Preços de medicamentos para hospitais sobem 3,40% em abril
Período foi marcado pela entrada em vigência dos reajustes anuais dos medicamentos
O Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), calculado pela Fipe a partir de dados de transações realizadas na plataforma Bionexo – empresa de tecnologia SaaS, líder em soluções para gestão em saúde, registrou aumento mensal de 3,4% em abril de 2024.
O período também envolveu pelo início da vigência dos reajustes anuais dos preços dos medicamentos ao consumidor final. De acordo com a decisão da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o reajuste máximo foi fixado linearmente em 4,5% – percentual inferior ao limite definido em 2023 (5,6%).
Comparativamente, a inflação mensal ao consumidor, medida pelo IPCA/IBGE, foi de 0,38% em abril, ao passo que a apuração do IGP-M apontou uma elevação mensal de 0,31% nos preços da economia brasileira. Além disso, dados do Banco Central indicaram que a taxa média de câmbio subiu 2,99% em abril, o que corresponde a uma depreciação da moeda brasileira no período de referência.
A variação positiva do IPM-H abrangeu a maioria dos grupos terapêuticos que integram a cesta de cálculo mensal do índice: imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+5,62%); órgãos sensitivos (+4,69%); agentes antineoplásicos (+4,26%); aparelho respiratório (+3,31%); sistema nervoso (+3,29%); preparados hormonais (+2,58%); anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (+2,48%); aparelho cardiovascular (+1,30%); aparelho digestivo e metabolismo (+0,82%); sangue e órgãos hematopoiéticos (+0,18%). Por outro lado, foram apurados recuos nos preços dos medicamentos classificados em dois grupos terapêuticos: aparelho geniturinário (-1,26%); e sistema musculoesquelético (-0,34%).
No balanço parcial de 2024 (até abril), o IPM-H registrou uma alta acumulada de 3,34%. Nesse recorte temporal, as variações de preço dos grupos terapêuticos foram as seguintes: sistema nervoso (+7,30%); imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+5,37%); órgãos sensitivos (+5,33%); aparelho geniturinário (+5,11%); agentes antineoplásicos (+4,41%); aparelho respiratório (+4,03%); sistema musculoesquelético (+2,14%); preparados hormonais (+1,80%); anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (+1,60%); aparelho digestivo e metabolismo (+1,53%); aparelho cardiovascular (-2,16%); sangue e órgãos hematopoiéticos (-2,27%).
Finalmente, considerando os últimos 12 meses encerrados em abril/2024, o IPM-H apresenta uma queda nominal de 2,29%. Nesse horizonte temporal, o comportamento negativo do índice pode ser explicado a partir do declínio nos preços observado na maioria dos grupos terapêuticos: aparelho digestivo e metabolismo (-28,24%); sangue e órgãos hematopoiéticos (-11,98%); sistema nervoso (-8,84%); preparados hormonais (-3,32%); sistema musculoesquelético (-2,93%); aparelho cardiovascular (-1,92%). Os demais grupos apresentaram valorização em 12 meses período: órgãos sensitivos (+4,09%); agentes antineoplásicos (+2,91%); aparelho respiratório (+2,39%); anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (+1,93%); aparelho geniturinário (+1,16%); imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+0,85%).
Na perspectiva de Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe: “a alta de 3,40% nos preços dos medicamentos para hospitais, captada na última leitura do IPM-H, veio em linha com nossas expectativas para o mês de abril, período em que, convencionalmente, entram em vigor os reajustes anuais nos preços definidos pela CMED (neste ano, de até 4,50%).
Embora estabeleçam limites às práticas comerciais em farmácias e drogarias, a regulação influi na sazonalidade e no comportamento dos preços no mercado de medicamentos como um todo. Dentro do histórico recente, o aumento mensal do IPM-H em abril de 2024 apresentou uma magnitude compatível com as variações registradas no mesmo período nos últimos dois anos: 2022 (+3,57%), de 2023 (+3,21%)”.


