Cenário econômico para o segundo semestre combina valorização do real com perspectiva de desaceleração

Cenário econômico para o segundo semestre combina valorização do real com perspectiva de desaceleração

Análise do economista-chefe da Acrefi destaca forças opostas no ambiente macroeconômico brasileiro

A edição de junho do boletim Visão Financeira, elaborado por Nicola Tingas (economista-chefe da Acrefi), apresenta uma leitura estratégica sobre o cenário econômico para o segundo semestre de 2025. Segundo a análise, o Brasil deve experimentar um ambiente ambivalente, com fatores positivos no campo cambial e comercial, contrastando com previsões de desaceleração da atividade econômica.

Entre os destaques, o relatório aponta que a valorização de 11,6% do real no primeiro semestre de 2025 está ligada à combinação entre a política monetária restritiva brasileira e os impactos globais da chamada “Agenda Trump”. A instabilidade gerada pela nova administração norte-americana, somada ao enfraquecimento do dólar como moeda de reserva global, tem provocado uma reconfiguração nos fluxos de capital internacionais. “Esse movimento tem ampliado a atratividade de mercados emergentes, como o Brasil, que oferecem diferencial de juros e menor exposição à guerra tarifária em curso”, explica Tingas.

O relatório também aponta o reposicionamento de ativos nos bancos centrais globais, com o ouro assumindo papel de destaque enquanto reserva de valor – com alta de 25%, em meio à busca por proteção diante da instabilidade internacional. Já o Ibovespa apresentou desempenho superior ao das bolsas americanas, impulsionado pela atratividade dos ativos brasileiros e pela migração de capitais para economias emergentes com diferencial de juros positivo.

“Por ter uma economia relativamente fechada, o Brasil tende a sentir com menor intensidade os impactos da guerra tarifária, ao mesmo tempo em que amplia suas oportunidades de exportação, sobretudo no setor agropecuário”, explica o economista.

Apesar dos pontos favoráveis, o periódico alerta para uma perda de tração da economia nos próximos meses. Ainda que o PIB tenha superado as expectativas no primeiro semestre, os mais recentes indicadores de confiança e desempenho setorial já apontam para uma desaceleração, com efeitos mais claros a partir do quarto trimestre.

Segundo a análise, os estímulos governamentais ampliaram emprego e renda para patamar bastante positivo; mas, por outro lado, mantém atividade econômica em intensidade que sanciona trajetória da inflação acima da meta para vários anos, implicando que o Copom (Banco Central) tenha de manter os juros reais elevados, na faixa de 10% ao ano, por longo período até que a queda das expectativas de inflação ocorra.

No campo fiscal, o relatório observa um esgotamento da política expansionista promovida pelo governo federal motivado pelos déficits orçamentários persistentes e fontes de financiamento insuficientes que fazem crescer a pressão por aumento de receitas via elevação de tributos. A proposta de aumento do IOF, por exemplo, tem enfrentado forte resistência do mercado e do Congresso, revelando as dificuldades políticas para sustentar medidas arrecadatórias num ambiente de baixo crescimento e elevado custo de capital.

“O Brasil vive um momento de transição e resiliência. O real fortalecido e a atratividade para investimentos estrangeiros representam uma janela de oportunidade, mas o crescimento sustentado exige atenção à política fiscal e ao controle das expectativas de inflação”, conclui Tingas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *