Golpes em investimentos disparam e reforçam necessidade de due diligence jurídica nas negociações

Golpes em investimentos disparam e reforçam necessidade de due diligence jurídica nas negociações

Crescimento de fraudes financeiras evidencia falhas na verificação de contratos e empresas

O número de golpes ligados a investimentos tem crescido de forma alarmante no Brasil. Segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 38% dos brasileiros afirmaram ter sido vítimas ou alvo de tentativa de golpe no primeiro trimestre de 2025, contra 33% no fim de 2024.

O Banco Central também registrou aumento: 26% dos entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de fraude nos últimos dois anos. No mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reportou a emissão de 110 ofícios de alerta no segundo trimestre de 2024, número 90% maior do que no período anterior, com foco em empresas e plataformas que ofertavam investimentos sem autorização.

Os esquemas fraudulentos se sofisticaram, envolvendo desde promessas de lucros rápidos com criptomoedas até supostos fundos lastreados em gado e imóveis. O caso recente do cantor MC Livinho, que recorreu à Justiça para reverter o leilão de um imóvel avaliado em R$ 1,2 milhão após ser vítima de um golpe de investimento em bois, exemplifica a amplitude do problema. Documentos judiciais mostram que o artista teve seu patrimônio temporariamente transferido a um suposto investidor e precisou provar a propriedade legítima do bem para evitar a perda do imóvel.

Para a advogada Patricia Maia, sócia do Barbosa Maia Advogados e especialista em recuperação de ativos, o aumento de casos evidencia a falta de verificação jurídica nas transações financeiras.

“A due diligence não deve ser vista como custo, mas como ferramenta de proteção patrimonial. Muitos investidores são seduzidos por promessas de rentabilidade e deixam de checar documentos básicos, e é nesse ponto que o golpe se consolida”, afirma.

A due diligence jurídica consiste em um conjunto de procedimentos voltados a avaliar a integridade de uma operação antes de sua formalização. Envolve a checagem da origem dos recursos, do histórico societário e fiscal das empresas, das certidões negativas, dos registros de imóveis e de eventuais ações judiciais que possam comprometer o negócio. “Um contrato bem redigido não substitui a investigação sobre quem está do outro lado. É preciso confirmar a existência e a regularidade da empresa, a autenticidade das garantias e a legitimidade dos ativos ofertados”, reforça Maia.

O Relatório de Identidade e Fraude 2025, da Serasa Experian, indica que o Brasil registrou mais de 1 milhão de tentativas de fraude apenas no primeiro trimestre de 2025, o que equivale a uma tentativa a cada 2,2 segundos. As fraudes ligadas a investimentos e crédito responderam por boa parte dessas ocorrências. Para a advogada, o dado demonstra que a prevenção deve começar antes mesmo da assinatura de qualquer contrato.

Entre as principais recomendações dos especialistas estão:
• Verificar se a empresa está registrada na CVM ou no Banco Central;
• Solicitar certidões negativas de débitos e ações judiciais;
• Analisar o histórico dos sócios e sua capacidade financeira;
• Confirmar, por meio de cartório, a autenticidade de garantias e procurações;
• Desconfiar de promessas de retorno acima da média de mercado.

“O primeiro sinal de alerta é o ganho fácil. A due diligence é o antídoto contra isso: ela transforma o risco invisível em informação verificável”, conclui Patrícia Maia.

Com o aumento dos golpes e a digitalização das transações financeiras, a due diligence jurídica se consolida como prática indispensável para investidores, empresários e credores. Mais do que precaução, trata-se de um procedimento essencial para preservar capital, reputação e segurança nas negociações.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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