B3 apresenta estratégia para o próximo ano e se prepara para ciclo de crescimento

B3 apresenta estratégia para o próximo ano e se prepara para ciclo de crescimento

Em 2025, a B3 investiu R$ 1 bilhão em projetos de seu portfólio, com objetivo de sustentar e inovar em seus principais negócios

A B3, bolsa do Brasil, apresentou sua estratégia de crescimento para 2026 durante o B3 Day, evento realizado nesta terça-feira (16) para os investidores da companhia. Para 2026, a companhia vislumbra um cenário de crescimento das receitas para maximizar as oportunidades em duas frentes de negócios: as pró-cíclicas e as recorrentes.

As receitas pró-cíclicas são as que apresentam crescimento acelerado em cenários favoráveis e estabilização em cenários desafiadores, como acontece nos segmentos de renda variável e derivativos. As receitas recorrentes são negócios que apresentam crescimento constante no longo prazo, como os segmentos de renda fixa e crédito, empréstimo de ativos, soluções para mercado de capitais, soluções analíticas de dados, tecnologia e plataformas.

Durante a apresentação, a B3 mostrou os resultados de um exercício de análise de sensibilidade que realizou para estudar possíveis cenários para evolução no mercado de renda variável, considerando os dados atuais e a movimentação de alguns indicadores. O estudo mostra que com poucas alterações no cenário é possível obter avanços significativos no ADTV (volume de negociação diária) no mercado de renda variável para investidores pessoa física, estrangeiros e institucionais locais, perfis que representam, juntos, cerca de 70% da negociação desse mercado.

Ao considerar o ADTV atual de investidores pessoa física na bolsa, um cenário mais favorável para o engajamento dos investidores (frequência em que negociam ações), somada à expansão da base de investidores dos últimos anos, inspira confiança no crescimento do volume desses investidores no próximo ciclo.

Mudanças em renda variável

Atualmente, o ADTV do investidor pessoa física na B3 é de R$ 3 bilhões, com 30% de engajamento (investidores que realizaram negociações ao longo do mês) e um volume médio diário (ADTV) por CPF de R$ 1,8 mil. Se o ADTV por CPF subisse para R$ 3 mil, o ADTV alcançaria R$ 4,9 bilhões.

“O mercado de renda variável mudou radicalmente nos últimos 5 anos. O número de contas dobrou, o número de corretoras e agentes autônomos cresceu exponencialmente e vemos um mercado mais maduro, com avanço de produtos mais sofisticados como ETFs, BDRs e fundos. O mercado se desenvolveu e, no próximo ciclo favorável, veremos um crescimento de volume significativo na renda variável”, diz Gilson Finkelsztain, CEO da B3.

No segmento de investidores estrangeiros, a mudança de cenário também poderia aumentar a alocação em ações brasileiras, que atualmente está em um patamar historicamente baixo. A sensibilidade ao fluxo estrangeiro é grande, e mesmo uma pequena mudança representaria um grande aumento no ADTV desse segmento.

No institucional local, as taxas de juros elevadas vêm impactando fundos de ações e multimercados há anos, sofrendo com resgates e competição com fundos de renda fixa. Uma maior alocação em ações dos fundos locais também pode representar aumento significativo.

Estratégia de crescimento

A estratégia de diversificação de receitas da B3 se mantém consistente e vem sendo executada de forma eficiente nos últimos anos, sustentando o modelo de negócios que tem de um lado os negócios pró-cíclicos e de outro lado os negócios recorrentes.

“Atualmente, a B3 é muito menos dependente dos ciclos de juros. Como resultado da nossa estratégia de diversificação de receitas, com fortalecimento do core e crescimento nas áreas adjacentes, somos uma empresa duas vezes maior e mais diversificada do que há cinco anos”, explica André Milanezdiretor Executivo Financeiro, Administrativo e de Relações com Investidores da B3.

Ainda segundo o executivo, os negócios recorrentes são fundamentais para os resultados da companhia em cenários desafiadores. O plano da B3 é aumentar significativamente o crescimento desses negócios e buscar novas fontes de receitas com iniciativas em renda fixa e duplicatas escriturais.

Nos negócios pró-cíclicos, a estratégia é preparar a B3 para o próximo ciclo de juros, com foco em tecnologia e inovação, aprimoramento em tarifação e aumento da liquidez, além de potencializar esse mercado por meio da diversificação de produtos.

Novos produtos

Durante o B3 Day foi anunciado que, no próximo ano, um dos principais lançamentos previstos é o Contrato de Eventos Financeiros. Esses contratos são do tipo sim/não, conectados a perguntas objetivas, com payoff limitado (o investidor já sabe quanto vai pagar e quanto poderá ganhar com a operação) e sem alavancagem. A B3 já realizou pedido para o regulador de cinco novos derivativos digitais.

A intersecção entre infraestruturas de mercado tradicionais com plataformas de mercados preditivos é uma tendência global, e a B3 vem acompanhando e estudando esses avanços.

Hoje, entre 250 e 300 mil clientes da B3 operam derivativos tradicionais, como minicontratos. Com esses novos derivativos digitais, a B3 vê potencial de atrair mais investidores, com uma operação simplificada, mas dentro do mercado regulado. Existem 5,4 milhões de pessoas físicas que já investem em renda variável na B3 e que são investidores potenciais para esses novos produtos.

Em 2025, foram 19 lançamentos em derivativos pela companhia. Para o pipeline 2026/2027, estão previstos 22 produtos como Opção Semanal com Vencimento Diário de Dólar, Ethereum e Solana, Futuro de Petróleo, Opção Semanal de Bitcoin em USD, entre outros.

 

No mercado de renda variável, produtos com grande potencial de crescimento são os índices, ETFs e empréstimos de ações. Além disso, o Regime Fácil, iniciativa da CVM para facilitar o acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais, pode fortalecer o pipeline de ofertas de ações em uma próxima janela de mercado.

 

Já em renda fixa, a B3 irá focar seus esforços em duas frentes: fomentar a negociação tanto de títulos públicos federais quanto de títulos privados no mercado secundário, por meio da plataforma de negociação eletrônica Trademate, e preparar sua infraestrutura para liderar o movimento de transformação das duplicatas escriturais. A B3 está preparando uma solução que vai além das obrigatoriedades regulatórias, com inteligência agregada, e proposta de valor para diferentes tipos de clientes nesse mercado, que tem potencial de R$ 11 trilhões.

 

Além dos produtos tradicionais, a B3 também está estudando novas tecnologias como tokenização e stablecoins. A intenção é conectar a tokenizadora à infraestrutura atual, de negociação e pós negociação, para ofertar novos produtos ao mercado por meio de plataforma. O stablecoin seria o viabilizador da liquidação nessa nova estrutura, além de servir como ferramenta para todo ecossistema digital utilizá-lo como meio de liquidação em real.

 

Projeções para 2026

Em 2025, a B3 investiu R$ 1 bilhão em projetos de seu portfólio, com objetivo de sustentar e inovar em seus principais negócios. O segmento de mercado (renda variável, derivados, renda fixa e crédito) recebeu 53% do investimento, utilizado para manter o funcionamento da infraestrutura e para o desenvolvimento de novos produtos. O segmento de Tecnologias e Plataformas recebeu 23% desses investimentos, enquanto as soluções analíticas de dados receberam 16% e as soluções para mercado de capitais receberam 8% do investimento.

 

Nas projeções de investimento da B3 para 2026, os desembolsos totais estão entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,6 bilhões, considerando entre R$ 2,4 bilhões e 2,6 bilhões em despesas ajustadas, entre R$ 260 milhões a R$ 350 milhões em CAPEX e despesas atreladas ao faturamento entre R$ 510 milhões e R$ 660 milhões.

 

O valor de depreciação e amortização, incluindo amortização de intangíveis e mais valia, ficou entre R$ 370 milhões e R$ 430 milhões. Já projeção da alavancagem Financeira (Dívida Bruta / EBITDA recorrente dos últimos 12 meses) é de até 2,2x. A projeção de distribuição do lucro líquido é de 90% a 110%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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