Confiança no futuro do mercado é a mais baixa da série histórica

Confiança no futuro do mercado é a mais baixa da série histórica

O mercado de trabalho segue em um cenário de ajustes, exigindo decisões estratégicas das empresas e profissionais

Em sua primeira edição de 2025, a pesquisa do Índice de Confiança da Robert Half (ICRH) apontou que apenas trabalhadores empregados se tornaram mais confiantes ao analisar o contexto atual, avançando de 43,9 para 45,9 (+2,0 pp).

Confira abaixo os principais resultados da 31ª edição:

  • O ICRH sinalizou um cenário de maior cautela. O índice atual consolidado caiu de 39,9 para 38,6 (-1,3pp), enquanto o indicador futuro recuou de 45,4 para 43,3 (-2,1 pp), o nível mais baixo da série histórica, iniciada em julho de 2017. A queda mais significativa no índice futuro indica uma visão pessimista sobre os próximos meses. Por outro lado, a retração menos acentuada no índice atual sugere certa estabilidade no curto prazo.

  • Entre os fatores que estabilizaram o indicador está a taxa de desemprego, que segue em queda e atingiu o patamar mais baixo da série histórica, registrando 6,2% para a população em geral (-0,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior) e apenas 3% para trabalhadores qualificados.

  • No mercado de trabalho qualificado, a realidade é de pleno emprego, ou seja, pessoas que buscam oportunidades e atendem às competências exigidas pelos contratantes permanecem pouco tempo desempregadas (ou na mesma companhia, por conta das oportunidades recebidas).
  • Esses números do ICRH refletem um momento de maior prudência, porém adiar tomada de decisões, inclusive de contratação, pode gerar impactos negativos. Postergar projetos hoje pode significar escassez de talentos amanhã, resultando em pressões salariais e dificuldades na retenção.
  • O mercado permanece dinâmico, e profissionais continuam atentos às oportunidades. Empresas que demoram a agir podem perder talentos estratégicos para concorrentes mais preparados.

  • O ICRH é um indicador de difusão que varia de 0 a 100 pontos. Os indicadores são de base móvel (50 pontos), construídos de forma que valores acima de 50 indicam confiança dos agentes do mercado de trabalho.
  • A sondagem considera a mão de obra qualificada, composta por trabalhadores a partir de 25 anos com ensino superior completo. Os entrevistados foram divididos em três categorias: profissionais responsáveis pelo recrutamento nas empresas, profissionais com emprego e profissionais sem emprego.


Confiança no mercado de trabalho – consolidado
 (em pontos)

MomentoMarço
2024
Junho
2024
Setembro
2024
Dezembro
2024
Março
2025
Situação atual39,438,938,039,938,6
Próximos seis meses46,845,944,745,443,3

Categorias

Empregados permanentes foram os únicos com crescimento no período atual (+2,0 pp), mas com queda na expectativa futura (-1,7pp). Por outro lado, desempregados e recrutadores demonstraram maior insegurança, com quedas tanto no presente quanto nas projeções futuras.

Da mesma forma, na comparação com o mesmo período de 2024, somente as pessoas empregadas se mostraram mais confiantes ao analisar o presente. No entanto, se tornaram ligeiramente mais pessimistas ao avaliar o futuro.

Empregado(a)s

Confiança dos empregado(a)s no mercado de trabalho

MomentoMarço 2024Junho 2024Setembro2024Dezembro2024Março 2025
Situação atual43,444,842,443,945,9
Próximos seis meses45,346,146,146,344,6

 

  • A diminuição do pessimismo em relação ao contexto atual, pela 2ª edição consecutiva, passa pelas baixas taxas de desemprego, que possibilitam maior protagonismo a quem mantém o foco em atualização constante, especialmente em áreas de alta demanda.
  • Em um processo seletivo, além do salário, os cinco aspectos mais importantes na escolha de uma vaga são:
    • Pacote de benefícios (87%)
    • Possibilidade de equilíbrio entre vida pessoal e profissional (69%)
    • Possibilidade de trabalho remoto ou híbrido (64%)
    • Distância entre a casa e a empresa (50%)
    • Perspectiva de crescimento (47%)
  • Atualmente, 62% sentem-se seguros quanto à manutenção dos seus empregos. Avaliando as perspectivas para o futuro, 66% pensam que a situação tende a se manter igual, enquanto 23% pressupõem um aumento ainda mais significativo nessa confiança.

    Recrutadores

Confiança dos recrutadores no mercado de trabalho 

MomentoMarço 2024Junho

2024

Setembro

2024

Dezembro

2024

Março

2025

Situação atual39,839,238,141,037,2
Próximos seis meses48,347,746,547,545,5
  • A queda na confiança pode ser atribuída à avaliação do ambiente econômico do país, visto que 60% dos recrutadores o avaliam ruim e 48% preveem uma tendência de piora no médio prazo.
  • Por outro lado, 36% consideram que, com relação à área (setor) de atuação de suas empresas, a situação do mercado de trabalho hoje é boa e 82% acreditam que o cenário estará igual ou ainda melhor no segundo semestre.
  • 80% das companhias relatam dificuldades na contratação de talentos qualificados. Entre as pessoas que contratam, 60% não esperam mudanças nos próximos seis meses e 32% (+3,5 pp) preveem um cenário ainda mais desafiador.

    Desempregado(a)s

Confiança dos desempregado(a)s no mercado de trabalho

MomentoMarço 2024Junho 2024Setembro 2024Dezembro 2024Março 2025
Situação atual35,132,533,534,732,8
Próximos seis meses46,744,044,242,543,3
  • 31% estão pouco otimistas quanto às suas chances de recolocação no mercado. Por outro lado, 33% acreditam que a probabilidade será mais alta nos próximos meses.
  • 94% estariam dispostos a aceitar uma proposta de emprego para um projeto especializado com tempo determinado.

Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul, comenta os resultados:

“Chama a atenção que o indicador futuro tenha atingido o patamar mais baixo da série histórica. Porém, não é um resultado recebido com surpresa, pois a incerteza faz parte da contemporaneidade. O que nós, enquanto mercado, precisamos é aprender a lidar com esse ambiente de constantes transformações. Em vez de paralisar diante do cenário atual, o foco deve estar em planejamento e ações que combinem cautela com estratégia”.

31ª edição do ICRH é resultado de uma sondagem conduzida pela Robert Half ao longo dos meses de janeiro e fevereiro de 2025, com base na percepção de 1.161 profissionais, igualmente divididos em três categorias: recrutadores (profissionais responsáveis por recrutamento nas empresas ou que têm participação no preenchimento das vagas); profissionais qualificados empregados; e profissionais qualificados desempregados (com 25 anos ou mais e formação superior).

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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