Desigualdade salarial poderá crescer nos próximos anos, aponta pesquisa

Desigualdade salarial poderá crescer nos próximos anos, aponta pesquisa

Empresas mais novas pagam trabalhadores de maneira distinta do que as mais antigas

As políticas salariais das empresas que entraram no mercado nos últimos anos mostram um padrão que pode apontar para mais desigualdade no futuro. A conclusão é de uma pesquisa que demonstrou que empresas mais recentes apresentam maiores níveis de desigualdade salarial do que as mais antigas.

Melanie Wallskog, professora assistente de finanças na Duke Fuqua School of Business, escola de negócios da Duke University, nos EUA, examinou dados de folhas de pagamentos do Departamento do Censo dos Estados Unidos (do U.S. Census Bureau) e percebeu que as empresas que entraram no mercado após a década de 2010 estão mais dispersas na forma como pagam seus trabalhadores em relação àquelas que entraram no passado. E uma vez que as políticas de fixação de salários raramente mudam durante o ciclo de vida das empresas, estas conclusões também podem implicar um aumento da desigualdade salarial entre os trabalhadores nas próximas décadas.

Em uma transmissão ao vivo na página da Fuqua no LinkedIn, Wallskog comentou que a desigualdade salarial nos EUA aumentou lenta, mas consistentemente, durante as últimas cinco décadas. Segundo ela, hoje, considerando-se cem trabalhadores americanos, o décimo trabalhador mais rico tende a ganhar cerca de 13 vezes mais do que o décimo trabalhador mais pobre. Para fins de comparação, esse valor era nove vezes maior na década de 1980.

Wallskog disse que “70% desse aumento na desigualdade” deve-se à diferença de remuneração em distintas empresas, e não a questões internas nas organizações. “Não é a diferença entre quanto ganham o CEO e trabalhador médio da sua empresa que explica a maior parte do recente aumento da desigualdade”, destacou.

Desigualdade salarial

A professora também observou uma queda o número de empresas entrantes no mercado nos últimos 25 anos. O resultado é que, a cada ano, cresce a porcentagem de trabalhadores empregados em empresas mais antigas. Isto significa que, à medida que as empresas mais recentes – aquelas em que a diferença salarial é maior entre trabalhadores médios – envelhecem e ocupam a maior parte da força de trabalho, “a desigualdade salarial provavelmente também aumentará”, disse.

Wallskog tem várias razões que podem explicar porque as empresas mais novas são mais desiguais. Novas entrantes podem pagar trabalhadores semelhantes de forma diferente, disse ela, ou podem estar contratando trabalhadores com perfis distintos. Eles também podem se especializar em tecnologias e processos que resultam em salários mais baixos.

“As mudanças nas tecnologias afetam a forma como a mão-de-obra é utilizada e, portanto, a forma como a mão-de-obra é remunerada”, disse.

De acordo com a professora, as empresas mais recentes também são especializadas em quem contratam. Por exemplo, algumas só podem contratar trabalhadores com formação universitária, o que, de acordo com Wallskog, acaba resultando em mais desigualdade salarial entre as empresas.

Macrotendências

Outras macrotendências que afetam a desigualdade incluem a prática de terceirizar trabalhadores, a mudança na norma de distribuição de lucro com os trabalhadores e o declínio na sindicalização, afirmou a professora.

“No entanto, não acho que a retração dos sindicatos seja o maior impulsionador dessa tendência”, disse. “O aumento da desigualdade salarial entre as novas entrantes é comum em diferentes tipos de setores, não apenas naqueles em que is sindicatos diminuíram.”

Para Wallskog, todas essas macrotendências moldam quem as empresas mais recentes contratam e como elas pagam.

“Fundamentalmente, as empresas escolhem sua estrutura de compensação e os tipos de trabalhadores que contratam quando entram no mercado. E se apegam a esses parâmetros ao longo do tempo, porque as decisões gerenciais tendem a ser mantidas”, afirmou.

De acordo com a pesquisadora, a desigualdade é importante e tem consequências significativas sobre o bem-estar geral – especialmente nos EUA, onde os benefícios dos trabalhadores estão conectados a seus empregos e “questões como seguro de saúde, flexibilidade ou licença parental tendem a ser melhores em empresas em que os salários são mais altos, ” completou.

Para ela, a regulamentação pode desempenhar um papel na redução da desigualdade salarial. “Por exemplo, uma política que limite o offshoring (terceirização no exterior) e force as empresas a contratar mais trabalhadores norte-americanos provavelmente reduziria a desigualdade”, destacou.

Wallskog acredita que a regulamentação pode ser mais eficaz sobre os benefícios concedidos aos trabalhadores. “Os cortes de pessoal em empresas que não oferecem bons planos de saúde podem ser um argumento para a implementação de uma cobertura universal de saúde”, afirmou.

Crédito da Imagem – Vector Juice no Freepik

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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