Comitê do Ibef-PR chama a atenção para benefícios de semana de trabalho com 4 dias

Crédito da imagem: Divulgação Ibef/PR
Experiência com 22 empresas no Brasil revela aumento de produtividade e redução do estresse para os colaboradores
Um dia de trabalho a menos por semana pode resultar em maior produtividade e cumprimento de prazos. Pode parecer um contrassenso, mas esse é um dos resultados encontrados por uma pesquisa recente realizada pela organização sem fins lucrativos 4 Day Week Reconnect com apoio da brasileira Happiness at Work. Para o Comitê de Desenvolvimento de Executivos de Finanças do Ibef-PR, grupo que busca soluções e ferramentas para o desenvolvimento dos executivos financeiros, os achados da pesquisa precisam ser observados com atenção.
“Diminuir a jornada pode ter impactos significativos sobre a qualidade de vida dos profissionais, mas é preciso entender que esse tipo de iniciativa requer adaptações gigantescas nas estruturas das empresas, envolvendo aspectos legais, trabalhistas e financeiros”, diz Felipe Laufer, coordenador do Comitê de Desenvolvimento de Executivos de Finanças do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná.
A pesquisa da 4 Days Week reuniu 22 empresas brasileiras para medir os impactos de se implementar uma semana de trabalho com 4 dias “úteis”. As empresas se inscreveram para o experimento em agosto, e entre setembro e outubro passaram por uma fase de treinamento. A maior parte das empresas iniciou o projeto em janeiro de 2024. Após três meses, vários resultados, ainda que parciais, se revelaram muito positivos. Houve diminuições significativas nos sentimentos de exaustão (-64,5%), frustração (-56,5%), desgaste emocional (-49,3%), além da redução de 62,7% do estresse no ambiente de trabalho.
Os resultados apontaram ainda que 28,6% dos participantes não mudariam de emprego para trabalhar 5 dias semanais por qualquer valor, e mais de 50% deles relataram melhorias na capacidade de cumprir prazos, angariar clientes, executar projetos e estimular a criatividade.
Para Laufer, do Ibef-PR, os resultados até agora mostram alguns caminhos para o futuro das organizações e das relações de trabalho. “Iniciativas como estas vêm sendo testadas em todo o mundo, ainda que sem muitos resultados conclusivos, mas mostram alguns indícios positivos. Especialmente no pós-pandemia, aspectos de qualidade de vida, que já eram bastante considerados por executivos, passaram a ter um peso maior na tomada de decisões de carreira. Mas é preciso avaliar o andamento dessas iniciativas e o impacto delas no longo prazo, considerando também a saúde financeira das organizações participantes desses estudos, bem como o comportamento de seus resultados”, explica Laufer.
Para o coordenador, toda organização deve olhar com atenção para iniciativas que conjuguem aumento de qualidade de vida com maior produtividade. “Com tantas iniciativas e com apoio de tecnologia, com evoluções da Inteligência Artificial, por exemplo, espera-se que possamos alcançar maiores níveis de entrega com menor esforço ou, no mínimo, concentrando-se em tarefas mais estratégicas e de maior geração de valor”, conclui Felipe.








