Estudo aponta quem são os líderes das áreas de finanças nas empresas paranaenses

Recorte regional do maior levantamento já feito com CFOs no Brasil revela executivos experientes, presença diversificada de setores e desafios persistentes em diversidade
No Paraná, a liderança financeira nas empresas apresenta um perfil consolidado e, ao mesmo tempo, em transição. Executivos experientes, com atuação em setores estratégicos como tecnologia, agronegócio e serviços financeiros, compõem o retrato traçado pelo CFO Trends 2026, maior estudo recente já realizado com CFOs no Brasil, conduzido pelo Evermonte Institute.
De acordo com o levantamento, 88% dos CFOs no estado são homens – e apenas 12% são mulheres –, um índice que reforça a urgência de avanço na representatividade feminina em posições de diretoria financeira. A faixa etária predominante se concentra entre 41 e 45 anos, com 36% dos respondentes, seguida por executivos entre 51 e 55 anos (18%) e por grupos como os de 35 a 40 e 46 a 50 anos, ambos com 16%. Há ainda 8% de profissionais entre 56 e 60 anos.
Quanto ao porte das equipes lideradas, 54% dos CFOs estão à frente de times com mais de 20 pessoas – uma indicação de estruturas financeiras complexas e bem estabelecidas. Outros 20% lideram equipes entre 11 e 20 pessoas, enquanto 18% gerenciam entre 6 e 10 colaboradores e 8%, de 2 a 5. Sobre as perspectivas de contratação para 2026, o cenário é majoritariamente estável. Para 56% dos entrevistados, a expectativa é de manutenção do quadro atual. Já 30% indicam que pretendem ampliar suas equipes e 12% sinalizam substituições – evidência de um ambiente com potencial de crescimento, mas também com cautela na gestão de talentos.
Para Artur de Castro, Managing Partner da Evermonte Executive Board & Search e economista de formação, o perfil regional mostra a solidez da função, mas também os desafios de renovação e adaptação.
“A liderança financeira no Paraná já atua com estruturas organizacionais bem definidas e inserida em setores-chave da economia. O próximo passo será acelerar o desenvolvimento de competências digitais e avançar na inclusão de lideranças mais diversas. São movimentos fundamentais para manter a competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico”, avalia Artur de Castro.
CFO do futuro
Com 242 executivos participantes, o CFO Trends 2026 é o maior estudo já realizado sobre liderança financeira no Brasil. Conduzido entre 2 e 29 de setembro de 2025, o levantamento mapeou as competências, desafios e tendências que irão moldar a atuação do CFO em 2026.
No topo da lista de competências mais valorizadas está o direcionamento estratégico e a alocação de capital (77,7%), seguido por business partnering e influência no negócio (59,9%), e pelo uso de inteligência artificial e automação nas finanças (55%). Também se destacam: planejamento financeiro e performance (FP&A – 52,5%), gestão de pessoas (50,8%), governança de riscos (42,6%), análise de dados (25,6%) e relações com investidores (19%).
O estudo também chama atenção para a escassez de talentos em áreas técnicas consideradas estratégicas. Entre as habilidades mais difíceis de encontrar no mercado estão IA e machine learning aplicados às finanças (52,1%), analytics (47,1%) e modelagem de cenários (44,2%). Essas defasagens se somam a barreiras internas como cultura corporativa resistente a mudanças, sobrecarga operacional e sistemas pouco integrados — fatores que ainda limitam o avanço da transformação digital na área financeira.
Para o sócio e headhunter da Evermonte, os dados confirmam o movimento de reposicionamento do CFO. “O CFO de 2026 precisa pensar fora da caixa. Sair de trás da mesa e fazer aliados. O desafio agora, portanto, é alinhar competência técnica, fluência digital e capacidade de liderança para conseguir bons resultados tanto no curto, quanto no longo prazo. Se a premissa básica dos negócios é que o mercado está em constante transformação, da mesma forma o CFO deve manter-se em constante atualização”, afirma Artur de Castro.
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