Setor atacadista distribuidor fecha setembro com crescimento de 8,4%
No acumulado do ano, acompanhando as tendências positivas do cenário de consumo no país, o aumento é de 15,5%
A nova edição do Termômetro ABAD NielsenIQ, que aponta a média do desempenho do setor atacadista distribuidor em relação ao faturamento, mostra crescimento de 8,4% em setembro no comparativo com o mesmo mês do ano passado. De acordo com acompanhamento histórico, é normal que haja retração entre agosto e setembro, o que se repete em 2023 (-14,8%). Apesar disso, no acumulado do ano (de janeiro a setembro), o setor mantém desempenho positivo de +15,5%, o que acompanha as tendências positivas do cenário de consumo no país.
Segundo Felipe Rutkosky, gerente sênior de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ, o comportamento no setor atacadista distribuidor está muito similar ao observado no varejo moderno das grandes redes. “Há desaceleração no crescimento do mercado com relação aos meses anteriores, principalmente no comparativo com o primeiro trimestre, mas vemos que o setor está trabalhando com aumento em volume, o que é saudável”, explica.
Felipe lembra que nos primeiros meses do ano havia um componente de inflação nos alimentos que fazia o mercado crescer de maneira consistente pelo repasse de preços, mas não em volume. Agora, o que se percebe, é que ainda que o aumento seja menor no final do terceiro trimestre, as vendas em volume estão se desenvolvendo em um terreno mais positivo do que o ocorrido em 2022.
O atual cenário econômico do país, de com dados da NielsenIQ que complementam o Termômetro, também se mostra positivo para o setor. De acordo com o IBGE, o PIB do segundo trimestre fechou com crescimento de + 3,4%, dando continuidade à trajetória de recuperação.
O desemprego também mostra queda sobre o ano passado nos relatórios do IBGE, chegando a 7,9% em julho de 2023 (em julho de 2022 o percentual era de 9,1%). “Quando olhamos para o campo econômico, vemos diminuição no nível total de desemprego em um movimento que tende a se intensificar no final do ano por conta das contratações temporárias e o aquecimento do comércio. Por outro lado, vemos um pequeno aumento na inflação em decorrência do fim da desoneração dos combustíveis, mesmo que o setor alimentício não seja impactado”, comenta Rutkosky.
O executivo da NielsenIQ explica que o avanço nos índices de desemprego que geram renda para a população somado à menor inflação dos alimentos tendem a melhorar o consumo no médio prazo.
Cestas e canais
Levantamento da NielsenIQ no mês de setembro mostra que o volume de vendas no varejo cresceu impulsionado pelas altas temperaturas que não eram esperadas para essa época do ano. De acordo com os dados apurados, o calor motivou o consumidor a comprar mais aparelhos eletroeletrônicos (Ar Condicionado e Ventiladores), Perecíveis (Sorvetes), Bebidas (Cerveja, Sucos e Refrigerantes) e H&B (Bronzeadores e Protetor Solar).
Em relação ao mesmo período de apuração no ano passado, que foi de 28 de agosto a 1º de outubro, a venda de eletrônicos cresceu +4,3%; de perecíveis frescos, +12,3%; de bebidas, +10%; de H&B, +7%. O crescimento médio em volume entre todas as cestas foi de +6,2%. Na contramão dos demais produtos da cesta, as comodities continuam a retrair em valor (-1,4%), embora estejam crescendo em volume (+5,6%).
Com exceção dos hipermercados, os canais de venda tiveram bom desempenho em setembro em valor. O destaque fica com C&C, que cresceu +13,1%, puxado pela abertura de lojas. O canal farma, que alta de +13,2%, continua apontando resultados positivos por conta do aumento de preços. Autosserviço e E-Commerce cresceram, respectivamente, +2,5% e +9,5%. Já os supermercados grandes foram os únicos com crescimento equilibrado, +6% em valor e +5% em unidade.


