Atualização da NR-1 exige novo olhar do RH

Tecnologia se torna peça-chave para garantir conformidade
O Ministério do Trabalho anunciou que a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrará em vigor em 26 de maio de 2025. No entanto, a aplicação de autuações e penalidades foi adiada para 2026, permitindo que o primeiro ano seja voltado à orientação e adaptação das empresas. Apesar da postergação das sanções, especialistas reforçam que o momento exige ação imediata. As mudanças introduzidas pela nova NR-1 vão muito além do registro de treinamentos e impactam toda a estrutura organizacional, demandando ajustes em processos internos, infraestrutura e práticas de gestão de pessoas.
Atualizada para fortalecer a saúde, segurança e organização do trabalho, a nova NR-1 amplia a responsabilidade das empresas, estabelecendo a obrigatoriedade de treinamentos introdutórios e periódicos devidamente registrados, a análise de riscos psicossociais, a criação de ambientes mais seguros e a adoção de ações preventivas que envolvam todos os níveis hierárquicos. Nesse cenário, o RH deixa de ser apenas um executor de treinamentos para assumir uma função central de articulador da conformidade e da cultura organizacional.
“Estamos vivendo uma mudança de mentalidade. A nova NR-1 não trata apenas de formalidades, mas de uma nova postura preventiva que precisa permear toda a organização. O RH assume um papel crucial, conectando a gestão de pessoas à estratégia de saúde e segurança no trabalho”, avalia Renan Conde, CEO Brasil da Factorial.
Um ponto fundamental para a adequação é que a definição de medidas necessárias não deve ser feita de forma isolada pelo RH. O diagnóstico inicial precisa ser realizado por profissionais de saúde e medicina ocupacional, que têm competência técnica para avaliar riscos, propor planos de ação e orientar intervenções específicas. Cabe ao RH, a partir dessas orientações, organizar, hospedar e monitorar os planos definidos, garantindo a rastreabilidade das ações e a segurança das informações.
Essa jornada de adaptação exige a superação de práticas manuais e descentralizadas, que não oferecem suporte à complexidade dos novos requisitos legais. A digitalização dos processos passa a ser essencial para que o RH tenha controle sobre prazos de treinamentos, acompanhamento de planos de ação, registro de documentos e dados de saúde ocupacional. Mais do que cumprir formalidades, a tecnologia permite estruturar fluxos de trabalho mais eficientes, antecipar riscos e apoiar o bem-estar dos colaboradores.
O uso de soluções digitais também proporciona maior agilidade à gestão, permitindo ao RH acompanhar vencimentos de certificações, monitorar indicadores relacionados à saúde organizacional e gerar relatórios em tempo real para auditorias ou fiscalizações. Em um cenário de fiscalização mais intensa e rigorosa a partir de 2026, garantir a rastreabilidade de todas as ações será um diferencial para proteger tanto a empresa quanto seus colaboradores.
A nova NR-1 também lança luz sobre um tema que vem ganhando cada vez mais importância no ambiente de trabalho: os riscos psicossociais. Para monitorar e mitigar esses riscos, ações como a realização de pesquisas psicossociais, o incentivo à saúde mental e a criação de canais seguros de denúncia tornam-se estratégicas. Essas iniciativas, no entanto, devem sempre estar alinhadas às orientações do diagnóstico ocupacional, respeitando a responsabilidade técnica dos profissionais de saúde.
“Além dos riscos físicos, os fatores psicossociais impactam diretamente a produtividade e a saúde mental dos times. Investir em um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor não é apenas uma exigência legal: é um diferencial competitivo para atrair e reter talentos”, reforça Conde.
A adequação à NR-1, portanto, representa uma oportunidade para que o RH fortaleça seu papel estratégico nas organizações. Mais do que buscar apenas a conformidade legal, trata-se de adotar uma postura preventiva e cuidadosa, que protege as pessoas, reforça a cultura organizacional e contribui para um ambiente corporativo mais seguro e sustentável. Além disso, essa abordagem reduz a exposição a imprevistos que podem gerar custos significativos, como processos de desligamento, realocação de recursos e litígios trabalhistas. A tecnologia, nesse contexto, é uma aliada fundamental para dar suporte à transformação exigida pelo novo cenário regulatório.
Digitalizar para garantir segurança jurídica
Com a nova NR-1, o não cumprimento de obrigações formais, como a ausência de comprovação de treinamentos ou registros inconsistentes, pode gerar autuações e multas. De acordo com dados do Radar SIT (Sistema de Informações de Fiscalização do Trabalho), em 2024 foram aplicadas mais de 24 mil autuações relacionadas a descumprimentos de normas de segurança e saúde no trabalho no Brasil.
Para evitar esse tipo de passivo, soluções de RH com foco em conformidade têm ganhado protagonismo. A plataforma da Factorial, por exemplo, permite automatizar a gestão dos treinamentos legais, enviar notificações aos colaboradores, controlar prazos de reciclagem e centralizar os certificados em um repositório digital acessível para auditorias internas e externas.
“Além da automatização, a tecnologia proporciona visibilidade sobre os processos e permite ao RH agir de forma preventiva. O gestor sabe exatamente quando um colaborador precisa ser recertificado, consegue gerar relatórios instantâneos e documentar todas as ações — algo fundamental em caso de fiscalizações ou ações judiciais trabalhistas”, explica Conde.
O especialista ressalta ainda que a NR-1 representa uma oportunidade para o RH assumir uma postura mais estratégica e preventiva dentro das organizações. “A conformidade legal não é só uma obrigação: é uma forma de proteger pessoas, reforçar a cultura de segurança e fortalecer a reputação da empresa. Com tecnologia, o RH consegue ter um papel ativo nesse processo, liderando a transformação”, reforça.
Segundo ele, a digitalização do RH vai além do compliance. Ao centralizar dados, automatizar fluxos e facilitar a tomada de decisão, essas ferramentas ajudam a aumentar a eficiência operacional e melhorar a experiência dos colaboradores. “Estamos diante de um momento em que tecnologia e legislação se encontram. Quem conseguir transformar essa convergência em vantagem competitiva terá muito mais chances de crescer com sustentabilidade e segurança jurídica”, conclui Conde.








