76% das empresas relatam perdas financeiras superiores a US$ 100 mil

76% das empresas relatam perdas financeiras superiores a US$ 100 mil

77% das organizações tiveram incidentes relacionados a perda de dados, nos últimos 18 meses

Pesquisa realizada pela Fortinet, em parceria com a Cybersecurity Insiders, revelou que 77% das organizações relataram ao menos um incidente de perda de dados nos últimos 18 meses. Sobre à frequência, 29% identificaram entre uma e cinco ocorrências, e 37% relataram de seis a 20, no período. Realizada com 883 profissionais de TI e segurança cibernética (43% deles em cargos de gerência e direção) de diferentes setores, portes de empresas e funções, o estudo intitulado Relatório de Segurança de Dados de 2025 investigou os principais desafios em Prevenção de Perda de Dados (DLP), com foco em lacunas de visibilidade, maturidade de implementação e prioridades para soluções de próxima geração.

As consequências registradas se estendem além das áreas de segurança. Em seus incidentes mais graves, 45% das organizações relataram perdas financeiras. Os danos à reputação foram observados em 43%. E interrupções operacionais foram observados em 39%. Impactos legais e regulatórios foram mencionados por 36%. E 29% apontaram perda de propriedade intelectual. O levantamento mostra ainda que 76% das empresas tiveram prejuízo superior a US$ 100 mil. Outros, 41% registraram entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões. E 9% ultrapassaram US$ 10 milhões. Apenas 8% disseram que o incidente mais crítico não teve impacto relevante.

Alexandre Bonatti, vice-presidente de engenharia da Fortinet Brasil, avalia que “os dados atestam que a perda de informações deixou de ser um problema circunscrito às áreas de segurança ou conformidade. Ela afeta o negócio em sua totalidade, interferindo em receita, operações e competitividade. Isso exige que conselhos e executivos encarem o risco de dados como parte da estratégia corporativa, e não como uma questão exclusivamente técnica”.

Dados mais afetados

Os tipos de dados mais afetados foram registros de clientes (53%) e informações pessoalmente identificáveis (47%), seguidos por informações financeiras, planos estratégicos e roteiros de produtos (40%), credenciais de usuários (36%) e propriedade intelectual (29%). O estudo destaca que, em indústrias como manufatura, biotecnologia e design, a exposição de propriedade intelectual pode comprometer a posição competitiva, uma vez que projetos, algoritmos e dados de P&D são ativos centrais.

“Se antes os incidentes mais preocupantes envolviam apenas dados regulamentados, hoje o centro da atenção é a propriedade intelectual. Em setores como biotecnologia ou manufatura, a perda de um único projeto pode significar anos de investimento comprometidos. Isso exige uma mudança de mentalidade: proteger não apenas dados regulatórios, mas os ativos que sustentam a vantagem competitiva de longo prazo”, comenta Bonatti.

Esses incidentes, segundo os entrevistados, comprometem a confiança nos controles existentes e ampliam a probabilidade de que atividades de maior risco passem despercebidas. Nesse contexto, organizações avançam da aplicação estática para modelos de visibilidade em tempo real, com foco no comportamento do usuário e na identificação de padrões de risco.

Embora a maioria das organizações tenha implantado ferramentas de DLP, a pesquisa indica que sua eficácia é limitada. Entre os entrevistados, 47% afirmaram que a solução atual previne perdas de dados. Contudo, apenas 33% relataram visibilidade imediata sobre o uso e 27% disseram conseguir identificar quais usuários estão colocando dados em risco. A visibilidade em SaaS (Software como Serviço – um modelo de entrega em nuvem no qual os usuários acessam aplicativos pela internet mediante assinatura, sem necessidade de compra ou instalação local) e aplicações não autorizadas é ainda menor: apenas 22% conseguem monitorá-las de forma efetiva.

Proteção da propriedade intelectual

A proteção da propriedade intelectual, mesmo em setores em que se trata de ativo estratégico, permanece insuficiente: apenas 37% concordam fortemente que suas soluções ajudam nesse aspecto. Isso evidencia a limitação das ferramentas tradicionais, que identificam violações mas não conseguem associar comportamento, intenção e contexto. Como resultado, as equipes recebem elevado volume de alertas sem que isso se traduza em compreensão sobre os riscos reais.

As dificuldades de implementação também foram destacadas. Apenas 24% avaliaram o processo como simples, o que aumenta o tempo necessário para retorno. Apenas 3% obtiveram visibilidade sobre uso de dados em poucas horas após a implantação, 15% em poucos dias, e 75% levaram semanas ou meses para alcançar resultados consistentes. Segundo os respondentes, isso decorre de modelos arquitetônicos baseados em políticas complexas, integrações isoladas e aplicação estática.

A pesquisa mostra que o DLP de próxima geração deve superar essas limitações. Para os líderes de segurança, os elementos considerados prioritários são:

  • Análise de comportamento (66%), para diferenciar erros de atividades maliciosas e identificar desvios.
  • Visibilidade imediata (61%), para acelerar o uso de insights e políticas.
  • Supervisão de SaaS e IA (52%), para monitorar fluxos em ambientes críticos.

Outros fatores também foram apontados: rastreamento do ciclo de dados (38%), monitoramento voltado à privacidade (33%), treinamento instantâneo do usuário (29%) e recursos de gestão forense de incidentes.

De acordo com o levantamento, o risco não está apenas no arquivo em si, mas no comportamento relacionado a ele. As equipes precisam compreender quem movimenta dados, por que e em que contexto. Esse entendimento orienta a transição para soluções que priorizam visibilidade em tempo real e análise contextual, substituindo controles estáticos por abordagens que combinam cálculo de risco e resposta adaptativa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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