Como o mercado de trabalho brasileiro será em 2026?

Como o mercado de trabalho brasileiro será em 2026?

2026 será um ano de novos desafios, muitos deles impulsionados pela inteligência artificial

À medida que 2025 se encerra, o mercado de trabalho brasileiro avança para 2026 cercado por expectativas. De acordo com dados do IBGE, a taxa de desocupação no trimestre encerrado em setembro de 2025 ficou em 7,4%, um dos menores índices desde 2015, influenciada principalmente pelo crescimento do setor de serviços e pela recuperação gradual da indústria — que voltou a registrar alta de produção após retrações consecutivas no início do ano.

Ao mesmo tempo, o Banco Central apontou que o nível de informalidade segue acima de 39% da força de trabalho, evidenciando que o país entrará em 2026 com avanços na taxa de empregabilidade, mas ainda com forte dependência de ocupações menos estruturadas.

O movimento de digitalização também acelerou a transformação das contratações. Segundo a Brasscom, as carreiras ligadas à tecnologia deverão abrir 46 mil novas vagas em 2026, número que reforça a demanda por qualificação e requalificação profissional, especialmente em competências digitais básicas e avançadas.

Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, as tendências apontam que 2026 será um ano de novos desafios — muitos deles impulsionados pela inteligência artificial, seja na forma como as atividades são executadas, na qualificação dos profissionais ou na própria seleção de talentos. Mas, para ela, também será um ano de oportunidades.

“As empresas estão mais criteriosas porque querem profissionais que realmente permanecem e crescem dentro de suas estruturas, ao mesmo tempo em que esses profissionais também estão mais conscientes sobre o que desejam para suas carreiras. Encontrar o equilíbrio entre eficiência, tecnologia e bem-estar será um dos pilares das contratações no próximo ano”, afirma Ana.

Setores como saúde, logística, varejo e tecnologia devem seguir como motores de criação de emprego no país. Segundo o CAGED, somente entre janeiro e outubro de 2025, o setor de logística registrou um saldo positivo superior a 120 mil postos de trabalho formais, impulsionada principalmente pelo crescimento do e-commerce e por novos modelos de distribuição. Já o setor de saúde segue em expansão contínua desde a pandemia, somando mais de 80 mil admissões no mesmo período, reflexo do envelhecimento populacional e da interiorização dos serviços médicos no país.

A CEO do Infojobs destaca que o comportamento dos profissionais também será decisivo para moldar a dinâmica de contratações em 2026. “O profissional do próximo ano chega mais exigente: busca flexibilidade, um ambiente saudável e uma visão clara de crescimento. Essa postura pressiona as empresas a repensarem cultura, benefícios e até seus processos de seleção”, explica Ana Paula. Ela reforça que as próprias tendências de busca por vagas mostram que o alinhamento de expectativas será um dos fatores centrais do próximo ciclo.

“Por outro lado, o profissional também precisará se preparar para um mercado cada vez mais dinâmico. Isso significa investir em qualificação contínua, desenvolver habilidades digitais, se adaptar às novas tecnologias e, sobretudo, assumir um papel mais protagonista na própria trajetória. A competitividade cresce, mas também crescem as oportunidades estratégicas para quem estiver disposto a aprender, se atualizar e avançar”, completa a CEO da Redarbor Brasil.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. A produtividade brasileira segue estagnada — um problema que o IPEA apontou como crítico ao mostrar que o país cresceu menos de 0,7% ao ano em produtividade nas últimas duas décadas. Isso reforça a necessidade de investimentos em formação técnica, digitalização e melhoria de processos internos nas empresas.

Para 2026, a expectativa é de um mercado que combina expansão moderada com grandes transformações comportamentais e tecnológicas. “Não será apenas sobre mais contratações, mas sobre as conexões certas de cultura entre empresas e trabalhadores. Profissionais capacitados, empresas adaptadas e processos que aliam tecnologia e humanização serão o fio condutor para esse caminho”, conclui a CEO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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