Bolsa sobe 5,4% na semana e dólar acumula queda de 2,83%

Ibovespa tem o melhor resultado semanal do ano
O Ibovespa acumulou esta semana alta de 5,4%, registrando o seu melhor resultado semanal do ano. Apesar de fechar com queda de 0,2% nesta sexta-feira (14), o principal índice da B3 ainda conseguiu manter saldo positivo, impulsionado por dados de inflação que saíram abaixo do esperado tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
O dólar comercial teve um novo dia de queda, fechando a sexta-feira (14) cotado a R$ 4,915. Na semana, a moeda norte americana acumulou perda de 2,83%.
No mercado financeiro, os investidores esperam que, uma recente melhora no ambiente macroeconômico possa ajudar a abrir espaço para a queda dos juros antes do que o mercado vinha projetando. A expectativa é de que a Selic (taxa básica de juros que está em 13,75% ao ano) tenha a primeira redução em agosto, em vez de apenas no quarto trimestre, como era o esperado.
Segundo o CEO do transferbank, Luiz Felipe Bazzo, as duas razões para o otimismo são o resultado da inflação de março, de 0,71%, que foi bem abaixo do esperado, e o câmbio mais favorável, o que ajuda a conter os preços e o índice inflacionário. Nessa semana, o dólar fechou no menor patamar desde junho do ano passado.
Outra surpresa positiva, destaca Bazzo, foi o recebimento do mercado com relação à nova regra fiscal proposta pelo governo, com os últimos ajustes, que demonstra ser mais restritiva do ponto de vista do gasto público. “A versão apresentada foi bem recebida porque tem controle dos gastos, mas ainda existem dúvidas com relação a tramitação no Congresso. Dá até para dizer que a redução dos juros em junho já é mais provável, mas ainda não é tão claro que esse movimento possa acontecer no primeiro semestre”, destaca o executivo.
Entretanto, de acordo com Bazzo, é preciso ver como isso vai impactar em inflação mais baixa. “O BC tem que aguardar para avaliar os efeitos concretos, tanto do arcabouço fiscal quanto da apreciação do real sobre a dinâmica da inflação.
Apesar da melhora no cenário macroeconômico, existem incertezas que permanecem no horizonte e que precisarão ser monitoradas, já que podem impactar na política monetária.
Entre eles, tem o debate sobre a meta de inflação que é válido, mas é complicado pela forma como tem sido conduzido, além da transição dos diretores do Banco Central, cujos nomes indicados devem ser conhecidos em breve. A dúvida é se será um nome que vai contrapor as ideias do presidente do BC, ressalta o CEO do transferbank, que é uma das 15 maiores corretoras de câmbio do Brasil.
Câmbio
Quanto ao câmbio, na avaliação de Bazzo, a moeda americana está refletindo o resultado da inflação menor que a esperada. “A perspectiva de fim da alta de juros nos EUA é um dos principais fatores de impacto para essa queda forte. Esse fator externo se intensificou com a crise bancária em meados de março e com uma sequência de dados mais fracos da economia americana, culminando na quarta-feira com a taxa de inflação dos EUA (CPI) em uma tendência de desaceleração!, diz.
Isso impacta diretamente o câmbio porque juros mais altos nos EUA atraem capital ao país, valorizando a moeda americana. Assim, o fim da alta favorece as moedas de países emergentes, como o real, no Brasil.
Um segundo fator externo é a redução da aversão ao risco após a crise bancária que afetou Silicon Valley Bank (SVB), Signature Bank e Credit Suisse. “Quando uma crise dessa magnitude acontece, todo mundo foge de investimentos de risco, porque ninguém sabe o que pode acontecer”, explica Bazzo.
Para ele, o dólar se fortalece em momentos de aversão ao risco, mesmo quando o risco vem dos Estados Unidos. Mas, agora, há uma percepção de que essa crise não vai se tornar sistêmica, porque os reguladores agiram rápido e não houve quebradeira.
Um terceiro fator externo é a recuperação da China, que tem impulsionado o preço das commodities brasileiras e, consequentemente, a entrada de dólares no país. Basicamente, é uma questão de oferta e demanda. Se tem mais moeda estrangeira, ela vale menos.
No Brasil, explica o executivo, o arcabouço fiscal é o principal fator para o fortalecimento da moeda brasileira. De modo geral, ainda que tenham alguns problemas, o arcabouço veio melhor do que se imaginava.
“Existia nos investidores muito temor em relação a um risco de descontrole de gastos e, consequentemente, um descontrole da dívida pública. Mas o arcabouço trouxe de fato um mecanismo de limitação de despesas, que era a grande preocupação do mercado”, conclui.








