Como usar o 13º salário de maneira inteligente?

Como usar o 13º salário de maneira inteligente?

Veja como evitar erro mais comum, fazer a gestão de dívidas e se planejar para o início do ano

A data final para os trabalhadores receberem a segunda parcela do 13º salário é 20 de dezembro. Mas para que esse “dinheiro extra” não vire uma dor de cabeça, ele deve ser utilizado com inteligência e não em compras impulsivas ou desnecessárias.

“O 13º não é um ‘bônus’ e sim uma parte do salário que chega concentrada no fim do ano. Em um cenário de juros ainda elevados, essa quantia precisa ser tratada como recurso estratégico e não para consumo imediato”, explica o especialista em Finanças e diretor de Operações do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Alan Sales da Fonseca.

O alerta ganha ainda mais relevância com a inadimplência do país. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de famílias com algum tipo de dívida a vencer chegou a 79,5% em outubro. Dessas, 30,5% têm débitos em atraso e 13,2% afirmam que não conseguirão pagar o que devem.

Erro mais comum x mapa de prioridades

O erro mais comum, segundo o especialista, é utilizar o dinheiro como sendo “extra” e gastar com presentes, festas e viagens sem considerar dívidas ou contas típicas do início de ano como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar.

No entanto, quando o trabalhador usa o 13º para ‘blindar’ essas contas, ele entra em janeiro e fevereiro com muito mais tranquilidade. “A função do 13º salário deve ser a de proteger o orçamento e reduzir a dependência ao crédito. Antes de tomar qualquer decisão, responda três perguntas básicas: Quanto eu devo?; Quais são minhas principais contas de início de ano?; Tenho alguma reserva para emergências?”, enfatiza.

Com esse ‘mapa’ em mãos, é possível definir prioridades para organizar dívidas caras (cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal); reservar uma parte para as despesas já previstas no início do ano; e se sobrar, construir ou reforçar uma reserva financeira.

Dívidas e negociação

Para Fonseca, a aplicação mais inteligente do 13º salário é no combate às dívidas de juros altos. “Especialmente cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimos pessoais. Financeiramente, essa atitude é equivalente a um investimento de alto retorno onde o trabalhador ‘ganha’ a taxa de juros exorbitante que deixará de pagar”, detalha.

O especialista ainda destaca que a renda extra pode ser uma ‘poderosa moeda de negociação’. “Quando a pessoa chega ao banco ou ao credor dizendo: ‘Tenho X reais para pagar à vista se me derem desconto’, ela muda o jogo. A dica é não ter medo de pedir redução nos juros, multas, encargos e sempre solicitar a simulação por escrito antes de fechar o acordo”, enfatiza.

Proporções e prioridades

Embora não exista uma regra única para dividir o 13º salário, Alan Sales da Fonseca oferece uma referência que pode ser adaptada à realidade de cada um:

• Para quem está bastante endividado: 60% a 80% para dívidas caras; 10% a 20% para gastos de início de ano; e 10% para iniciar uma reserva de emergência.
• Para quem tem dívidas sob controle: 40% a 50% para reduzir dívidas; 20% a 30% para despesas sazonais; e 20% a 30% para poupança/investimentos.
• Para quem está com as contas equilibradas: 30% a 40% para objetivos de médio prazo (viagem, curso); 30% a 40% para investimentos; e 20% a 30% para consumo planejado.

“Mais importante que a proporção exata é a intencionalidade: o 13º salário deve ter destino definido antes de cair na conta. Quando o dinheiro entra sem plano, ele some. Quando entra com propósito, ele vira ferramenta de melhora de vida”, ressalta.

E para quem está com tudo em dia?

Para aqueles que estão com as finanças organizadas, o 13º salário deixa de ser uma ‘tábua de salvação’ e se transforma em uma alavanca para o futuro. Nesse caso, o diretor de Operações do Centro Universitário Integrado indica quatro caminhos promissores:

1. Reforçar a reserva de emergência: essa proteção contra imprevistos evita o retorno ao crédito caro.
2. Investir em si mesmo: cursos, certificações e cuidados com a saúde são vistos como investimento em “capital humano”.
3. Construir patrimônio de longo prazo: aplicar em previdência ou outros investimentos para garantir autonomia financeira no futuro é uma ótima alternativa.
4. Planejar lazer, sem culpa: destinar uma parte para o lazer, uma experiência em família ou um passeio, mas de forma controlada, e não impulsiva.

“Para quem está equilibrado, o 13º não é só um alívio de fim de ano; é uma alavanca. Pode aproximar objetivos, fortalecer segurança financeira e, ao mesmo tempo, proporcionar qualidade de vida”, complementa Alan Sales da Fonseca.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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