Trabalhador brasileiro gasta em média R$ 46,60 para almoçar fora
Despesa mensal ultrapassa R$ 1 mil ou 35% do salário médio para uma refeição completa
É de R$46,60 o valor médio de uma refeição para o trabalhador brasileiro que almoça fora de casa, de acordo com a última pesquisa “Preço Médio da Refeição Fora do Lar”, realizada pela Mosaiclab, empresa de inteligência de mercado do grupo Gouvêa Ecosystem. Trata-se do mais importante e abrangente levantamento sobre preços de refeições fora de casa e o mais tradicional do país, realizado há mais de 20 anos.
O valor apurado neste ano é 14,7% superior ao registrado no ano passado, considerando-se a categoria de autosserviço, restaurantes a quilo e a la carte. A pesquisa aconteceu entre junho e agosto de 2023, em 4.516 estabelecimentos comerciais, 22 estados e o Distrito Federal. No total, foram coletados 5.470 preços de pratos em todo o Brasil, em estabelecimentos que servem refeições no horário do almoço, de segunda a sexta-feira.
No ano passado, o levantamento foi feito entre fevereiro e abril de 2022. A pesquisa foi encomendada pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT).
Variações regionais
Para calcular o preço médio a pesquisa considerou uma refeição completa composta por: prato principal, bebida não alcóolica, sobremesa e café. A região Sudeste é a que apresenta o preço médio mais elevado do país: R$ 49,33.
Confira os preços nas cinco regiões do Brasil:
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PESQUISA DE PREÇOS – BRASIL: R$ 46,60 |
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| Sudeste | Nordeste | Sul | Norte | Centro-Oeste |
| R$ 49,33 | R$ 43,55 | R$ 42,81 | R$ 42,29 |
R$ 41,75 |
Gasto de 35% do salário
De acordo com o IBGE, o salário médio no país era de R$ 2.921,00 na data em que a pesquisa foi iniciada, em junho de 2023. Isso significa que para se alimentar com uma refeição completa na hora do almoço, o trabalhador precisa desembolsar R$ 1.025,20 mensalmente ou o equivalente a 35% do salário médio. Três capitais se destacam com os preços mais altos. Florianópolis: R$ 56,11; Rio de Janeiro: R$ 53,90 e São Paulo com o preço médio de R$ 53,12.
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Também foram pesquisadas as refeições em quatro categorias: a la carte, executivo, autosserviço (a quilo e/ou buffet com preço fixo) e comercial (prato feito).
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Média Brasil |
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| A la carte | Executivo | Autosserviço
(Quilo e/ou buffet) |
Comercial (Prato Feito) |
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R$ 80,48 |
R$ 50,51 |
R$ 43,24 |
R$ 34,30 |
Aluguel e energia impactam
Uma série de fatores contribuíram para o aumento de preços na pesquisa deste ano, pondera Ricardo Contrera, sócio-diretor da Mosaiclab, empresa responsável pela pesquisa “Os estabelecimentos fazem um grande esforço para não elevar o valor da refeição, para manter e atrair consumidores. Mas sofrem diretamente os impactos dos reajustes dos preços públicos, como combustível e energia elétrica”, afirma Contrera.
Nos últimos meses houve aumentos dos preços da gasolina e do gás de cozinha que subiram cerca de 5% somente em julho. Foram aprovados ainda novos aumentos para a energia elétrica neste ano.
O cenário econômico pós-pandemia também se reflete nos preços. O retorno ao trabalho presencial elevou os aluguéis comerciais e os custos para as empresas do setor, avalia Contrera.
“Na pandemia, boa parte dos estabelecimentos ficaram fechados, atendendo basicamente via delivery. Muitos reduziram seu quadro de pessoal, mas tiveram que arcar com novos custos e as altas taxas de entrega”, destaca Contrera. “A volta aos escritórios e o retorno do atendimento presencial, que envolvem manutenção do espaço físico, recontratação de profissionais para o atendimento e até ações de marketing, exigiram novos investimentos por parte dos estabelecimentos”, avalia.
Pós-pandemia
A pesquisa mostra o percentual de estabelecimentos que oferecem o sistema de delivery, que era de 41% em 2019, passou a 60% em 2022 e em 2023 está em 44%, pouco acima dos níveis pré-pandemia.
Outra tendência apontada pelo estudo Crest/ Mosaiclab com consumidores de refeições fora do lar é o aumento do consumo nos dias úteis na hora do almoço nos estabelecimentos recuperando o espaço perdido ao longo da pandemia.
Em 2019, por exemplo, 74% dos consumidores realizavam as suas refeições nos estabelecimentos, percentual que caiu para 50% em 2021 na média brasileira e agora começa a se recuperar subindo para 61%.
PAT é fundamental
O resultado da pesquisa comprova ainda a importância da Lei do Programa de Alimentação ao Trabalhador, o PAT, que possibilita ao trabalhador brasileiro o recebimento dos vouchers no formato de vale-refeição e vale-alimentação. O PAT é considerado um dos programas sociais mais consolidados do mundo. As empresas que aderem conquistam isenção de encargos sociais.
O objetivo é o de melhorar as condições nutricionais dos trabalhadores, o que repercute de maneira positiva na qualidade de vida, na redução de acidentes de trabalho e no aumento da produtividade. Atualmente o PAT beneficia quase 25 milhões de trabalhadores de aproximadamente 300 mil empresas.


