Após seis anos, Eternit sai da Recuperação Judicial

Após seis anos, Eternit sai da Recuperação Judicial
O presidente da Eternit, Paulo Andrade, e o diretor de RI, Vitor Mallmann.

Companhia encerra RJ saudável financeiramente, com aquisição de concorrente e parque industrial ainda mais robusto

A Eternit – companhia focada no setor de materiais de construção e líder de mercado no segmento de coberturas – anunciou, nesta sexta-feira (09), a saída oficial de seu processo de Recuperação Judicial (RJ). O encerramento do processo foi sentenciado pelo Juiz de Direito da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo e ocorre cerca de nove meses após petição protocolada pela companhia, em 18 de outubro de 2023, em que aditava seu Plano no que diz respeito aos credores concursais trabalhistas (Classe I). Esta era a última pendência jurídica esperada pela empresa para virar definitivamente a página do processo de recuperação judicial, cujo pedido foi ajuizado em março de 2018.

A saída da RJ ocorre em um momento de conclusão de um ciclo de reestruturação, que começou em 2017, liderado pelo então presidente Luís Augusto Barbosa, e de entrada em uma nova fase de crescimento e expansão dos negócios com o atual presidente Paulo Roberto de Oliveira Andrade, que assumiu o cargo em julho de 2023 vindo do Conselho de Administração da empresa, no qual ingressou em abril/2020. Com o desfecho, a companhia espera, entre outras vantagens, maior facilidade no acesso a crédito para condução de seus futuros projetos.

“A Eternit está saudável financeiramente e com todas as suas dívidas equacionadas. A recuperação judicial já era considerada, na prática, um capítulo finalizado para a Companhia, que teve importantes conquistas durante o período. Nós nos reinventamos ao longo de toda a jornada e estamos otimistas com esta nova etapa. Ganhamos uma perspectiva mais poderosa para nosso desenvolvimento e seguiremos apostando em inovação“, destaca Andrade.

Outro ponto importante ressaltado pelo presidente é que, após anos de investimento, o momento é de apresentar resultados aos acionistas: “Somos uma empresa brasileira com uma longa de história de 84 anos e com 9 fábricas em várias regiões do país. Recentemente, compramos uma concorrente, lançamos duas linhas de telhas solares, aumentamos a capacidade de nossas fábricas e investimos em um projeto greenfield muito estratégico no Nordeste. Agora, o foco é rentabilizar os ativos usando toda a capacidade adicional que construímos e investir no mercado de sistemas construtivos e fotovoltaico”, complementa.

Novo acordo

A forma de pagamento da Classe I era uma pendência discutida no STJ, que envolvia prazos e métodos de quitação para valores de processos trabalhistas acima de R$ 250 mil. Enquanto aguardava o desenlace da ação, a companhia desenvolveu uma alternativa mais favorável para os credores trabalhistas, preservando, ao mesmo tempo, a estrutura de ativos e caixa originalmente destinados ao pagamento de credores prevista no plano de Recuperação Judicial aprovado em 2019.

Com a homologação do acordo, a empresa quitará créditos de valores de até R$ 250 mil, por credor em 90 dias, antecipando o prazo inicialmente previsto de um ano. A parcela do crédito superior a R$ 250 mil migrará para a forma de pagamento prevista para a Classe III, cujo montante original foi totalmente quitado através da venda de ativos, sendo ainda disponíveis itens para alienação, cujos recursos serão destinados para quitação dos valores excedentes.

Linha do tempo da Recuperação Judicial

A Eternit atingiu importantes marcos ao longo dos últimos seis anos, que a colocaram como uma exceção dentro do grupo de empresas que ingressam em um processo de turnaround. Dados da Serasa Experian apontam que apenas 23% das empresas sobrevivem a uma recuperação judicial.

2017/2018 – Reestruturação

Em março de 2018, a companhia recorreu à RJ de forma preventiva, em decorrência da necessidade de substituição da fibra mineral crisotila como matéria-prima na produção de telhas de fibrocimento pela fibra sintética de polipropileno, o que gerou altos custos para a adaptação das fábricas. A Eternit, que havia renovado toda a sua diretoria em 2017, aproveitou o momento de reestruturação para fazer um balanço de rentabilidade, abandonando negócios com baixa atuação competitiva, como louças, metais sanitários e reservatórios de água, e priorizando as telhas de fibrocimento como carro-chefe.

2020 – O ano da retomada

O auxílio-emergencial concedido pelo governo a uma parcela da população e o isolamento social, em decorrência da pandemia de Covid-19, além dos juros mais baixos, impulsionaram o crescimento das vendas de materiais de construção no varejo e, consequentemente, da produção nas fábricas. Esta demanda aquecida por produtos de construção civil durante a pandemia fez a companhia prosperar em 2020. O lucro líquido da Eternit naquele ano foi de R$ 158,7 milhões, o primeiro resultado positivo desde 2015.

2021 – O melhor resultado financeiro da década

Em 2021, a companhia se mostrou resiliente em um cenário de contínua elevação de preços de matérias-primas e demais insumos de produção, restrições na logística internacional e arrefecimento da demanda do setor de material de construção, principalmente ao longo do segundo semestre de 2021. Ainda assim, a empresa terminou 2021 registrando o seu melhor resultado financeiro anual da década, alcançando um EBITDA ajustado de R$ 337 milhões, e Lucro Líquido de R$ 269 milhões, 70% acima do registrado em 2020.

2022 – Aquisição de concorrente e distribuição de dividendos

Em 2022, a Eternit concluiu a aquisição da concorrente Confibra, desembolsando R$ 110 milhões na operação, a fim de fortalecer a sua operação no Estado de São Paulo. No mesmo ano, voltou a distribuir dividendos e juros sobre capital próprio a seus acionistas.

2023 – Ampliação do parque industrial

Focada em modernizar o parque industrial de fibrocimento, expandiu suas unidades do Rio de Janeiro e de Goiânia. Também anunciou investimentos da ordem de R$ 24 milhões em sua unidade fabril de Manaus, responsável pela produção de fibras de polipropileno – matéria-prima para as telhas de fibrocimento, representando um aumento de cerca de 50% da capacidade produtiva atual. Com as ampliações e a aquisição da Confibra, alcançou em 2023 a capacidade instalada de 90 mil toneladas/mês no segmento.

2024 – Maior projeto dos últimos 50 anos é inaugurado no Ceará

Em abril deste ano, a Eternit inaugurou sua nova fábrica de telhas de fibrocimento em Caucaia, no Ceará, o seu maior projeto dos últimos 50 anos. Com capacidade de 6,5 mil t/mês e investimento de R$ 187 milhões, valor integralmente desembolsado, a nova unidade industrial foi idealizada para ser uma fábrica moderna e modelo em sustentabilidade, contemplando um gerador Eternit Solar, com capacidade equivalente a 25% do consumo total de energia elétrica da fábrica. No 1T24, a unidade produziu cerca de 9 mil toneladas, cumprindo sua programação de ramp up da produção.

Guinada ESG

Outra guinada com viés inovador foi o desenvolvimento da primeira geração de telhas fotovoltaicas do país, no modelo de concreto (Tégula Solar) e de fibrocimento (Eternit Solar). Desde 2019, a companhia vinha investindo nesta frente inédita de produtos, através de rigorosos testes de desempenho e durabilidade, no Brasil e no exterior, ao longo de quase três anos. Ambas as linhas, homologadas pelo Inmetro, utilizam um processo de fabricação único no mercado, que permite que o módulo de captação de energia solar seja integrado às telhas, diferentemente dos tradicionais painéis solares, obtendo excelente performance mesmo quando operando em temperaturas mais elevadas.

A comercialização do produto Tégula Solar foi iniciada no segundo semestre de 2021 e da Eternit Solar no primeiro semestre de 2023. Este último, mais econômico, foi desenvolvido com o propósito de popularizar o emprego da energia solar no mercado brasileiro, permitindo que pequenos comércios, escolas, casas populares e em comunidades, por exemplo, compensem boa parte, ou mesmo a totalidade, de seus gastos com a autogeração de energia. Por esta inovação, a Eternit recebeu, em 2022, o registro de patente verde pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), detendo o direito exclusivo de exploração comercial da tecnologia no Brasil.

Outra aposta sustentável da companhia para os próximos anos está em seu portfólio de Sistemas Construtivos – produtos diferenciados e de alto desempenho, que garantem soluções para facilitar o trabalho e oferecer praticidade em sistemas de construção a seco, já amplamente utilizados em países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. A Eternit entende que é um mercado com grande potencial a ser explorado no Brasil e cujos bons resultados já aparecem em seus balanços financeiros. “Todas estas inovações são parte deste novo futuro que estamos construindo para a Eternit”, finaliza Paulo Roberto de Oliveira Andrade, presidente da empresa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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