comprar ou alugar um veículo

É preciso planejamento na hora de comprar ou alugar um veículo

Juros altos, manutenção e combustível tem sido as principais barreiras na hora de adquirir um veículo novo ou usado

Geralmente, é no início do ano que os brasileiros que possuem carro ou moto pensam em trocar de automóvel. Mas, os últimos dois anos de pandemia não foram muito favoráveis para quem pretendia comprar um veículo. Para se ter uma ideia, o Brasil terminou 2022 com pouco mais de 1 milhão e 900 mil automóveis vendidos, segundo a associação das concessionárias (Fenabrave) – uma queda de 0,8% em relação a 2021.

Além disso, o custo elevado do crédito se tornou um dos principais entraves para a compra de um veículo – novo ou usado, como informou o estudo Ipsos Drivers, que monitorou a intenção de compra de consumidores em todo o Brasil, em 2022. Diante dos preços altos, a opção de muitos consumidores foi optar pela locação de veículos (que também apresentaram aumento de até 80%), pela compra à vista e pelas carteiras de consórcios junto aos bancos.

Na última divulgação do Banco Central, a taxa Selic – a taxa básica de juros — foi mantida em 13,75%, a mais elevada de todo o planeta, segundo um levantamento compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management. Diante disso, uma pesquisa do Instituto Ipsos mostrou que, 32,5% dos consumidores citaram que os juros nos financiamentos são o principal empecilho na hora de comprar um veículo.

Para se ter uma ideia, segundo o BC, entre os bancos mais tradicionais que oferecem financiamentos, a taxa de juros varia de 25% a 30% ao ano. Além disso, no ano passado, houveram constantes altas nos preços dos combustíveis, que a partir de março de 2023, sofrerão reajuste, por conta da suspensão da isenção de impostos. Além disso, um levantamento realizado em janeiro 2023, pela KBB Brasil, mostrou um reajuste médio de até 0,97%, no preço dos veículos.

Diante desses dados, a educadora financeira Aline Soaper revela que é preciso planejamento e análise na hora de adquirir ou alugar um veículo, em 2023. “Todos esses dados mostram que são muitas variáveis para analisar na hora de comprar um veículo. Então, no financiamento de carros novos ou usados, o consumidor deve estar atento a taxa Selic, porque é com base nela que os preços vão subir ou abaixar. Outro ponto de atenção é que os custos com manutenção dos veículos, em 2022, também tiveram aumento de 3,73%. Entre revisões, custo com estacionamento e lavagens, por exemplo, o estudo do Instituto Ipsos indicou um gasto médio de pouco mais de R$ 2 mil reais”, comenta a educadora financeira.

Veículo usado

Dessa forma, a alternativa aos carros novos, são os veículos usados. Mas, segundo a educadora financeira, é preciso ficar atento aos custos de manutenção de um automóvel usado e pesquisar bem para a “economia” não acabar virando dor de cabeça. “A tabela 2023, disponibilizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas — Fipe também mostrou que mesmo os carros usados, estão caros. Tem modelos sedan com aumento de quase 13%. Porém, se o consumidor optar pela compra de um usado, a primeira coisa a fazer é buscar um especialista, para analisar se o veículo usado, que você pretende comprar, vai atender suas necessidades. Esse profissional — que pode ser um mecânico de sua confiança – vai poder avaliar se o automóvel tem bom custo-benefício e o custo de manutenção do veículo. E até mesmo se o veículo já sofreu alguma avaria ou se já foi a leilão, por exemplo. Isso porque, na hora que você decidir vender esse automóvel, isso vai influenciar no valor de venda”, indica Aline Soaper.

Aluguel por assinatura

Outra opção para quem deseja um veículo, é o aluguel por assinatura, seja oferecido por locadoras ou programas pertencentes às fabricantes. Essa modalidade caiu no gosto dos brasileiros por alguns motivos: a alta nos preços dos veículos, os custos de manutenção (mão de obra e peças) e as taxas do IPVA – que ficaram aproximadamente 10% mais caras em 2023.

“Essa modalidade está deixando de ser tão atraente, por conta dos aumentos dos custos. Para se ter uma ideia, tiveram modelos com aumento de 80% no valor da mensalidade. Ou seja, um veículo que custava R$ 1 mil reais mensais, passou a custar R$ 1.800. Diante disso, vale avaliar se pelo mesmo valor, o consumidor conseguiria adquirir um veículo próprio, em um modelo melhor, por exemplo”, explica Aline Soaper.

A educadora financeira ressalta que independente de comprar um veículo ou alugar, é preciso planejamento e análise. “O consumidor deve analisar suas finanças pessoais e colocar na ponta do lápis se pode ou não comprar um carro novo ou usado, ou se o aluguel é uma melhor opção. Além disso, indico que o consumidor se faça alguns questionamentos, antes de escolher a melhor opção. Por exemplo: independente do valor, é importante para você ser proprietário de um veículo? Então é provável que a melhor opção seja a compra. A mesma coisa se você vai personalizar o veículo, com som, rodas diferentes, entre outras modificações. Se você tem pavor de burocracias, como pagamentos de impostos, revisões e manutenções, então o aluguel de um automóvel é uma boa opção”, finaliza a educadora financeira.

Carro novo sobe 85% em 5 anos

Segundo a especialista, quem pretende comprar um carro novo – em modelos mais baratos do mercado – vai desembolsar cerca de R$ 70 mil. Além disso, se optar por um automóvel que tenha câmbio automático, acrescenta-se cerca de R$ 25 mil no orçamento. Aline Soaper também destaca uma pesquisa feita pela consultoria automotiva JATO Dynamics, que apontou que, em 5 anos, o carro novo ficou 85% mais caro e o preço médio pode chegar a R$ 130 mil.

Entre os principais fatores para a hiperinflação estão à falta de semicondutores, a pandemia da Covid-19 e a Guerra da Ucrânia. A mesma pesquisa indicou que quatro anos atrás o consumidor precisava juntar o equivalente a 28 salários mínimos para comprar o carro mais barato do Brasil, que custava em torno de R$ 26 mil. Hoje, é necessário economizar o dinheiro recebido em 50 meses, para comprar o veículo mais barato do mercado, que custa em torno de r$ 66 mil.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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