Percentual cobrado sobre combustíveis e o uso do ICMS devem ser avaliados

Percentual cobrado sobre combustíveis e o uso do ICMS devem ser avaliados

Os mais afetados por esse imposto será a classe com menor poder aquisitivo

O debate sobre o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) retornou à Câmara dos Deputados, esta semana. No diálogo, o item que gera grandes discussões é a incidência desse tributo sobre o combustível. De acordo com o professor de Ciências Econômicas da Faculdade Presbiteriana Mackenzie, Rubens Moura, o aumento da taxa pode elevar o custo de diversas mercadorias necessárias no cotidiano.

“É preciso analisar a qualidade do gasto, pois o cenário é de tributação excessiva. Há uma rede de transporte, logística e rodoviária que depende do diesel, gasolina e etanol. Se houver aumento do combustível, o transporte dos produtos também pode subir. De forma geral, o poder de compra do consumidor pode diminuir, assim como o bem-estar, devido aos altos preços dos itens essenciais. Os estoques das empresas tendem a estagnar devido à falta de venda”, alerta.

Segundo Moura, ao criar alíquotas sobre o combustível, energia elétrica e comunicação, o governo pode ampliar a arrecadação, mas por outro lado, pode ocorrer um reajuste no valor dos contratos.

“Os deputados podem optar pelo aumento na tributação, que gira em torno de 2% a 4%, e o impacto será sobre o preço dos produtos, porém uma incidência sobre eles pode diminuir o poder de compra da população, além de reduzir a arrecadação. O interesse é cobrir os déficits que estão altos, ao invés de cortar gastos”, explica.

O professor ressalta que os mais afetados por esse imposto serão a classe com menor poder aquisitivo, porque o imposto sobre os alimentos afeta a tabela de preço no comércio.

“As famílias com menor renda gastam mais no consumo. Já o rico consegue poupar e guardar mais dinheiro. Neste caso, se houver um aumento do ICMS, os produtos essenciais podem subir de preços, o que chamamos de efeito regressivo do produto”, aponta.

Ele ainda destaca que há um grande desafio sobre a distribuição dos tributos para os Estados e defende a necessidade de diálogo entre os governos do país.

“Todos os tributos são direcionados para o Tribunal de Conta da União (TCU), que redistribui em função da necessidade como infraestrutura e indústria. No estado do Rio de Janeiro, nem 25% do que é arrecadado volta para a região. Com essa política de distribuição, falta incentivo para que os Estados sejam impulsionados na produção. Há unidades federativas que enfrentam grandes desafios e recebem uma parcela maior do valor recolhido, mas é importante que todas as ações sejam revistas e os resultados desse investimento sejam avaliados”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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