Brasil concentra 61% das detecções de trojans bancários na América Latina

Brasil concentra 61% das detecções de trojans bancários na América Latina

Fraudes digitais movimentam milhões em prejuízos e obrigam empresas a reforçar gastos com tecnologia, seguros cibernéticos e programas de conscientização de clientes

O Brasil se consolidou como o principal alvo de trojans bancários na América Latina, respondendo por 61% das detecções registradas na região em 2024 – um aumento de cerca de 15% em relação ao ano anterior – , segundo o ESET Security Report 2025, relatório anual da ESET, empresa líder em detecção proativa de ameaças.

Esses malwares são programas criados para roubar credenciais financeiras, como logins e senhas de internet banking, e também explorar transações em tempo real. Os trojans bancários se espalham por campanhas de phishing, instaladores falsos e até downloads disfarçados em sites comprometidos.

“O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário de trojans bancários, e isso reflete tanto a sofisticação dos grupos locais quanto a atratividade do mercado financeiro nacional. O resultado é uma pressão adicional sobre bancos e empresas, que precisam aumentar seus investimentos em segurança digital para preservar a confiança de clientes e parceiros,” afirma Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET Brasil.

A expansão de sistemas como o PIX, as carteiras digitais e o open finance amplia a superfície de ataque e exige novos padrões de proteção. O Brasil, justamente por ser um mercado inovador em meios de pagamento, tornou-se um alvo de interesse para grupos criminosos especializados.

De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre julho de 2024 e junho de 2025, cerca de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes financeiros envolvendo PIX ou boletos bancários, resultando em um prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões.

Segundo a ESET, a atividade dessas ameaças se mantém constante ao longo dos anos, mesmo diante de operações policiais e esforços de conscientização. Entre os grupos mais conhecidos estão o Guildma, de origem brasileira, e outros como Mispadu, Amavaldo, Casbaneiro e Mekotio. No jargão técnico, essas “famílias” são variações de softwares maliciosos que compartilham código e estratégias semelhantes para atingir o mesmo objetivo: fraudar o sistema financeiro.

Impacto econômico e estratégico

O efeito desse cenário não se limita às perdas diretas com fraudes. Para o setor financeiro, o custo se traduz também em investimentos adicionais em cibersegurança, contratação de seguros contra riscos digitais e medidas regulatórias mais rígidas. Para empresas de outros segmentos, que também podem ter suas credenciais comprometidas, há impacto na continuidade de negócios e na confiança de clientes.

De acordo com o mesmo levantamento, uma em cada 4 empresas brasileiras sofreu ciberataques no último ano. O estudo revela, ainda, que os prejuízos causados por ataques digitais não se restringem a perdas financeiras. Entre as empresas que sofreram vazamento, sequestro ou destruição de dados, 1 em cada 5 relatou consequências severas, como ações judiciais, quebra de contratos e paralisação de operações.

Outros dados do relatório revelam que 73% das companhias brasileiras ainda não contrataram seguros contra riscos cibernéticos. Além disso, menos da metade promove treinamentos estruturados em segurança digital, o que demonstra uma lacuna crítica entre a percepção de risco e a preparação prática diante das ameaças.

“O combate a esse tipo de ameaça exige mais do que tecnologia. É preciso criar uma cultura de segurança em que colaboradores e consumidores sejam capazes de identificar golpes, adotar boas práticas e compreender que proteção digital é um componente estratégico da economia,” acrescenta Barbosa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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