Apenas 28% das empresas devem aumentar investimento em diversidade

Apenas 28% das empresas devem aumentar investimento em diversidade

Estudo mostra que líderes reconhecem múltiplos valores nas práticas de DE&I, mas que tema está longe de ser prioridade nas empresas

Investir em diversidade, equidade e inclusão é uma decisão percebida por executivos como importante para a retenção de talentos nas empresas, a evolução da sociedade e a reputação corporativa, segundo o estudo “DE&I e líderes de negócios”, realizado pelo instituto de pesquisa e big data Data-Makers e a agência de relações públicas CDN. A análise, que contou com a participação de 170 líderes de negócios, entre CEOs e C-Levels dos mais diferentes segmentos, tem o intuito de compreender como essas lideranças se relacionam com o tema, avaliando a evolução da pauta no Brasil e as expectativas para o futuro.

“Ao contrário do tema ESG, em que nosso estudo mostrou que a motivação principal para a adoção é a imagem da marca, chama atenção o fato de que os incentivos apontados pelos executivos para a promoção de Diversidade, Equidade e Inclusão revelam um entendimento mais genuíno sobre a função social das organizações e do impacto positivo de ações de DE&I para a relação entre a empresa e seus colaboradores”, afirma Fabrício Fudissaku, CEO da Data-Makers.

Muita consideração e pouca prioridade

O estudo também aponta que os líderes consideram diversidade, equidade e inclusão como assunto majoritariamente relevantes para o futuro dos negócios: 37% acham importante e 55% acreditam ser extremamente importante. Não por acaso, a maior parte dos executivos (77%) afirma ter conhecimento razoável sobre o tema. Outros 18% responderam ter total domínio e apenas 5% admitiram não ter qualquer conhecimento sobre a questão.

Apesar da noção do mercado sobre a importância da diversidade, equidade e inclusão, a maior parte dos CEOs e C-Levels acredita que a pauta é subestimada nas empresas (53%). Além da falta de prioridade para o tema, a escassez de profissionais capacitados e o pouco comprometimento das lideranças também estão as principais barreiras apontadas na adoção de práticas assertivas e consistentes de DE&I.

Investimentos e tomada de decisão

Os CEOs (35%) e o RH (29%) são os principais tomadores de decisões para ações de DE&I, seguidos pelo conselho de administração (15%), comitê interdisciplinar (9%) e área dedicada (1%). Numa primeira observação, pode parecer positivo que a liderança assuma o papel central nas iniciativas, mas há evidências de que isso decorre principalmente da inexistência de um arranjo de governança robusto e de profissionais com habilidades adequadas, ao invés de refletir um autêntico interesse por parte dos CEO’s ou do conselho.

Em termos de prognóstico de investimentos em DE&I para os próximos 12 meses, o cenário mostra tendências de estagnação e incerteza. Dos líderes da pesquisa, 51% dizem que a empresa deve apenas manter o nível de investimento, enquanto 14% afirmam ainda não saber. Dos que vão mexer no ponteiro desse budget, 28% pretendem aumentar o aporte, enquanto 7% devem diminuir.

Se as perspectivas para o crescimento de investimentos não foram favoráveis, ao menos os executivos têm a intenção de agir. De acordo com o estudo, uma parcela de 49% dos líderes demonstrou comprometimento em se envolver ativamente em iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I), seja contribuindo diretamente (31%) ou liderando essas iniciativas (21%). Outros 48% planejam dar suporte a tais ações, enquanto apenas 3% não têm interesse em participar.

Marcas e profissionais lembrados

Uma fatia considerável de executivos (22%) não soube apontar uma empresa que se destaca em DE&I no Brasil, um indicativo do estágio inicial da relação das companhias com o tema no país. Entre aqueles que atrelaram marcas ao tema, a Natura foi a organização líder em menções (13%), seguida de Magazine Luiza (9%), O Boticário, Nubank e J&J (5%). No total, 53 empresas foram citadas, e a pulverização das respostas é outro indicador do estágio ainda incipiente da pauta no universo corporativo.

Entre os executivos reconhecidos pela sinergia com a causa, Luiza Trajano foi o nome mais lembrado pela atuação em diversidade, equidade e inclusão, com 6% das menções. No total, 37 profissionais foram citados. Por outro lado, quase um quarto dos entrevistados não soube indicar nenhum profissional de referência, o que evidencia caminho aberto para quem quer construir autoridade nessa pauta. “A reputação de uma marca é avaliada pelo impacto que ela causa na sociedade. Nessa construção, é fundamental que empresas e líderes se abram para o diálogo com seus públicos e tenham uma prática adequada com o que propagam. O estudo mostra para as marcas e decisores de negócio que há muito potencial inexplorado para quem quer se posicionar bem dentro deste território ESG”, avalia Fabio Santos, CEO da CDN.

A iniciativa Data-Leaders tem como parceiros estratégicos a empresa de recrutamento Page Executive, o veículo Mundo do Marketing, o centro de estudos em liderança e governança Celint, a empresa especializada em inovação aberta Liga Ventures, além do apoio do portal de dados Data-Crush.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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