Players do setor financeiro se unem para criar associação com foco no mercado de recebíveis

Em busca de um segmento mais dinâmico e transparente, fintechs criam a Associação Brasileira de Inovações em Recebíveis
Sob a perspectiva da atualização da norma que trata de recebíveis de cartões, com entrada em vigor prevista para novembro, bem como a agenda para digitalização de recebíveis, players do setor financeiro decidiram unir forças. Destrava Aí, Marvin, PagCartão e PayHop anunciaram a criação da Associação Brasileira de Inovações em Recebíveis (ABRIR). O objetivo é contribuir para o desenvolvimento do mercado de recebíveis, que passa por educação financeira e promoção da concorrência, temas caros ao Banco Central e que fazem parte da Agenda BC#. Recebíveis de cartão, popularmente conhecidos como “saldo das maquininhas”, são moedas de troca e podem ser utilizados para antecipação, crédito com garantia e até como meio de pagamento.
A organização atuará para contribuir com um mercado cada vez mais dinâmico e desenvolvido, aberto à competição, primando pela informação, transparência e qualidade dos serviços prestados aos donos dos recebíveis – sobretudo, Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
“Com grande impacto positivo na economia brasileira, as PMEs têm uma demanda legítima, crescente e não atendida por maior acesso a crédito e em melhores condições, que pode, inclusive, impulsionar o desenvolvimento dos seus negócios. Nosso objetivo é conscientizá-los sobre a força e flexibilidade dos recebíveis como elemento de negociação”, destaca Eduardo Rossi, CEO da PayHop e diretor-presidente da ABRIR.
Por meio de parcerias estratégicas e investimentos em tecnologia, a associação busca promover a disseminação das melhores práticas e soluções para o mercado de recebíveis. Dentre os desafios que serão enfrentados pela ABRIR estão: assegurar que os benefícios sejam colhidos na ponta; transparência para os estabelecimentos comerciais; educação financeira para que os pequenos e médios empreendedores entendam que são titulares de seus recebíveis de cartão e tenham conhecimento para utilizá-los. Para isso, a associação trabalhará por meio de eventos, workshops e cursos, a fim de divulgar boas práticas e conhecimentos atualizados sobre o mercado de recebíveis, que, apenas em 2022, movimentou mais de R$ 3 trilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
Para Cesare Iacovone, fundador e CEO da Destrava Aí, “as empresas integrantes da ABRIR reconhecem a competente ação do regulador nas atualizações recentes nas normas de registro, mas, ainda assim, entendem que existem muitos ajustes a serem feitos na implementação para que as mudanças sejam refletidas na prática”.
Flávio Altimari, fundador da PagCartão, também afirma que “a associação é uma forma de empresas entrantes no mercado terem espaço de igualdade para discussão com os grandes players que já atuam há anos neste mercado”. Conforme observa Luísa Soares, responsável pelo Jurídico da Marvin, “até a criação da ABRIR, não havia nenhuma associação dedicada exclusivamente aos recebíveis de cartão e composta apenas por empresas que têm seus modelos de negócio focados em negociações com recebíveis, portanto, que conhecem o assunto com tanta profundidade”.
Contexto
As normas de registro de recebíveis de cartões estão no centro dos debates do mercado de crédito e serão atualizadas em novembro deste ano. A mudança que por um lado, visa oferecer maior segurança e transparência ao sistema, também afetará o fluxo de valores a receber dos lojistas, que terão menos recursos disponíveis para investir nos seus negócios, em decorrência da ampliação da “reserva financeira”, instrumento do qual as empresas de “maquininha” bloqueiam parte dos recebíveis dos estabelecimentos comerciais para fazer frente a possíveis riscos futuros.
Os precedentes criados pelo mercado de recebíveis, podem impactar também a regulamentação do sistema de duplicatas, que deverá facilitar ainda mais o acesso a crédito para PMEs. Um exemplo é o debate sobre tarifas de interoperabilidade entre registradoras, que segue em alta no tocante aos recebíveis e às duplicatas. A atualização regulatória visa dar mais segurança ao uso do instrumento e, ainda que tenha um processo longo de implementação pela frente, aponta um potencial de R$ 15 trilhões por ano em negociações com duplicatas.
“Estamos lidando com mudanças radicais, com impactos significativos para todos os entes da cadeia, que, muitas vezes, têm processos já estabelecidos e que precisarão ser revistos. A ABRIR desempenhará papel fundamental nesse cenário de transformação do mercado financeiro. Queremos que a inovação chegue verdadeiramente à ponta final, ou seja, às PMEs”, conclui Eduardo Rossi.








