Open Finance e Open Banking: conheça as diferenças e saiba como as empresas podem se beneficiar

Open Finance e Open Banking: conheça as diferenças e saiba como as empresas podem se beneficiar

A transição de Open Banking para Open Finance já conta com 22 milhões de consentimentos ativos

O Open Finance no Brasil é tido como referência mundial. Com pouco mais de dois anos de operação após o lançamento como Open Banking, a implementação do sistema brasileiro já é um case de sucesso. A transição do Open Banking para o Open Finance começou em dezembro de 2021, quando iniciou-se o compartilhamento de dados das instituições financeiras com o Banco Central.

O compartilhamento de dados no Open Finance está crescendo de forma acelerada. Ao final de março, a quantidade de consentimentos chegou a 28,3 milhões, contra 18,7 milhões em dezembro de 2022. No primeiro trimestre deste ano, foram adicionados por mês, em média, cerca de 3,2 milhões novos consentimentos, sendo a maioria de pessoas físicas.

Esses números colocam o Brasil entre os países com maior adesão ao sistema e, em breve,  deve superar o Reino Unido na liderança do ranking “Global Open Finance Index” em relação ao desenvolvimento do ecossistema. De acordo com a empresa de consultoria Oliver Wyman, é estimado que até 2025, o alcance seja de mais de 60 milhões de pessoas.

Além disso, levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) entre as mais de 800 instituições associadas ao projeto mostra que já são 45 produtos e serviços oferecidos aos clientes. O número considera diversos casos de uso, como iniciação de pagamento, melhores ofertas de crédito, entre outros.

Para as empresas,  os benefícios ainda estão em fase de amadurecimento, mas para quem está atento ao novo sistema o empresário pode perceber a melhora na gestão financeira através de aumento de produtividade com centralização das informações, maior fluidez em pagamentos com operações iniciadas fora do internet banking, melhor acesso a linhas de crédito com maior competição e simplificação do cadastro e onboarding de clientes.

Desafios do Open Finance 

Apesar do sucesso, o Open Finance apresenta algumas desvantagens, como a exposição de dados. Por esse motivo, é preciso ter atenção e escolher bancos seguros, para que não caia em golpes e fraudes. Aqui, vai um destaque: saiba que o cliente pode cancelar o acesso aos seus dados a qualquer instante.

De acordo com um estudo realizado pelo Google Cloud em parceria com a R/GA,  25% das instituições financeiras analisadas ainda não oferecem Open Finance aos clientes e 40% delas disponibilizam apenas um serviço integrado a esse ecossistema. A pesquisa “Finfacts” analisou 21 instituições financeiras, entre bancos e fintechs, em abril de 2023, com foco nos produtos e serviços financeiros oferecidos. O levantamento enfatiza alguns pontos a serem melhorados nesse sentido envolvendo falta de clareza sobre as etapas de abertura de conta e experiências com chatbot.

“Se adequar ao padrão estabelecido pelo Banco Central para o compartilhamento de dados e serviços é um desafio para as instituições participantes, que devem implementar, em seus sistemas, interfaces de APIs para possibilitar a transmissão dos dados e a iniciação de pagamentos de forma segura, garantindo que o processo somente ocorra mediante a aprovação do consentimento por parte dos clientes”, explica Alan Mareines, CEO da Lina Open X.

O especialista ressalta que o ecossistema foi construído para manter um padrão elevado de segurança que já existe nas transações financeiras, mas que um novo desafio se coloca. “Com a instituição devidamente integrada ao ecossistema Open, um novo e árduo desafio se impõe: prover suporte para as demais instituições participantes que se conectam para acessar os dados de clientes e iniciar transações de pagamento”, pontua.

Alan também complementa: “Quem organiza essas demandas de atendimento e suporte técnico é o Service Desk do Diretório de Participantes. Cabe às instituições monitorar a abertura de chamados para requisições de serviços e incidentes, atuando prontamente, de forma a cumprir os SLAs regulatórios e atender as demandas de suporte técnico e operacional”.

Além da sustentação do ecossistema, cabe ressaltar que o Open Finance é um organismo vivo, que está nos seus primeiros anos de vida, o que significa que novas versões de APIs, alterações de escopo e novas funcionalidades ainda serão frequentemente implementadas. “A instituição deve ser capaz de atender essas demandas regulatórias, evoluindo frequentemente a solução para cumprir prazos e evitar desenquadramentos, notificações e multas”, destaca o especialista.

Também se mostram como desafios a integração dos canais digitais, a adequação da legislação de proteção de dados e a governança de APIs. E, por fim, a falta de conhecimento do público sobre o Open Finance ainda é um obstáculo. “Por mais que já exista um avanço importante e considerável, ainda há um grande caminho a ser percorrido, até que os consumidores brasileiros compreendam de fato como podem se beneficiar do compartilhamento de dados no Open Finance”, finaliza Mareines.

Open Finance x Open Banking

Entre as principais dúvidas do mercado financeiro, a diferença entre Open Finance e Open Banking sempre paira na cabeça das pessoas. Ambos sistemas contém o mesmo objetivo, contudo, cada um tem as suas próprias particularidades. Alan Mareines, CEO da Lina Open X, explica quais são as diferenças. “Enquanto o Open Banking tem como proposta o compartilhamento de informações entre instituições bancárias, o Open Finance expande essa ideia para outras instituições financeiras do mercado, como corretoras de investimentos, seguros e previdência, câmbio e adquirência”.

O Open Banking quer dizer banco aberto ou sistema financeiro aberto. “Ou seja, ele oferece mais autonomia para que o cliente compartilhe seus dados com a instituição financeira de sua preferência. Na prática, facilita a concessão de crédito, definindo taxas mais alinhadas ao perfil de risco do tomador do empréstimo. Além disso, o cliente pode comparar serviços entre os bancos, o que traz mais liberdade para escolher entre as opções com o melhor custo-benefício”, revela o especialista.

O sistema permite ainda que o consumidor compartilhe dados pessoais e transacionais entre bancos e instituições financeiras. Os princípios são o consentimento, finalidade e minimização. Assim, a troca de dados entre instituições têm duplo consentimento, para a instituição que recebe e para a que envia informações, um fim específico, uma prestação de serviço, e com o mínimo necessário de dados. Em suma, o Open Banking estimula a criação de produtos e serviços sob medida e com valores mais atrativos para o interesse do cliente com base nos dados de consumo, renda e operações financeiras.

Já o Open Finance é a evolução do Open Banking. O objetivo é semelhante à versão anterior: conceder ao cliente a possibilidade de compartilhar seus dados com outros bancos e instituições financeiras, mas o Open Finance reúne um portfólio de possibilidades de compartilhamento mais completo, o que inclui: câmbio, investimentos, seguros e previdência.

Os clientes têm maior controle do compartilhamento de informações pessoais com operadoras de serviços financeiros não vinculadas a sistemas bancários. A proposta é que essa troca de dados permita a criação de produtos ainda mais personalizados para cada necessidade. O consumidor pode ainda levar seu histórico financeiro não só para bancos, mas também para uma corretora de seguros, um fundo de previdência e uma série de outras instituições. Nesse contexto, o negócio terá disponível mais opções atrativas de linhas de crédito, por exemplo.

Crédito da foto: Pexels

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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