Decisão do Copom expõe diferenças no Banco Central e favorece o Ibovespa

Decisão do Copom expõe diferenças no Banco Central e favorece o Ibovespa

Corte de meio ponto percentual surpreendeu o mercado

O Comitê Políticas Monetárias (Copom) anunciou na última quarta-feira (02), a nova taxa Selic a 13,25%, um corte de 0,5 ponto percentual. Segundo o comunicado da organização, esse é o início do ciclo de corte de juros no país, que há um ano era mantido em 13,75%. A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que estava dividido entre um corte de 0,25 ou meio ponto percentual.

A decisão do comitê não foi unânime, tendo alguns membros, como Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e Gabriel Galípolo, novo diretor indicado por Lula,  votando a favor do corte de 0,50 ponto percentual. Já outros quatro diretores, incluindo Ailton Aquino e Diogo Guillen, ligados à política econômica da instituição, votando pelo corte menor de 0,25%.

“O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,50%, mas considerou ser apropriado adotar ritmo de queda de 0,50 ponto percentual nesta reunião em função da melhora do quadro inflacionário, reforçando, no entanto, o firme objetivo de manter uma política monetária contracionista para a ancorar as expectativas e a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante”, afirma o comunicado da Selic.

Os números de indicadores econômicos também se mostraram favoráveis à redução da Selic. O IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), métrica da inflação no país, nesse ano caiu de 4,90% para 4,84%. Outro fator de positividade para a queda dos juros é o PIB, cuja projeção permanece acima dos 2% para o final de 2023, segundo o último Boletim Focus divulgado (31/07).

Cenário político econômico interno “favorável”

“Uma situação política, inserida no Congresso Nacional, é o arcabouço fiscal. Ele voltou, mas está meio parado; é necessário ficar de olho nessa questão importante para a política fiscal do país, inclusive os avanços da reforma tributária. São pontos de atenção importantes para o mercado”, afirma Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos.

Desde o início de 2023, um dos entreveros para o avanço da economia do país era a incerteza em relação a direção da política econômica a ser tomada. O mercado demonstrou-se inseguro nos primeiros meses do ano, sem a direção fiscal a caminhar. Com o anúncio do novo marco fiscal, feito por Fernando Haddad, em abril, os agentes econômicos começaram a enxergar luz em meio a nebulosidade fiscal, além dos avanços da reforma tributária no Congresso Nacional.

Em meio ao cenário de decisões político-econômicas, uma queda de braço acontecia entre o presidente Lula, defensor de uma menor taxa Selic para incentivar o consumo; e Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que aguardava a tomada de decisões fiscais.

Os reflexos para o avanço do Ibovespa

“A bolsa deve reagir positivamente, uma boa parte dela já estava no preço, então isso é um ponto de atenção, mas ainda assim o corte começou a acontecer  e está sinalizando que terá um ritmo mais agressivo do que o mercado estava esperando, isso é uma sinalização positiva em geral para a bolsa”, comenta Cunha.

Com a queda da taxa Selic, consequentemente, os investimentos em bolsa tornam-se mais atraentes, tendo muitos setores inseridos no índice Ibovespa valorizados e assim as ações sobem de preço, observando valorização. Com essa queda progressiva prevista pelo comunicado do Banco Central, a bolsa deverá perseguir um novo patamar, além dos 120 mil pontos atingidos recentemente.

Outro fator preponderante em relação a valorização do Ibovespa, que engloba todo o cenário brasileiro é a nova classificação Fitch Ratings para o país, saindo de BB- para BB, a agência de classificação de risco internacional pontuou que a elevação da nota de crédito brasileira reflete o desempenho macroeconômico e fiscal acima do esperado em meio a choques sucessivos nos últimos anos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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